terça-feira, 5 de outubro de 2010

Paco Hunter



Country, Folk, Rock


www.myspace.com/pacohunter

From this existential cry reproduced on the margins of James Joyce’s Finnegans Wake, comes a promiscuous, amnesic cosmogony that manifests itself in the minimal filth of country grooves and various goods. Someone or something left behind Pensacola, and idling in Tishomingo dreams of Boca Raton's shadow.

De uma forma descontraída mas não ridícula, tocam alegremente, de tal forma que dá vontade de pôr a tocar no carro e partir para sabe-se lá onde. Num daqueles descapotáveis antigos, numa estrada sem mais ninguém! Claro.Paco Hunter representa o lado menos calmo e sereno do imaginário western e country. Não retrata a calmaria do deserto mas a agitação das rixas e das longas e turbulentas viagens. Conseguem tocar música descontextualizada da nossa actualidade de uma forma natural e actual.

Pensacola é isso mesmo. É a viagem, ou talvez o regresso dela.

A nivel instrumental gostava de destacar a variedade de sons reproduzidos. Apesar de a grande inspiração ser o universo country-folk, temos funk em "My Bro" e um travo a Bossa Nova em Jacarepaguá. Boca Raton leva-nos mais para um country mexicano, com influências latinas. Pensacola revela o lado Old Blues desta banda, My Connection traz-nos um rock blues.

Apesar desta separação, as guitarras têm um estilo muito peculiar ao longo das músicas. São tudo menos típicas, parece que ao fazer música há sempre mais qualquer coisa nova para inventar, é como pegar no antigo e distorcer para algo completamente novo. O acompanhamento do baixo mostra-se num bom patamar, capaz de ombrear perfeitamente com as clássicas riffs dos diferentes géneros, principalmente do funk, género que pede sempre linhas de baixo técnicas.




Hiata



Rock/Ambiente/Alternativo

www.myspace.com/hiata

www.hiata.com

O género descrito no myspace não corresponde verdadeiro dos Hiata. Esse, eles encontraram-no, e muito bem: symphonic landscape rock! Ouvindo percebemos o porquê, é fácil imaginar os cenários "provocados" pela sonoridade desta banda. E como a música é simples. Parecem estar a retratar um outro mundo, as paisagens que descrevem não podem ser neste. Quem diz "symphonic" também diz "space rock" e todos os seus derivados.

Misturam elementos acústicos (symphonic) com tonalidades mais eléctricas, perfeitamente equilibradas. As vozes complementam todo esse trabalho, com um toque celestial (aqui entra o landscape). As guitarras parecem marcar o ritmo e contar uma história ao mesmo tempo, os harmónicos usados com o timing certo. No geral, quase que conseguimos ver/ouvir uma orquestra, em vez da banda, tal é a magnitude que os arranjos têm - tudo parece muito épico!

Temos arranjos vocais, guitarras a soar de várias formas, entre o tom acústico, delays, distorção, sintetizadores brilhantes. Também se sente ocasionalmente um tom "emo" na música, não no sentido pejorativo mas no tipo de som produzido pelos Hiata. Há também um trabalho muito bom a nível de tonalidades musicais, em que as músicas não se resumem a estar enquadradas numa determinada escala de notas; pelo contrário, vai-se passeando através de diferentes escalas e tonalidades, sendo que essas variações estão muito bem feitas. É um dos factores que contribui definitivamente para o carácter espacial da música, flutuante, sonhador.




The Doups

Indie Rock

The Doups trazem-nos um indie fresco, em que tentam contrariar o exagero em que por vezes este tipo de bandas entra. Quantas bandas de britpop já ouvimos e achámos estranho a música ser tão pouco apelativa.. É um perigo do indie, bem evitado por estes. E não deixa de ter um traço marcado de rock, nota-se muito nos solos de guitarra. O baixo é muito presente e a quase que se sente o peso dos anos 80 no baixo simples, mas muito forte, a guiar a música, mais que o resto até.



O seu mais recente single traz-nos uma onda um pouco diferente, Now We See Everything é um instrumental claramente post-punk revival, soa a um rock muito britânico. As guitarras soam a Kaiser Chiefs, um pouco menos eléctricas. Aliás, é exactamente isto que faz destacar os The Doups: conseguem reproduzir um som caracteristicamente anglo-saxónico, principalmente britânico, de uma forma original, parecendo que sempre fizeram parte dessa intenção musical de misturar guitarras marcantes, baixos compassantes e um pézinho de dança.

Musicalmente, nunca esquecem a sua origem, o rock, e falo das ideias do rock mais iniciais, sendo isto um sinal não de algo retrógrado mas sim inovador - a chave da inovação é dar algo novo a coisas já feitas. Mas é difícil explicar.. se ouvirem saberão prontamente!

