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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Plane Ticket - Currents (2013, Cakes and Tapes)

Título: Currents
Edição: 22 de Agosto de 2013, Cakes and Tapes
Classificação final: 9.0/10

Under The Quiet Sky EP, registo de estreia dos Plane Ticket e o meu EP favorito do ano passado, assim o prometia: o quarteto de Torres Vedras é especial, tem identidade própria sem que para isso o seu ADN não esteja maculado de boas influências. A estreia nos longa-durações acontece hoje com o lançamento de Currents numa nova parceria com a Cakes and Tapes.

Para abordar o som que os Plane Ticket nos condimentam é necessário falar de Interpol, de post-punk revival, de new wave e de indie rock genérico. E quando falamos de Interpol importa dizer que falamos deles nos seus melhores tempos, tempos de Antics mas, sobretudo, de Turn On The Bright Lights. São estas duas obras as grandes influências para Currents, tal como tinham sido outrora para Under The Quiet Sky; há linhas de baixo estupendas, bem ao estilo do que o movimento impulsionado pelos Joy Division pede, há guitarras bem aguçadas que, embora nunca tenham um riff capaz de nos deixar boquiaberto, estão sempre no sítio certo – é a tal história de Johnny Marr e dos The Smiths, um homem que nunca precisou de demonstrar ter uma barba rija para ser um guitarrista tremendo -, há até sintetizadores bastante leves e há vozes que se assemelham àquela que Paul Banks patenteou no legado da post-punk revival. Mas nem só disso vive Currents: há vestígios, mesmo que a espaços bastantes curtos, de um indie rock leve ainda quase na sua fase embrionária digno de uns The Dandy Warhols ou até de uns Pavement.

Além da boa mistura de influências, a estreia do quarteto é marcada por ser bem escrita; sempre com as temáticas do passado, do que ficou e do que está para vir, duma mente sã, de uma esperança em ver as coisas a tornarem-se melhor à deriva. Existe muita repetição nos versos, mas o post-punk é mesmo assim: um ciclo interminável de repetição, quer sonora quer ideológica. «Do you want to hear the same words? / Cover your records, cover your records, cover your records».


Em suma, Currents cumpre aquilo que Under The Quiet Sky prometia e expõe os Plane Ticket como um nome maior da montra alternativa nacional; a sua música é simples, sem merdas, de fácil digestão e facilmente nos faz ganhar consciência que aqui está uma banda que se exsurge ouvir e acompanhar futuramente (Stanligard e Into The Ground que o digam). Se Under The Quiet Sky foi um dos melhores EP’s de 2012, Currents tem tudo para ser um dos grandes álbuns nacionais deste ano. Bigmouth strikes again.

Emanuel Graça




domingo, 22 de abril de 2012

Plane Ticket - Under The Quiet Sky


créditos da imagem: www.facebook.com/planeticket

Os Plane Ticket são um quarteto torreense já familiar do BandCom. Lançam pela Cakes and Tapes no dia 23 deste mês o seu EP de estreia “Under The Quiet Sky”, depois de várias demos que despertaram interesse e curiosidade, bem como a conjugação com alguns excertos de algumas metragens. O próprio videoclip do tema-título, escolhido como primeiro avanço, não engana.




Dessas mesmas demos, mantém-se o indie-rock e o post-punk/new wave atmosférico e de quarto escuro com janela entreaberta a lembrar muito bem bandas como os Joy Division, os Sonic Youth e, mais recentemente, os The Twilight Sad ou iLiKeTrAiNs. Guitarras bem afiadas soando tão leves como se fossem harpas e linhas de baixo que escorrem como moedas a entrar numa jukebox hipnotizante onde a divagação são três 7’s e um jackpot.

Um dos pontos discutivelmente positivos para alguns ouvintes é o facto de o EP não destoar muito desta tónica, podendo afastar quem espera encontrar outras histórias que não histórias dignas de subúrbios do rei “smog”. Por outro lado – o que mais parece saltar à vista – a efectividade com que a mensagem passa, a rapidez com que os temas se ouvem e a coesão de tudo isto conta em muito para o valor deste EP.

créditos da imagem: www.facebook.com/planeticket


 
Em “Under The Quiet Sky”, compramos um bilhete para esta viagem supersónica de avião e recebemos outro de graça: empenhá-lo-emos quando chegar o disco de estreia.







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