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terça-feira, 6 de agosto de 2013

10 ANOS COM OS LINDA MARTINI: "LINDA MARTINI", "MARSUPIAL", "INTERVALO"

André Henriques, Cláudia Guerreiro, Hélio Morais e Pedro Geraldes. São estes os nomes que compõem o quarteto que se dá pelo nome de Linda Martini. E é este o nome da banda que tem vindo a construir uma discografia repleta de momentos briosos, tendo por isso conseguido chegar cada vez mais a uma maior quantidade de pessoas. A passagem da cena underground para a cena mainstream foi fácil e tornou-se mais visível com a edição de Casa Ocupada, em 2010. A partir daí, toda a gente passou a conhecer quem realmente eram os Linda Martini. Pessoas começaram a perder-se em paixões frenéticas pela banda, a inundar as suas páginas pessoais com passagens de músicas dos Linda Martini. Muitas delas dizem ser “a melhor banda portuguesa da actualidade” ou, em jeito de hipérbole, convenhamos, dizem ser “a melhor banda portuguesa de sempre!”. Nunca poderemos dizer com certeza se o são ou não, mas urge ter consciência que se tratam de uma das bandas nacionais com uma das obras discográficas mais invejáveis. Turbo Lento, o terceiro longa-duração dos lisboetas, está aí à porta. O disco vai ter edição da Universal, que uma semana depois de a 1 de Julho ter saído o videoclip do primeiro single "Ratos", reeditou digitalmente toda a discografia da banda. Por isso, antes que conheçamos o novo rumo tomado pelos Linda Martini, vale sempre a pena um olhar atento pelo que estes fizeram até agora. Certo, então comecemos por analisar à lupa, e em conjunto, os três EP’s da banda: Linda Martini, de 2005, Marsupial, de 2008, e Intervalo, de 2009.

Título: Linda Martini
Edição: 2005, Ed. Autor 
Classificação final: 10/10




Os Linda Martini iniciaram o seu percurso em 2005, com a edição do seu primeiro EP, numa altura em que a banda era constituída por cinco elementos. De título homónimo, o registo que inaugurou o legado dos lisboetas é constituído por quatro faixas com a duração total de pouco mais de vinte e cinco minutos. Foi lá que nasceu aquela música que nos causa sempre um arrepio a cada audição que lhe concedemos. «Eu quero estar lá / quando tu tiveres de olhar para trás», o resto vocês sabem. E se não o sabem, deviam sabê-lo. Mas é claro que falamos de Amor Combate, uma canção de todo o tamanho que relata dor e prazer, céu e inferno, amor e ódio. E é verdade que todo o EP de estreia dos Linda Martini se baseia nisso mesmo; na contrariedade das coisas, na entropia cerebral, na bipolaridade e esquizofrenia. Para quem diz que a sonoridade do quarteto se prende ao post-rock, não há melhor exemplo para nos apercebermos disso que não este EP. Ouça-se Este Mar ou Efémera, dois autênticos turbilhões de emoções diversas. E se se quiser algo mais arrojado ou com letras tão simplesmente hipnotizantes (sim, porque todos nós sabemos os refrões das suas músicas – e isso é, na verdade, algo que torna a vida sónica dos Linda Martini tão viva e abrangente), que se ouça as outras duas faixas do registo: a já referida Amor Combate e Lição de Vôo Nº1. E está sempre tudo como devia estar: uma bateria siderante, guitarras embalsamadas em efeitos concitantes e um baixo sempre ao encontro disto tudo. Com o EP Linda Martini  inovou-se, não existia nada na altura, em solos lusos, sequer parecido. E quanto mais se o explorava, mais dourada se fazia a paisagem. Ainda hoje é assim, e este EP é um dos grandes monumentos dentro da monumental obra dos Linda Martini.


Título: Marsupial
Edição: 2008, Rastilho Records
Classificação final: 8.2/10


Até nascer o segundo EP dos lisboetas passaram-se três anos, mas acima de tudo passou-se pelo lançamento do primeiro longa-duração do quarteto, intitulado Olhos de Mongol, álbum editado algures em 2006. Não espanta, por isso, que Marsupial, editado em 2008, seja em parte baseado nos caminhos sonoros explorados no LP inaugural da discografia da banda. Composto por seis faixas, que se mostram bem mais curtas do que aquelas que o EP Linda Martini nos mostrava, há mais do mesmo: mais devaneios pelo post-rock, mas desta vez aromatizada com travos de math-rock, sempre delineados por poesia admirável. «Dispo-me de gente para ninguém entrar / não amo quem quero / mas sim quem eu quero amar», é esta a mote dada em As Putas Dançam Slows, o ponto maior deste EP. É aí que ganhamos consciência da habilidade que os Linda Martini têm para construir canções na sua verdadeira acepção, dando vida à sua sonoridade e eternidade às palavras que às vezes vão cuspindo. É certo que às vezes nem os entendemos. Pá, que caralho de letra é a Corda de Elefante Sem Corda? Mas nem nos importamos com o facto de, por vezes, estes darem certos passos em vão: em Marsupial continuava tudo certo.