Tocaram no badalado festival Benicassim no ano passado, e não foi por acaso. São definitivamente uma banda diferente e merecem os grandes palcos. Entraram e triunfaram num concurso que lhes permitiu ir a Londres tocar para um reputado júri. Abriram para os Franz Ferdinand, um dos grupos-mentor actuais deste estilo musical, não terá sido ao acaso.

www.myspace.com/thedoups




Tiguana Bibles



Rock / Blues

O blues rock, desert rock, e seus derivados, transportam-nos sempre para outros tempos, outros desertos, de onde eles vieram originalmente. Viagens longas e áridas, pensamentos turvos, já isso foi tudo falado. Mas em Tiguana Bibles ganha mesmo um sentido cinematográfico. É a banda sonora do filme que ainda está para ser feito, talvez por ter que ter um filme à altura do acompanhamento musical.

Neles encontramos a sensualidade da voz feminina de uma forma provocante, descrevendo um universo que já vimos mesmo em qualquer lado. A música é compassada, dando algum azo à melancolia tão inerente ao blues mais antigo. Mas os tons que sentimos aqui são de western, absolutamente! É com os Tiguana que nos vamos lembrar de todos os filmes do Clint Eastwood, os mais antigos, todos os westerns, todas as fotos de aldeias antigas do deserto, amores perdidos ali no meio.. Está aqui uma caixinha com esse universo todo.

E mais uma vez, a voz. É ela o pêndulo da banda. Tracy Vandal é a senhora que se segue, escocesa e dona de um dote vocal incrível. Não é a voz mais forte, mais flexível, não é a melhor voz de sempre. Mas é incrível. O tom que confere à música é simplesmente perfeito. Talvez pelo seu inglês perfeito e dicção limpíssima, talvez pelo facto de ser tanto grave como aguda. As guitarras que a acompanham desenvolvem-se pelo reverb e ligeiro delay que nos transporta instantaneamente para os anos 50 e para o lado menos bonito do Beach Rock.

O baterista é o vocalista-baterista dos já rodados Bunnyranch, e os restantes membros têm alguma experiência de projectos anteriores. É uma banda muito evoluída, apesar do género que tocam. Não se consegue afastar o conceito de música cinematográfica ao ouvir os Tiguana, há músicas realmente talhadas para certos filmes. Música e cinema, duas artes permanentemente de mãos dadas, quando se tocam de uma forma mais intensa, bandas como esta surgem da melhor forma possível.

www.myspace.com/tiguanabibles




Noah's Ark of Pain



Folk Rock / Bluegrass / Pop

Demasiado .. fresco para não ser postado! Alternam entre uma musicalidade country, rock e pop, vindo de uma mistura de Beach Boys, Beatles e Nashville acústico. Música simples, os instrumentos do costume, bem tocados e bem usados. É sempre de admirar e destacar bandas que ainda usam fórmulas mais que gastas desde o aparecimento do rock, mas ainda conseguem soar a novo. Por vezes, a isso se deve até mais mérito do que bandas que inventam ou modificam géneros específicos.

Qual a fórmula para a boa música, quando não há nada de individual que se destaque em termos de um específico instrumento, a voz, as letras, o ritmo em que é tocado..? Não há a resposta certa, mas há algo muito parecido. No caso dos Noah's, acaba por prevalecer o conjunto de sons reproduzidos. Todos articulados de forma perfeita. Esta é a música que queremos ter no rádio do carro a toda a hora, para estarmos mais calmos ou alegres.

A nível mais técnico, também se pode falar da inteligente conjugação do acústico-eléctrico. Há uma alternação constante entre os dois. Entre as músicas e dentro das mesmas em si. Por vezes é arriscado fazê-lo, a não ser que haja claramente um início acústico e a continuação da música electrificada. Aqui não, conseguem coexistir perfeitamente.

Fazem lembrar um pouco os Silence 4, também eles com forte marca acústica, pelo potencial que têm- Como se podem num instante tornar num fenómeno de massas se que isso implique perder qualidade musical ou respeito pelos fãs mais acérrimos. Acabaram de terminar um hiato e estão de volta, espera-se por concertos. Já começaram a ter algum impacto na esfera musical mas ainda dá mais! Esperar para ouvir.

http://www.myspace.com/theguysfromthecaravan

http://www.guysfromthecaravan.com/site/index.html




Carbilly



Rockabilly

Carbilly lembra-me sempre os filmes do Tarantino, muito particularmente Deathproof e Reservoir Dogs. Mas também se acha sempre algum outro filme para encaixar estas músicas de prato, tarola, guitarra blues e baixo presente. Um toquezinho de harmónica e "tambourine". Mesmo assim, o segredo está na voz, essa voz é o bilhete que nos leva ao que eu disse inicialmente. A interpretação vocal das canções é que dá o toque final na loucura rockabilly com que somos premiados.

