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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

DE E POR: THE RAMBLERS - "Wet Floor" (2015, Music In My Soul)

"Wet Floor": assim é o título do disco de estreia dos The Ramblers, Mafalda, Ricardo e Luís, composto de 13 faixas no total (a última é uma faixa-bónus devido à recuperação de "Blues Nest"). Embora numa nova editora, a banda não se afasta muito das suas origens e continua, por um lado, à procura de assentar de vez um refrescar do blues-rock da actualidade à medida que ascendem a novos palcos, e por outro a não renegar a tendência tradicional do género de evoluir e mesclar-se com outros ritmos e sonoridades até chega a um híbrido da world music entre o rock n' roll - aqui já os Rolling Stones de "Midnight Rambler" já não chegam com a mesma intencionalidade e intensidade.
As influências e as lembranças continuam a ser muitas e a capacidade de trabalho da banda, em estúdio e ao vivo, não deixou de ser impressionante e de garantir uma sobriedade ao nível da opinião generalizada que arrancam.
O que mudou nesta (r)evolução no passado que é presente? Foi o que pedimos que os The Ramblers nos contassem numa pequena passagem por cada uma das canções deste registo.



























Pow How

Um 'pow-wow' é uma reunião dos povos nativos da América do Norte. Nós somos um bocado índios também (pelo menos quando nos juntamos) e por isso tínhamos de ter o nosso próprio termo. Este 'single' e o 'videoclip' são um Pow-How do início ao fim!





Witch’s Creed

O Richards pegou numa música pirata e fez um 'riff' de rock. A Rosie fez uma letra sobre uma batalha apocalíptica de queima às bruxas. 'It’s awesome like that'.


Carry Me Back

Estava um frio de rachar na auto-caravana onde dormimos durante uma semana quando gravámos o nosso primeiro EP em 2012. Como tal, o Richards e o Lou entretinham-se a tocar guitarra e harmónica para ir aquecendo durante a noite, até lhes dar o sono. A 'Carry Me Back' nasceu aí, com guitarras acústicas e harmónica. Mais tarde, a Rosie acrescentou a letra durante a digressão de promoção do CD numa noite em que dormimos na casa de Pombal do Richards, depois de tocar em Coimbra. Aos poucos fomos apresentando a música ao vivo e ela foi crescendo dessa maneira, cada vez mais poderosa, até ao que podemos ouvir neste disco.


Little Girl Trouble

Esta música é querida. A sério, é mesmo mesmo querida. E nós assumimos isso, sem vergonha. Às vezes também faz parte. Explorámos uma sonoridade e ambiências um pouco diferentes da nossa área de conforto e o resultado foi surpreendente para nós!


Dead Men Tell No Tales

Oh. Dirty, dirty blues, man…


Wet Floor

Típico processo de composição da banda. O Richards e o Lou juntaram-se em casa, juntaram o 'riff' de cada um num só, fizeram uma pequena estrutura e depois o embrião da música andou pendurado nos ensaios durante um mês ou dois sem que lhe pegássemos a sério. Quando nos juntámos para finalmente preparar o álbum, percebemos que tínhamos esta pérola por usar. Como o nome do disco já estava decidido mas não tínhamos música de 'apoio' a Rosie escreveu uma letra que fala da nossa jornada até este disco. Ah, e temos coros em falsete.


Come Together

Nope, não é uma 'cover' dos Beatles. No distante ano de 2011 (ou 2009, não fazemos ideia) o Lou mostrou à Rosie a linha de baixo que ficou até hoje. À mesa de jantar da cozinha da avó dela (tão rock ‘n’ roll) estruturámos a música com a letra. Por alguma razão que desconhecemos tivemos de esperar até 2014 para a gravar. A onda da linha de baixo era bué de 'reggae', mas com os coros e arranjos de guitarra acabou por ficar muito 'soul', muito boa onda!


Blues Nest

O álbum devia ter só 12 faixas, foi isso que a editora pediu. Mas depois decidimos que era mesmo mesmo importante gravar a primeira música que compusemos, em 2007. É um 'blues' que fez uma paragem sabática das nossas 'setlists' ao vivo mas que voltou recentemente, também por nostalgia, e como tal achámos que fazia todo o sentido ter a nossa primeira composição no nosso primeiro 'long-play'.


The Rambler

'Blues-rock' com cheirinho a 'country'. De certa forma é a nossa homenagem ao legado do Johnny Cash.


Old Dimes

'Riff' da Rosie, que nos cantou tal e qual como queria o arranjo da nova letra. O Richards deu-lhe o toque Muddy Waters, o Lou deu-lhe o toque de 'soul' 'et voilà'!


Rockin’ And A-Rollin’

Na edição 100 do Offbeatz convidaram-nos, junto com outras bandas, para interpretar uma 'cover' de uma música à nossa escolha no Musicbox. Na altura celebravam-se os 50 anos da morte do Elmore James por isso achámos interessante tocar uma 'cover' da 'Shake Your Money Maker', que é um 'blues' bastante arcaico mas tão rápido e 'groovy' que sempre o curtimos imenso. Fizemos um arranjo diferente (com um toque Stevie Ray Vaughan) e tivemos reacções brutais nessa noite. O arranjo era tão diferente do original que nos concertos seguintes decidimos pegar numa letra pendurada do Richards que a Rosie completou e mantivemos viva a música. Mas deixámos o mote no final da música: 'Shake Yo’ Money Maka'!


