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segunda-feira, 24 de junho de 2013

RIDING PÂNICO - "HOMEM ELEFANTE" (2013, Raging Planet)



O post-rock dos Riding Pânico está de regresso. Cinco anos depois de "Lady Cobra" chega-nos "Homem Elefante". Os riffs são agora bem mais amedrontadores, surgindo aqui e acolá algumas passagens mais melódicas, menos vincadas que no registo precedente. Seria talvez um pouco preconceituoso associar os títulos destes dois trabalhos ao tipo de música que eles incluem. No entanto, sente-se bem mais aqui o elefante do que a cobra.

Dito isto, e não querendo ser demasiado redutor, é óbvio que a intenção da banda também foi a de fazer sobressair o seu lado mais "macho", e logo à primeira música. Tudo o que foi contido em "Lady Cobra" acabou mesmo por explodir em "Zulu", num ritmo repetitivo que enche de sobressalto qualquer auditor. Nem a promessa de tonalidades mais exóticas apazigua: mal se sentem.





Chega-nos depois "Dance Hall" num estilo bem mais pausado e que tem tons próximos do grandioso Boarding Time dos Sizarr com a perícia, a maturidade e as guitarras violentas a mais. "Código Morte" tem o psicadelismo e o jogo incessante entre o lento e o rápido que nos perturba e "Monge Mau" surpreende-nos pela sua disciplina, a sua calma - aí, com a mesma inquietação que ao ouvir os Deftones na infância, subi erradamente o som dos altifalantes (e o pico de intensidade de volume bem a acabar deixou isso bem vincado).
"Blueberry Surprise" e "Nunca Digas Banzai" não são muito parecidas mas ambas não entusiasmam e entorpecem. Já o último golpe do registo, "Parece Que Perdeste Alguém", toca no coração dos mais resistentes graças à sua lenta mas mortífera ascensão e a toda a emoção que conseguiram inculcar em cada riff, pedindo uma declaração de amor do ouvinte.






É óbvio que se sente também alguma intertextualidade com os outros projetos que a banda foi tendo ao longo do tempo, mas suficientemente diluídos no conceito Riding Pânico que parece que nunca se esqueceu dos degraus subidos juntos. 

Desconstruindo um pouco aquilo que foi dito ali no primeiro parágrafo, confesso que fiquei um pouco em pânico e completamente desnorteado quando me lembrei da primeira música de "Lady Cobra" : "E Se A Bela For O Monstro". Afinal, este disco é ele próprio um monstro cuja beleza não vive desligada daquele a que sucede.

Mickaël C. de Oliveira





segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ainda tens que ouvir #3: Riding Pânico - Lady Cobra

Que seria de esperar de uma banda cujos membros fazem parte de grandes nomes como If Lucy Fell, Men Eater e Paus? Algo tão bom como Riding Pânico. Estes lisboetas mostram que a música nacional tem qualidade e personalidade, escrevendo post-rock como gente grande.

A sua discografia é ainda muito pequena, tendo apenas um EP homónimo de 2007 e um álbum, Lady Cobra, do ano seguinte, cuja crítica se segue nas próximas linhas.




Para começar, uma questão: E se a bela for o monstro? São quase 7 minutos de reflexão, onde guitarras carregadas de echo e reverb mostram que é tudo uma questão de perspectiva. Ao final da primeira música, é inegável a semelhança da sonoridade com os The All Star Project – no entanto, não carecem de originalidade e identidade própria.


One Winged Cessna tem um registo mais lento e introspectivo, com percussão simples e efeito trémulo nas guitarras, abrindo caminho para Naja, uma peça de piano num quadro pós-guerra com distorção e efeitos a anunciarem violência nas faixas seguintes – mentira: Roses and Razors mostra-se melancólica e algo nostálgica, ganhando progressivamente ritmo e uma sonoridade mais próxima do metal. Volvo (cujo nome dificilmente estará relacionado com o automóvel ou a urgência médica) continua pesado e negro, lembrando os If These Trees Could Talk.

Para que não haja pesadelos à noite, Lady Cobra termina com mais uma peça de piano, Áspide, triste mas prometendo alguma paz depois de faixas intensas, suadas e sofridas.


É um álbum coeso e afirma a qualidade da banda, com percussão polirrítmica que progride de passos lentos para sequências furiosas, acompanhado de várias linhas de guitarra que dispensam qualquer tipo de vozes para cativar os fãs da cena rock nacional.


Luís Carreto




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