O ritmo que marca a música de Carbilly é a base que alimenta esta torrente rockabilly. É o ritmo de viagem constante, dia e noite, a fugir da polícia ou à procura de vingança. É por este tipo de histórias do cinema que estes rapazes de Beja nos trazem este rock gingão. Um pouco de twist, rock e western é o cocktail que se segue.

Foi a partir deste tipo de ideias musicais que desenvolveu o rock para o multi-estado em que o temos actualmente. Quer na estrutura das canções, na progressão de acordes usada, o tipo de solos pentatónicos e os breaks em que a percurssão pára por momentos para se ouvir o resto da banda e depois retoma o ritmo, voltando assim à sequência inicial. Temos também a esquecida harmónica, dos poucos instrumentos que ficou para trás no crescimento do monstro que é o rock. Quando ela vibra, sabemos que ouvimos blues.

Nesta fase mais primordial do rock, algo que também é muito interessante são as letras, pelo tom básico que proporcionam. Álcool, mulheres, viagens fugitivas, inimigos, jogos de cartas, está lá tudo. É impressionante a facilidade que os Carbilly transpõem o som e as letras do rockabilly para os nossos ouvidos e para os dias de hoje em geral. Não se pense que pegar num género pouco desenvolvido e tocá-lo com habilidade é acessível. Tocar sim. Com habilidade, é preciso estar por dentro da mentalidade. E eles conseguem!

http://www.myspace.com/carbilly




The Rising Sun Experience



Rock / Blues / Psicadélico

A palavra chave é "experience". Tenho falado bastante de blues, de rock, mas a um nível mais linear, seguindo estruturas já existentes e mais que definidas e delineadas em todos estes anos de existência do género. Aqui podemos ouvir um cocktail com um cheiro a anos 60, o psicadelismo ao rubro. O orgão blues marca bem essa vontade, há ritmos esquisitos, no bom sentido, diferentes, são músicas que parecem mesmo estranhas, mas não. É como pegar no livro que lhes ensinou tudo o que sabem e virar metade do avesso. Mas este avesso valeu a pena!

Estas músicas são como um novo manual rock. Tem todos os elementos possíveis: wah wah, orgão blues, distorção de guitarras, o ritmo impresso pela bateria, tão blues rock, solos fulminantes. Conseguimos detectar a nossa amiga pandeireta de vez em quando. Mas talvez, ou melhor de certeza, eles tenham recuperado o tom psicadélico que em muitas bandas rock foi deixado para trás. Por vezes fazem lembrar o psicadélico "dark" dos Kasabian, mas quando parece que é "dark", acaba sempre por voltar ao tom de "cool" psicadélico, calmo ou explosivo.

Para quem já viu os filmes "Ocean's", parece que The Rising Sun Experience pegaram na banda sonora desses filmes e aplicaram as suas próprias regras. A original é muito mais virada para o jazz simples e acústico, mas consegue-se imaginar o filme com esta refrescada banda sonora, muita mais turbulenta e completa, em que se preencheram os elementos em falta que os TRSE nos trazem.

Um pequeno destaque para a parte vocal. Enquanto que todos os elementos da banda trabalham num sentido "blues rock", a voz parece vinda de outras andanças. A voz parece vinda de uma onda mais pop e ligeira, o que contribui ainda mais para o exotismo da banda. O tal cocktail, a tal mistura de géneros, que acaba por ser um género apenas, mais antigo mas, antagonicamente, mais desenvolvido, tem como cereja no topo do bolo o tipo de voz que é usada nas músicas. Não só ela, como também os ritmos complexos em que a banda por vezes toca. Falo de compassos que não são os típicos binários, trenários ou quaternários.

Como vêem, a fórmula é complexa, a música pode por vezes ser um obstáculo para o normal ouvido, mas este é um dos caminhos para o talento e merecido sucesso.

http://www.myspace.com/therisingsunexperience




Dollar Llama

As Minhas Fotos | REVOLUTION F.M. EP | DOLLAR LLAMA

Hard Rock

Não é mais uma banda de rock pesado. Pega em tudo o que está associado a esse conjunto de ideias - grunge, metal, punk - e faz algo diferente. Conseguimos sentir sempre estes 3 nas suas músicas, mas não os conseguimos etiquetar num só estilo. Se conseguisse descrever o som de uma forma muito básica, diria que soa a uns Guns'n'Roses com o James Hetfield em vez do Axl Rose, não querendo sabotar a atitude própria da banda, claro.