Prayer

Numa noite de pow-how (ver descrição da primeira música) acabámos a cantar e tocar a 'Povo que Lavas no Rio' da Amália Rodrigues, com as guitarras acústicas. Mas o avanço da noite era tanto que fizemos uma versão 'blues'. Quando mais tarde tentámos reproduzir o que tínhamos feito baralhámos completamente a progressão dos acordes, mas no meio dessa confusão o Richards compôs um 'riff' lindíssimo de guitarra 'slide'. A nova letra e interpretação da Rosie deram uma vida nova à música e no final decidimos acompanhar todos a guitarra numa espécie de cantar boémio/alentejano (na melhor das nossas possibilidades!). 


Lucky Sour Cream

Esta música é qualquer coisa. Pelo 'riff' de guitarra, pela interpretação e coros da Rosie e pela letra. A letra foi construída pela Rosie através da junção de recortes de várias palavras que escrevemos em pequenos papéis num bar. O 'riff' de guitarra do Richards vem-lhe da fase Ravi Shankar e a bateria e o baixo dão-lhe uma vida poderosa. Daquelas músicas que nos custa a acreditar que fomos mesmo nós que fizemos. Mas fomos: se quiserem ter a certeza podem comprar o disco porque está lá nos créditos!




sábado, 6 de abril de 2013

THE RAMBLERS - "Yer Vinyl" (2012, Moby Dick Records)






Os The Ramblers são uma banda de Lisboa que respira blues há mais anos do que toca. Não é novidade para quem os acompanha desde 2007. Novidade, sim, é a sonoridade funk e soul refrescante com que nos presenteia Yer Vinyl. 

Sabia-se à partida que a lição estava bem estudada. Blues-rock é o que tocam, o que ouvem, o que admiram, e isso sente-se nos seus concertos e nos seus trabalhos anteriores. A questão era o que fariam com isso, pois era muito fácil cair na banalidade, numa área tão explorada como os blues e o rock'n'roll no seu sentido mais clássico. Era um teste difícil, sobretudo porque são uma banda pela qual os palcos chamam, e que facilmente expressa toda a sua energia ao vivo. Conseguiriam então passar essa energia para o Vynil? Tornar-se-iam demasiado monótonos? Teriam capacidade e experiência para conseguir a difícil tarefa de domar esses estranhos blues (que têm a particularidade de, quando domados, conseguir transformar pura simplicidade em encanto musical)?

A resposta é sim, conseguiram, e conseguiram, creio, por não terem caído no erro mais óbvio de fazer um disco apoiado apenas nos alicerces construídos pelos reis, desde Muddy Waters, B.B. King e John Lee Hooker até a Rolling Stones e Led Zeppelin, mas também não fugindo deles de forma excessiva, o que a meu ver, soaria pouco natural (e teria sido um desperdício).
De facto sente-se sempre no ar uma mistura de Motown com uma Janis Joplin alegre (se é que tal é possível) e um fundo de rock'n'roll que não deixa nunca perder o ritmo, que nos é logo apresentado na primeira música, "Rainy Day Queen", na minha opinião a melhor do álbum e que nos responde rapidamente a todas as questões que coloquei anteriormente.




Lemonate e Bad Luck Soul não ficam atrás: duas faixas pequenas e agressivas, simples e directas, com pormenores deliciosos pelo meio. Where's Home, a segunda música, surge como uma outsider, uma balada country que a meu ver não condiz com o resto do registo do EP, e que não faria mal se dele fosse retirada. O mesmo acaba com She's Always Naked, que volta às origens e nos manda embora com um blues-rock puro e duro, uma faixa mais clássica com uma linha rítmica que aguenta uma guitarra solo e uma voz sempre à beira de se descontrolarem.

A sonoridade funk, a despreocupação aparente (esse charme que só a experiência e o conhecimento de si próprios permite), o soul e o groove tirados dos livros (não faz mal tirar algumas coisas dos livros), uma voz rasgada e uma banda irrepreensível que não nos deixa indiferentes são o reflexo de uma banda adulta, que adora o que faz e fá-lo bem.

Este é um registo que dá prazer ouvir, goste-se ou não de blues, pois estes meninos fizeram-no muito mais do que isso: deixaram uma pegada sua num terreno onde não o é fácil fazer.


Hugo Hugon




quinta-feira, 4 de outubro de 2012

The Ramblers, Ritz Clube, 5/9/2012 - Reportagem


Dia 5 de Setembro os The Ramblers passaram pelo Ritz Clube numa das primeiras datas de apresentação do novo EP "Yer Vinyl", com duas partes e um intervalo de 15 minutos entre si.







Na primeira parte, a banda aproveitou para agarrar todo o público que estava presente com algumas das suas canções mais conhecidas como "Lemonate", single de apresentação do mais recente EP, e "Rainy Day Queen"; com "Midnight Rambler" ouviu-se uma passagem bem encaixada para uma versão de "Whole Lotta Love", dos Led Zeppelin. As coordenadas são certas e determinadas: a procura das referências de 60 e de 70, não só parecendo, mas sobretudo mostrando ser quando é constante o alternar entre blues, funk, rockabilly e rock n' roll americano. A presença de Rosie como vocalista tem o carisma q.b. necessário para toda esta mistura e o resto do quarteto acompanha-a e vai buscar os seus próprios momentos de destaque, à procura das actuações características dessa década e que lhes valem elogios fáceis.


A segunda parte não foi muito diferente: "She's Always Naked" e "Love In Vain" vão à inocência e graça aparentes e crescem como boogie woogies desprotegidos e cativantes e vamos descobrindo a espaços a parte mais country da banda que termina regressando ao EP e desejosa de voltar a palco para mais uma canção para além das cerca de 20 que se ouviram.






Dos The Ramblers esperam-se tempos bem passados como este. Aventuras? Só no palco.



Os The Ramblers vão estar no dia 5 de Outubro no Arraial do Técnico, no Instituto Superior Técnico em Lisboa.





André Gomes de Abreu
Fotografias por  Ana Pereira
(galeria completa em
facebook.com/bandcom)




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