Título: Intervalo
Edição: 2009, Ed. Autor
Classificação final: 9.3/10


Passado um ano da edição de Marsupial, os Linda Martini trabalhavam a um ritmo acelerado e acabaram por nesse mesmo ano fazer sair o seu último EP até então. Intervalo reúne cinco faixas tocadas ao vivo para um pequeno número de pessoas, trazendo-nos músicas de registos anteriores, à excepção de Adeus Tristeza, que é um clássico eterno da cantiga nacional de Fernando Tordo. E a verdade que esta não foi a primeira vez que os Linda Martini se aventuraram num marco histórico da canção portuguesa, já que o tinham feito anteriormente com FMI, de José Mário Branco. Mais do que pegar nestas músicas, é tentá-las arrojar de uma maneira minimamente conservadora para que não se estropiem tais canções: e nisso os Linda Martini demonstram ter uma maturidade do tamanho do planeta Terra. Adeus Tristeza é uma adaptação fenomenal, e aquele jogo soberbo de guitarras é a prova disso mesmo. E o resto… o resto é mais do mesmo, sem que para isso lhe demos um sentido pejorativo; no caso dos LM é bom que haja do mesmo. É bom ver que músicas ao vivo de refrão simples, supostamente compostas a pensar no púbico, funcionam eximiamente. E para nos apercebermos disso basta assistir a um concerto do quarteto. E se ainda não o fizeram, de que raio estão à espera? É fácil sair de lá com uma lágrima no canto do olho e de coração acelerado. E no fim, garantidamente, gritaremos «Não há mais nada para fazer ou conversar, chegou a hora de acabar». Que se acabe tudo, então.



Emanuel Graça




segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Ainda tens que ouvir #3: Riding Pânico - Lady Cobra

Que seria de esperar de uma banda cujos membros fazem parte de grandes nomes como If Lucy Fell, Men Eater e Paus? Algo tão bom como Riding Pânico. Estes lisboetas mostram que a música nacional tem qualidade e personalidade, escrevendo post-rock como gente grande.

A sua discografia é ainda muito pequena, tendo apenas um EP homónimo de 2007 e um álbum, Lady Cobra, do ano seguinte, cuja crítica se segue nas próximas linhas.




Para começar, uma questão: E se a bela for o monstro? São quase 7 minutos de reflexão, onde guitarras carregadas de echo e reverb mostram que é tudo uma questão de perspectiva. Ao final da primeira música, é inegável a semelhança da sonoridade com os The All Star Project – no entanto, não carecem de originalidade e identidade própria.


One Winged Cessna tem um registo mais lento e introspectivo, com percussão simples e efeito trémulo nas guitarras, abrindo caminho para Naja, uma peça de piano num quadro pós-guerra com distorção e efeitos a anunciarem violência nas faixas seguintes – mentira: Roses and Razors mostra-se melancólica e algo nostálgica, ganhando progressivamente ritmo e uma sonoridade mais próxima do metal. Volvo (cujo nome dificilmente estará relacionado com o automóvel ou a urgência médica) continua pesado e negro, lembrando os If These Trees Could Talk.

Para que não haja pesadelos à noite, Lady Cobra termina com mais uma peça de piano, Áspide, triste mas prometendo alguma paz depois de faixas intensas, suadas e sofridas.


É um álbum coeso e afirma a qualidade da banda, com percussão polirrítmica que progride de passos lentos para sequências furiosas, acompanhado de várias linhas de guitarra que dispensam qualquer tipo de vozes para cativar os fãs da cena rock nacional.


Luís Carreto




quinta-feira, 23 de junho de 2011

Foge Foge Bandido - O Amor Dá- me Tesão/Não Fui eu que Estraguei


”O Amor Dá-me Tesão/Não Fui eu que Estraguei” (2008) Turbina

“Manel” Cruz é um artista completamente assustador em Portugal. Após o fim dos Ornatos Violeta, colou o seu nome a uma marca, a um selo: o selo “Manel Cruz”.

Findos os Pluto, o desafio seguinte na sua carreira chamou-se Foge Foge Bandido, com Lado A e B, “O Amor Dá-me Tesão”/”Não Fui eu que Estraguei”, e um livro ilustrado, que retrata o longo tempo de criação do disco duplo. Para tal, chamou vários elementos dos Ornatos Violeta, Pacman, Bezegol e Gon (ex-Zen). Ouvido, Foge Foge Bandido cumpre qualquer suposição precoce: é de facto o projecto onde Manuel Cruz se atira a ferro e fogo à experimentação no som, sem desleixar a palavra como um brinquedo difícil, tanto ao jeito do selo “Manel Cruz”, como os temas mais conhecidos “Borboleta” e “Canção da Canção Triste” provam.



São, no total, 80 canções sobre a vida quotidiana, as relações interpessoais, vistas por um íntimo facínora e errante pelo Mundo, que constituem entre si um pedaço de história de cada um em cada dia. O experimentalismo deste disco assenta num som eminentemente “pop”, que parece fácil de assimilar e de esquecer brevemente mas não é. Qual Thom Yorke camoniano, Manel Cruz conjuga instrumentos (sejam eles quais forem), vozes e letras de uma forma complexa em canções que parecem simples músicas “pop” onde tudo se encaixa na perfeição.

A simplicidade quase matemática de 80 músicas darem facilmente um bom disco é também ela sublevada e ultrapassada pela facilidade de tais peças se colarem à pele de quem as ouve. Nisso, canções épicas como “Canção da Canção Triste”, “Ainda Pode Descer”, “Tu Não Tens de Mudar”, “Canção Segredo” e “Fora de Combate” cumprem tão bem como sequências como “Mundo Exterior”/”Eleva!” e “Não Aldrabes”/”A Lenda da Verdade”. Assim, deixem-se as palavras caladas e sossegadas, porque falar bem deste longa-duração é fácil, mas ouvi-lo é essencial.

André Gomes de Abreu

A não perder os concertos da tour de despedida: próximo concerto dia 25 de Junho, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa




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