Acho que é um trabalho por vezes muito complicado fazer-se música pesada sem entrar no metal ou então, pura e simplesmente no exagero de barulho provocado pela intensidade da distorção, rapidez das guitarras, ou algo do género. Há bandas que o conseguem fazer, como os Dollar Llama. Em momento algum se sente que a sua música cai num dos dois perigos ditos acima. Foi esse o papel dos grunge quando surgiu, esticar a música pesada até ao limite do "heavy" sem se confundir com metal, trash, correntes que o influenciaram mas da qual os músicos grunge se queriam desmarcar.

Dollar Llama acaba por ser a celebração do hard rock em geral. Dos poucos géneros que se tem mantido intocável desde que surgiu, hoje conseguimos ouvi-lo sem achar que algo se perdeu ao longo dos anos. É um género fiável, constituído por bandas fiáveis. Os DL acabam por entrar também nesse grupo, e ainda bem. Desde o desaparecimento do grunge que o Hard Rock está um pouco mais pobre, as bandas que ficaram têm que preencher esse vazio da melhor forma. E aqui está a prova de que esse trabalho está a ser bem feito!

http://www.myspace.com/dollarllama




Cais Sodré Funk Connection

As Minhas Fotos | CAIS SODRÉ FUNK CONNECTION

Funk / Soul

São um autêntico festival funk e soul. Têm como objectivo celebrar a década funk dos anos 60 e a música gerada a partir dessa altura. Seja para dançar, apreciar, ou celebrar ou grandes mestres que os inspiraram, apresentam-se por membros de já existentes bandas portuguesas, tendo por isso membros oriundos de diversos géneros, todos juntos numa colaboração muito groovy.

Os CSFC são a primeira banda residente do MusicBox, em Lisboa, sinal da confiança depositada nesta banda, fruto óbvio da experiência dos seus membros (Cool Hipnoise, Cacique 97, Groove 4tt, Mr Lizard, banda do Sam the Kid, Spaceboys) e da qualidade elevada da sua musicalidade. A sua intenção é recriar todo o movimento funk como se tivesse nascido ontem. O enquadramento cultural não é, sem sombra de dúvidas, o mesmo mas não é por aí que hão de não atingir o seu objectivo. Ao vivo, são nove elementos a lutar por um ambiente muito anos 60 e 70, na américa negra, na américa do blues e do rock.

As suas ricas actuações também servem para nos lembrar as raízes de estilos como o hip-hop e a dance music. Para os mais esquecidos, a cultura MC, os improvisos falados, o rapper e grande parte dos elementos que hoje fazem parte da gíria do hip-hop são provenientes do funk. A isso também se deve a colaboração de actuais artistas de hip-hop com os CSFC.

Mais que música, na altura em que apareceu, o funk era festa, era um modo de vida. Celebrar para esquecer o resto da nossa vida, era esse o lema. Penso que o mundo da música tem muito a aprender com o funk/soul em geral e com os CSFC em particular. É preciso gostar da música que estamos a fazer, é preciso sentir o que ela nos está a dar da forma mais contagiante possível, é preciso a música deixar-nos em piloto automático para podermos criar, tocar, inventar, fazer o que nos apeteça, sempre dentro da onda blues, rock, funk, soul, etc.

www.myspace.com/csfunkconnection




Oceansea



Acústico

Na atmosfera Pop-Rock, uma musicalidade puramente acústica pode ser difícil de executar, quer seja de transição do eléctrico para acústico ou só de criação no meio acústico. É algo, obviamente, apenas ao alcançe dos melhores. Não, não me refiro aos grandes guitarristas ou grandes cantores, de técnica apurada e arranjos complexos. Esses também o conseguem, e bem, mas com talento natural consegue-se fazer boa música com um bom naipe de acordes, por exemplo.

Oceansea é um projecto a solo de Daniel Catarino, e o EP "Songs From The Bedroom Floor" o primeiro desta carreira solitária. Daniel tem consigo uma guitarra e a sua voz, mais nada. E muita inspiração, pelos vistos. Este EP leva-nos a um mundo folk um pouco esquecido pela evolução musical dos últimos tempos, de contemplação e viagens, de calmaria e brisa. É um estilo de música que, não estando por isso "old-fashioned", leva-nos aos primórdios do rock simples e mais crú, sem grandes derivações e desvios.

Podemos ouvir, neste 1º passo da carreira a solo de Daniel, músicas simples e directas, mas muito eficazes. Temos perante nós uma voz boa, mas não brilhante, arranjos de guitarra bons, mas não de outro mundo, e as faixas não deixam de ficar no ouvido e de nos fazer querer ouvi-las outra vez. Não é só o soar bem, há mais qualquer coisa. O palavra "catchy" encaixa em todo esta ideia.

