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sábado, 23 de novembro de 2013

MINTA & THE BROOK TROUT - "OUT OF WASHINGTON STATE" (2013), POR FRANCISCA CORTESÃO

Os Minta & The Brook Trout celebraram em setembro passado o aniversário do lançamento de Olympia em 2012, disponibilizando ao público o EP Out Of Washington State. Este foi o seu quinto trabalho de um reportório que também conta com Carnide (álbum ao vivo, 2011), Minta & The Brook Trout (2009) e You (EP, 2008).

Francisca Cortesão, que com Mariana Ricardo emprestou as vozes, guitarra e ukulele a 7 faixas interpretadas e gravadas num estúdio improvisado, explica como decorreu todo o processo de um EP que se assume, sobretudo, como um projeto de recriação musical e intimista.



"Todas as canções do Out Of Washington State foram escolhidas para um concerto em casa dos nossos amigos Pedro e Inês Magalhães, no verão do ano passado (assim como a gravação, poucos dias depois, ao vivo), e que acabou por dar origem ao EP.

Enquanto eu e a Mariana Ricardo procurávamos versões para tocar, apercebemo-nos que, inconscientemente, estávamos sempre a ir parar à zona do Pacific Northwest, especificamente ao estado do Washington. Tanto eu como ela gostamos de muitas bandas e artistas que são dessa zona, ou que a determinada altura viveram e gravaram por lá. Decidimos transformar isso num critério, e todas as versões que fizemos neste concerto que se transformou em EP têm alguma ligação ao estado de Washington.


1. You Swan, Go On (Mount Eerie)
Esta faz parte de um dos meus discos favoritos, o Lost Wisdom. Experimentámos tocá-la e saiu bem à primeira. O Phil Elverum, ou Mount Eerie, vive numa terrinha chamada Anacortes onde tivemos a sorte de passar na nossa digressão com They’re Heading West, em 2011. Desde que lá estive a música dele ficou ligada àquelas paisagens, na minha cabeça. É uma das músicas em que eu e a Mariana estamos com os papéis habituais trocados: ela na guitarra acústica, eu no ukulele.

2. Clever Knot (D+)
Uma descoberta inteiramente da Mariana Ricardo. A única versão que se consegue ouvir desta música é uma atuação ao vivo numa espécie festival caseiro. Dá a impressão que a banda já teria acabado por essa altura e se juntaram para tocar naquele dia, para um público muito reduzido. Tirámos a letra de ouvido, porque não aparece transcrita em lado nenhum.
Pouco depois da gravação começámos a tocá-la com a banda toda nos concertos de Minta & The Brook Trout (meses depois incluímos também a anterior).

3. From The Ground (Minta & The Brook Trout)
Versão minimal de uma das canções do nosso Olympia que já existia há mais tempo. Pareceu-nos que fazia sentido incluí-la no alinhamento deste concerto por ser um bocado da mesma onda das versões que escolhemos.

4. Force Field (Beck)
É do One Foot In The Grave, que não sendo certamente o álbum mais famoso do Beck é um dos de que gosto mais. Tal como os discos de que foram tiradas as duas canções seguintes, este faz parte do catálogo da mítica K Records, de Olympia.

5. Person Person (Mirah)
A Mirah é das minhas singer-songwriters predilectas. Esta canção é do disco de estreia dela (pela K), chamado You Think It's Like This But Really It's Like This, e caiu-me no goto logo da primeira vez que a ouvi. Além do mais, é muito divertida de cantar.

6. I Like Giants (Kimya Dawson)
Cantada pela Mariana Ricardo, que toca também a guitarra. Tivemos a sorte de ouvir a Kimya Dawson num concerto incrível em Lisboa em 2009, o ano em que Minta deu origem a Minta & The Brook Trout. Ela tem um fôlego inacreditável, tem letras muito compridas e com pouco espaço para respirar, e uma maneira muito própria de tocar guitarra.
Nessa noite tocou também o Karl Blau (que, para além de um trabalho a solo muito fixe também foi dos D+ e toca com muitos outros músicos, como a Laura Veirs), que deu um espectáculo memorável, sem microfone nem amplificador ligado à guitarra, aproveitando a acústica do Teatro da Luz. Pôs o público todo a fazer vozes. Foi por causa desse concerto que decidimos ir lá gravar o nosso primeiro disco ao vivo, com convidados, a que chamámos Carnide. Não há nenhuma música do Karl Blau neste EP, mas entretanto já fizemos uma versão de uma que se chama Into The Nada.

7. And a One (Mariana Ricardo)
Versão minimal de uma música da Mariana, que costumamos tocar com They’re Heading West. O critério foi o mesmo que nos levou a tocar o nosso From The Gound, o ambiente é próximo do das versões que escolhemos."








quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Minta & The Brook Trout - "Olympia"


Minta and the Brook : "Falcon" : João Nicolau from Minta on Vimeo.

Depois do primeiro álbum, Minta & The Brook Trout aparecem com "Olympia". São 10 canções que nos são mostradas através de um tom muito pessoal, quer pelas letras, quer pela forma como estão cantadas e tocadas. Parece que cada música é um segredo que nos é dito, e os instrumentos estão à altura para acompanhar tal secretismo. Ao mesmo tempo, sentimo-nos bem perto dessas histórias e dessas coisas cantadas no disco. 

É essa proximidade de quem ouve, a grande característica do disco. Se formos pelas texturas musicais, o ukelele e o banjo facilitam esta tarefa, por puxarem por um lado folk mais óbvio e directo, com forte raiz americana. Aliás, o folk está sempre presente, quer através destes dois, da harmonização vocal típica do country, nos ocasionais slides.. "Family" e "From The Ground" mostram-nos isto mesmo, sem deixar de contar com a preciosa ajuda da guitarra, que vai sempre pautando o caminho. 


"Falcon" foi o tema escolhido para single, e, apesar de, estilisticamente, não representar a globalidade do disco, é uma canção que fica na cabeça pelo ar gingão do seu ritmo e pela forma como a voz nos leva através dele. A guitarra não toma um papel principal (excepto no solo) e a preocupação é mesmo a sonoridade geral, sem que nenhum elemento se destaque mais que a voz. É uma preocupação constante ao longo de Olympia, a de que a voz seja sempre o foco principal, apesar de nunca sentirmos que está demais. 


Em "Blood and Bones", temos Minta num diálogo interessante com um seu homónimo e onde está um interessante duo feito por banjo e sintetizador, dois elementos tão distantes um do outro mas que, no seu conjunto, elevam esta faixa a uma das mais interessantes do disco, também pela forma rítmica e pautada como as palavras são entoadas. A última música, "At Your Will", é um forte final para o álbum, onde o folk rock junta todos os elementos das canções anteriores, e onde se sente a força de Olympia. 

Francisca Cortesão (Minta) e a sua banda criaram um mundo próprio, um conjunto personalizado de temas que é forte, mas suave, dotados de uma personalidade que se sente, mas da qual gostamos. Todas as músicas têm de ser ouvidas como parte de um todo, e só assim se percebe o conceito por trás do disco.

Duarte Azevedo




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