Considero a melhor canção "The Whimsical River". Tem um refrão fantástico, e a forma como toda a música desliza pelos nossos ouvidos é fantástica. Foi aliás a música que me deu o incentivo para ouvir as restantes. É um projecto a solo a ter em conta, e esperemos que ande por aí nos próximos tempos, pois bem que merece este tal talento musical, que participa ainda nos projectos Landfill, Long Desert Cowboy, Uaninauei, Cajado, Moneymaking Machine, Camafeus e Seven Thousand.

MySpace: http://www.myspace.com/oceanseamusic




Slimmy



Electro Rock

Seria errado falar de Slimmy como uma revelação. Neste momento, parece-me talento confirmado, ou pelo menos, assegurado. A fórmula é simples: um disco sound com o espírito do rock, dada a voz marcante e a ocasional guitarra, que se revela indispensável ao ser o companheiro perfeito de tudo o resto. Passam-nos pela cabeça alguns nomes como Moby e Depeche Mode, mas há algo mais.

A mistura é mais profunda ainda, temos mais house, temos mais electro, temos mais rock. Temos liricismo carnal, amor e sexo cantados com muito brio e enfeitados por sintetizadores irresistíveis. Slimmy também representa o já referido novo conceito de DJ, que não se limita aos pratos e aos samples, mas que também pega noutros estilos e os agrupa numa miscelânea que não conseguimos rotular.

O resultado são músicas frescas e apetecíveis para dançar e uma diversidade muito saudável, música muito abrangente. O seu mais recente single, Be Someone Else, tem uma estrutura musical que segue uma linha progressiva comum tanto ao rock como à dance music no seu geral. É essa progressividade que traz mais brilho à música, jogando um pouco com o que o normal ouvinte espera da música, havendo uma linha crescente ao longo da mesma.

Uma palavra quanto à parte vocal. A voz tem uma personalidade muito própria, da qual se extrai sentimentos mais físicos mas também uma parte mais emocional negativa e pesada. É das coisas mais difíceis de fazer quando se é um vocalista de uma banda, imprimir emoção e sentimento de uma forma convincente. E numa de comparar com projectos existentes, há o inevitável "ombrear" com Moby e Depeche Mode, mas também podemos falar da fase mais recente dos Franz Ferdinand e da componente super electro dos MGMT, no que toca ao uso dos sintetizadores e dos elementos rock em prol deste estilo de música. Um bom sinal para o artista que começou no Porto mas cuja carreira já se encontra projectada pela Europa.

http://www.myspace.com/slimmyuk




Humble



Reggae/Ska

O ambiente musical que engloba o Ska, o Reggae e também, de certa forma, o Punk nem sempre agrada a todos. Ou se ama ou se odeia. Não há um meio-termo: quem não gosta diz que este género acaba por se tornar repetitivo, as músicas são sempre as mesmas, soa sempre tudo igual. Haverá alguma causa para esta discrepância entre os dois lados da barricada?

A resposta existe e está baseada no espírito que envolve tudo isto. Para se gostar minimamente destas músicas tem que se identificar com elas, não é só gostar da música ou letras, é mais ser como ela. Ao ouvir a música, é como vermonos aos espelho, vermos o nosso modo de vida, ver os nossos amigos, os nossos bons momentos.

Esta banda chama-se Humble e é isto tudo que foi escrito, com bastante qualidade, ainda por cima. Não é só a habitual boa disposição e descontracção do Ska e Reggae, há uma qualidade musical que prima pelo bom uso dos instrumentos e ritmos marcantes que todos conhecemos. Os Humble pautam-se por um Ska-Reggae flexível, com uns toques de Punk e música Pop.

O seu papel é complicado: fazer material novo num género que supostamente já está mais que explorado. Mas fazem-no como se fosse fácil. Acho que o principal motor da sua musicalidade é mesmo a voz, cheia de energia, bem usada e bem cantada. A bateria não ser apenas um compasso e ser mais que um instrumento, antes um elemento vital para a música, dando-lhe força, contrariando a monotonia de algumas correntes do Reggae, em que a bateria ou percussão em geral são deixadas de lado, é outra razão para esta música ser tão boa de ouvir.A ocasional segunda voz também não podia faltar. Começam já a marcar a sua posição no mercado musical português, com a associação a várias marcas conhecidas e com um crescente apoio estrutural no que toca à sua divulgação.

http://www.myspace.com/humblept




Smartini



Rock Alternativo

Divagar, ou devagar. As atmosferas smartinianas proporcionam-nos divagações musicais num ritmo tranquilo, mas sem perder a chama. Somos puxados um pouco para uma pseudo-melancolia urbana, apesar de parecer sempre que há a luz no fim do túnel. Isto é Smartini. São influenciados por (mas não imitadores de) um passado que envolve o início do Indie tal como o conhecemos actualmente: Joy Division, Sonic Youth, até uns Pixies mais suaves.

São músicas que parecem de viagens. Por sítios bons, por sítios maus, por outros em que estamos sempre e ainda aqueles aos que queremos voltar mal haja a oportunidade - "Idiotic Sense" é este mundo de que falo. Tudo isto serve para tentar exprimir a mistura de sentimentos que a distorção distante das guitarras e a voz soturna nos mostram.

Efeitos diversos nas guitarras, leiam-se delays, chorus, tremolos e vibratos, guiam-nos automaticamente por estes caminhos. A parte da guitarra varia entre o clean tone e uma fuzzy distortion, potenciando também o pêndulo sliêncio-ruído que se sente no já ido grunge. A voz nunca é muito forte, acaba por ser mais secundária quase para os ouvintes se concentrarem no resto da música.

Nascidos em 2002, oriundos de Guimarães, estão no seu início muito auspicioso, não só por estarem a entrar com o pé direito no mundo musical mas pelo próprio som da banda: universal, de qualidade e cativante de uma forma bem sólida. Estão a dar os passos mais importantes da carreira, os do enraízamento do seu nome enquanto bom projecto que são.

http://www.myspace.com/smartinimusic




The Poppers


THE POPPERS 2010 | The  Poppers

 


Pop/Rock





O rock sofreu alterações várias na segunda metade do século XX. Desdobrou-se em mil e um géneros diferentes, que estão cada vez mais seguindo caminhos divergentes mas que ainda assim têm sempre um ténue pano de fundo em comum. O rock nasceu, enraizou-se nas décadas de 50, 60, ao tornar-se no género musical oficial da cultura do ocidente. Aí o rock ganhou força, e apareçeram as super bandas (inglesas) ainda hoje são tão recordadas.





O que fazem Os Poppers não é tocar o que eles tocavam , eles recriam o espírito musical da época, diga-se. Está presente nas suas músicas todo aquele despontar do Rock n Roll e o seu amadurecimento musical, quando este género perdia os seus toques mais "naíves" e ganhava asas para algo maior e global. São músicas alegres e contagiantes, positivas e constantes, cheias de energia latente.





E simples, já que "back in the days", o segredo era a simplicidade, e digam o que disserem continua a ser. A música mais difícil de fazer é a boa música pop, com a estrutura de sempre. Algo que não se consegue descolar dos Poppers é a constante Beach Wave, nos toques suaves das guitarras, nos curtos jogos de vozes, alguns coros, a ocasional harmónica, os solos usados. Uma coisa que também sobressai é a óbvia confiança com que esta banda se atira a refrões orelhudos. É como se o seu gosto pela música fosse perfeitamente impresso na música que eles produzem. O fruto desse gosto está na facilidade com que a música entra nos nossos ouvidos.





Apesar de rock ter evoluído imenso, há quem ainda pegue na sua parte mais primitiva/inicial, na intenção primariamente desenhada. Os Poppers fazem-no muito bem, porque apesar de sabermos que este estilo já teve o seu tempo, ficamos satisfeitos ao ouvi-lo. Se disserem que eles estão a copiar bandas antigas, pois se o fazem é de forma muito original!


http://www.myspace.com/thepoppers




THE POPPERS 2010 | The  Poppers



Pop/Rock

O rock sofreu alterações várias na segunda metade do século XX. Desdobrou-se em mil e um géneros diferentes, que estão cada vez mais seguindo caminhos divergentes mas que ainda assim têm sempre um ténue pano de fundo em comum. O rock nasceu, enraizou-se nas décadas de 50, 60, ao tornar-se no género musical oficial da cultura do ocidente. Aí o rock ganhou força, e apareçeram as super bandas (inglesas) ainda hoje são tão recordadas.
O que fazem Os Poppers não é tocar o que eles tocavam , eles recriam o espírito musical da época, diga-se. Está presente nas suas músicas todo aquele despontar do Rock n Roll e o seu amadurecimento musical, quando este género perdia os seus toques mais "naíves" e ganhava asas para algo maior e global. São músicas alegres e contagiantes, positivas e constantes, cheias de energia latente.

E simples, já que "back in the days", o segredo era a simplicidade, e digam o que disserem continua a ser. A música mais difícil de fazer é a boa música pop, com a estrutura de sempre. Algo que não se consegue descolar dos Poppers é a constante Beach Wave, nos toques suaves das guitarras, nos curtos jogos de vozes, alguns coros, a ocasional harmónica, os solos usados. Uma coisa que também sobressai é a óbvia confiança com que esta banda se atira a refrões orelhudos. É como se o seu gosto pela música fosse perfeitamente impresso na música que eles produzem. O fruto desse gosto está na facilidade com que a música entra nos nossos ouvidos.

Apesar de rock ter evoluído imenso, há quem ainda pegue na sua parte mais primitiva/inicial, na intenção primariamente desenhada. Os Poppers fazem-no muito bem, porque apesar de sabermos que este estilo já teve o seu tempo, ficamos satisfeitos ao ouvi-lo. Se disserem que eles estão a copiar bandas antigas, pois se o fazem é de forma muito original!






 



 

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Dead Combo

Lusitânia Playboys | © 2008 Rita Carmo | Dead Combo




Acústico

Por vezes ouvir também é contemplar. É também imaginar outras épocas e outras pessoas de outros tempos e outros sítios, quando a música o impõe. Muitas vezes de forma melancólica, pois muitas vezes o passado é saudade, a infância é saudade, os sítios onde realmente estávamos bem ou achávamos que estávamos. "But not anymore".

Os Dead Combo são um grande activo da música nacional. A descrição mais estranha que me lembrei deles foi a junção entre fado, Jeff Buckley e o tango das zonas mais pobres de Buenos Aires. Em comum a melancolia, uma certa paixão latina, mas acima de tudo um toque muito suave da sua música. Conseguem ser muito portugueses, sente-se o fado como já disse, mas também pelo imaginário de rua que nos é proporcionado.

Também se nota a influência do jazz, na imprevisibilidade da música mas sempre muito segura de si. O duo instrumental funciona de uma forma intra-complementar, sendo que quando a guitarra canta em lamúrios, causados pelo reverb imenso e pelo toque limpo da mesma, o contrabaixo é o guia por entre a música. Não só é o ritmo à falta de percurssão, mas como também nos diz para onde vamos a seguir, faz manter a guitarra na linha da música, não a deixando fugir.

A nivel técnico, são ambos muito bons. O som que ambos extraem dos respectivos instrumentos é muito puro e transmite bastante emoção e sentimento, não sendo o normal tocar nas cordas. Para a música ser contemplativa, este seria e é o elemento mais importante e está conseguido da melhor forma possível. O sentimento aplicado em cada toque na guitarra e mesmo no compassante baixo é marcado e patente. Em certas músicas, contam com um adicional percurssionista / baterista, ganhando assim os Dead Combo uma nova dinâmica, apesar de continuarem a ser brilhantes sem esta parte rítmica.

http://www.myspace.com/deadcombo






Riding Pânico


Tagged Photos | Riding Pânico | Manuel Falcão Malzbender | RIDINGPÂNICO scratching our backs on a willow tree

Rock Alternativo





Sabemos que por vezes a música instrumental nos pode parecer órfã de uma voz a apoiá-la, e está só ao alcance dos bons evitar esse problema. Nem em todos os tipos de música é assim, como a clássica ou erudita, o jazz, ou, do outro lado do círculo, a música electrónica e/ou a música de dança em geral. Quando em sonoridades mais próximas do rock se tenta um instrumental, há que o fazer com cuidado, não vá a ausência da voz notar-se. Ou se é muito virtuoso e o(s) instrumento(s) acabam por também "cantar", ou se é talhado para coisa.

Talhados como os Riding Pânico. Ao ouvir-se pela primeira vez, e ao não saber que não existe a voz, vamos esperando por ela. Esperamos demais, damos por nós e a música acabou. E não há voz. Será que fez falta? Ouve-se outra vez para verificar. Não. Não faz. E não é por nos habituarmos à sua ausência. Em determinado contexto de qualidade instrumental, a voz não tem lugar. As guitarras dos Riding Pânico acabam por nos cantar aquilo que precisamos de ouvir. Na sua linguagem muito própria, as notas, os riffs, os acordes, sejam o que forem, transmitem a mensagem desejada.

É essa muitas vezes a intenção da música em geral. Temos que absorver as suas sequências musicais para tentarmos captar qualquer coisa, partindo do princípio que há algo para captar, e creio que os Riding o fazem. O que quer que haja para captar consegue estar muito associado á intenção artística com que nos primava o Grunge. Toda aquela violência sonora contra a sociedade geral, contra o mundo e as pessoas que o habitam, está aqui. Uma espécie de revolta constante e imparável, que não se sabe bem como começou e como explodiu mas que se sabe seguramente que não vai acabar tão cedo.

Não só a ausência de voz acaba por tornar esta sonoridade em algo muito melhor, mas também a óbvia qualidade dos arranjos. Não há uma demonstração de técnica incrível, arpejos impossíveis ou riffs superdotados, mas antes um super-aproveitamento de todos os efeitos que a moderna guitarra eléctrica nos pode oferecer. A simplicidade do tipo de arranjos é a ideal para se poder aproveitar e ouvir cada bocado da música sem muitas complicações, tornando tudo aquilo numa espécie de tributo à guitarra rock, concentrando-se na sua potência - ouvir a segunda metade de "Roses and Razors".

http://www.myspace.com/ridingpanico




Monomonkey


As Minhas Fotos | Capa por João Diogo | Monomonkey

Rock Alternativo

O rock urbano - um pouco depressivo, energético, cortante - já tomou muitas formas. Apesar dos vários géneros que o representam, há algo constante ao se classificar o rock urbano, o tom obviamente pesado desta corrente musical. Nem sempre é para todos os ouvidos - a música mais pesada ou se adora ou se odeia. Mas os Monomonkey são um pouco diferentes nesse aspecto. O rock é urbano sim, mas não o suficiente para se achar que há demasiado barulho, demasiada distorção, sendo portanto o grande objectivo o afastamento da veia mais pesada mas não se ser dissociado da mesma.

Assim até parece complicado. Mas enganem-se, se quiserem simplificar, chamemos-lhe de dark pop, numa de rotular. Não numa onda de Editors, mais para os lados dos Radiohead talvez. Mas a boa parte dos Mono está na pouco habitual simplicidade que se atribui ás guitarras numa banda rock. Para se ser original, as guitarras têm sempre de ter arranjos super originais e trabalhados tecnicamente de forma a impressionar à primeira vista.

Aqui, até parece que o papel da guitarra é trocado com o do baixo. O rock tem esse grande defeito muitas vezes, o de desvalorizar o baixo e fazê-lo um simples acompanhante da música, desnecessário e dispensável. Aqui as linhas de guitarra tomam esse papel, contribuindo assim para uma música muito mais marcada, todos os instrumentos a trabalhar em sintonia com o ritmo da bateria.

A música no seu geral nunca se desprende de um certo melancolismo, daí a associação ao mundo urbano, ao seu lado menos positivo. As letras também ajudam, falando de perturbações, tristezas e mágoas. É interessante ver como o grunge acabou e supostamente desapareceu, mas como tantas bandas e correntes musicais pegaram nele e adaptaram à sua maneira, seja pela parte musical, pela intenção lírica, pela atitude perante a música em geral. Aqui encontramos mais um bom exemplo.

http://www.myspace.com/monomonkeyband




Orangotang

As Minhas Fotos | Orangotang



Indie Rock

E como sabe bem ouvir bom rock em português. Cada vez mais complicado este tipo de bandas singrarem dados os facilitismos à música de fraca qualidade do mercado musical português. Mas ainda assim temos estes bons exemplos. Os Orangotang vêm do norte do país e trazem-nos este Indie Rocl tão bem tocado e cantado. Principalmente o cantado, porque como já disse, é a cantar em português que se vêem os bons escritores de música, pois em inglês qualquer um o pode fazer, parece que soa sempre minimamente bem.

A sua sonoridade prima pela frescura que dá ao indie, pegando nos seus elementos principais e não inventando muito. O que é bom, por vezes vemos as bandas indie a entrarem por caminhos estranhos, tendo em conta o percurso que fazem até essa eventual viragem. Com  isto quero dizer que este tipo de bandas, dada a popularidade que por vezes as atinge, decidem fazer um desvio na sua rota musical, como que para se cingirem apenas aos mais fanáticos apoiantes. A intenção não é essa, a escolha musical diferente é da conta dos próprios, mas a verdade é que se perde sempre um pouco da intenção inicial. Não tem mal nenhum ser uma banda popular, desde que seja pelos bons motivos, pela boa música que fazem, pela sua originalidade.

A nível musical é de aplaudir o super aproveitamento das linhas de baixo, simples e cruas, mas sempre muito presentes e controladoras do fio condutor da música. O rock por vezes têm o defeito de ignorar as potencialidades do baixo e das suas características, mas aqui isso não acontece, e está a vista o resultado, uma música muito marcada nas alturas certas, com o baixo sempre a mostrar como é que tal coisa se faz. As guitarras tomam um papel típico do indie, riffs orelhudos, solos simples e marcantes, um papel um pouco mais fácil mas nem por isso menos relevante.

Continuando o que disse ao início, a voz. A voz! O português tão bem cantado pelo vocalista desta banda, palavras simples, descomplicadas e acessíveis, linguagem que todos percebem, e é por isso que soa mal? Não. Talvez seja essa a chave. São bandas destas que nos fazem orgulhar da nossa língua, soa tão natural que acaba por fazer parte da música sem hesitações e sem solavancos.

http://www.myspace.com/orangotang




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