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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Jigsaw - Mercado Negro




Foi com uma Associação Cultural do Mercado Negro muitíssimo bem composta que os A Jigsaw proporcionaram, ontem, um belíssimo concerto em Aveiro. As razões para a adesão podem ter sido várias, desde o concerto ser de entrada gratuita à qualidade musical, que num grupo como A Jigswaw é, a priori, uma certeza. Eu, evidentemente, fui por nutrir uma particular admiração pela música da banda proveniente de Coimbra.

Agendado para as 23h, foi somente com alguns minutos de atraso que se deu início ao espetáculo. Gerado um ambiente intimista, numa sala pequena para tanta gente (todos as cadeiras foram ocupadas) e extremamente acolhedora, bem abrasiva e convidativa para se esquecer as baixas temperaturas que se faziam sentir lá fora, acabei por arranjar um lugar sentado no chão a menos de 50 cm de João Rui, a voz da banda, num sítio onde mal me conseguia mexer.

Pouco depois de nos acomodarmos e ambientarmos ao aconchegante espaço que iria receber o concerto, eis que chegam os A Jigsaw. Chegam-nos em formato duo, reduzidos a João Rui e a Jorri, e repletos de boa-disposição, facto bem visível pelos sorrisos que trazem estampados no rosto. Começaram por agradecer a adesão e prontamente se apressaram a dar os primeiros acordes e as primeiras tecladas.

A primeira música a ser tocada foi I’ve Been Away For So Long, do salubre álbum Drunken Sailors & Happy Pirates, editado no ano passado. Desde logo se deu uma empatia abrasante entre o público e o artista, sempre com um público bastante silenciado e respeitador da banda que conta já com treze anos de estrada. Esta simbiose prevaleceu durante todo o concerto, a cada música que foi tocada, tudo o que é ingrediente para que haja um belíssimo espetáculo de blues.


A setlist deambulou entre os discos mais antigos, mas incidiu sobretudo sobre Drunken Sailors & Happy Pirates, o registo mais recente dos coimbrenses. Contudo, foram tocados célebres como Six Blind Days ou Letters, músicas que foram popularizando a banda e que remontam aos tempos mais primordiais e adolescentes da banda. Agora já em fase adulta, confessaram-nos que grande parte da génese para Drunken Sailors & Happy Pirates foram as vivências que tiveram numa digressão europeia por toda a europa, mas sobretudo por Itália, um “país inspirador” nas palavras de João Rui. Tanto é inspirador que até o fez escrever sobre Júlio César e piratas, um conto que nos aparece metaforizado em Even You e que assinalou um dos belos momentos a que foram possíveis assistir na noite de ontem, ao que o público responder com uma chuvada de palmas (e que bem merecidas que foram). O concerto ia-se passando, e as músicas eram constantemente ritmadas pelo pé de João que ia batendo incessantemente no chão e pelo seu rosto bem junto ao microfone, sem de lá descolar a menos que nos encontrássemos numa transição de faixas. Havia tempo para as conversas entre o público e o artista, onde a boa-disposição era sempre a palavra de ordem e onde João Rui nos confessou que Jorri estava proibido de falar durante os concertos (provocando a gargalhada do público) e que o dono da Cakes & Tapes era ”um bandido”, numa estória que misturava Trindade & Tobago e a China.

À sexta faixa do concerto, João dá o aviso “Muitas das pessoas que aqui estão conhecem esta música” e começa a dar os primeiros acordes de London Calling, mítica música punk dos não menos míticos The Clash. A verdade é que reconheci logo que música os A Jigsaw iriam tocar, só que nunca na minha vida me tinha questionado como seria uma versão blues/americana dela. Se cepticismos existiam, toda a desconfiança desapareceu no fim de a terem tocado e foi, indubitavelmente, um ponto alto do concerto (talvez tenha sido mesmo o ponto maior, pelo menos na minha visão).  

O concerto prosseguiu com temas como Red Pony ou Lost Words, que é uma espécie de homenagem aos Tiguana Bibles, sempre com uma ambiência bastante positiva e com Jorri a despedaçar-se entre a vasta panóplia instrumental que carimba a sonoridade americana, blues e country, bem ao estilo da velha vanguarda americana, dos A Jigsaw. Enquanto isso, João Rui munia-se com a sua harmónica enquanto dedilhava sapientemente a sua guitarra, bem ao estilo de um Bob Dylan, e se apoiava no seu pé e no chão para ritmar o seu tempo de entrada. Na transição de faixas, este aproveitava para marcar/dar (analogia contextualizada no fim) um golo na sua garrafa de água.

O concerto ia-se desenlaçando com The Last Waltz, mas prontamente foi verificável que o fim ainda não era aquela altura porque a folha da setlist estava ali bem perto de mim e das gentes da primeira fila. Depois de uma tentativa de um falso encore (porque sair dali, no meio de tanta gente, iria dar confusão), havia três canções para dar término ao espetáculo: uma música de “um minuto e vinte e seis segundos, porque mais tempo seria demasiado show-off”, uma música “sobre um sonho dentro de outro sonho, que, por sua vez, estava dentro de outro sonho” e Devil On My Trail, uma das músicas da noite que mais apreciei e que mais salientou a rouquidão de João Rui quando este se preparava para dar um “berro”. Despediram-se sobre uma chuvada de palmas.

Em compêndio, devo dizer que ontem foi possível assistir a um belo concerto de uma bela banda, num belo espaço que acabou por ser pequeno para tanta gente. Tive pena apenas por não ter visto A Jigsaw na sua formação completa, pois sentiu-se ali alguma mesmice entre as faixas, o que não aconteceria com a presença de uma bateria. Contudo, espero por uma próxima oportunidade para tal. Foi bem ver tanta gente apinhada a prestar culto à sonoridade peculiar, fruto de uma panóplia instrumental que, também ontem, se viu reduzida e de uma voz rouca que vai deslumbrando quando acelera, como aconteceu em Devil On My Trail. Foi inegavelmente primorosa a versão a que ali assisti de London Calling. Em suma, valeu bem a pena aquela hora e meia que passei sentado no chão, sem que este fosse almofadado, e sem me conseguir mexer. Tive cãibras durante o concerto, mas não fui substituído e permaneci os 90 minutos em campo. No final, João Rui, que distava cerca de meio metro de mim e apercebendo-se que me encontrava em nítidas dificuldades físicas e motoras, perguntou-me se queria ajuda a levantar-me, estendendo-me a mão. Para agradecer pensei em pagar-lhe um fino, mas o homem estava a água durante o concerto. Fica para uma próxima.

Emanuel Graça




quarta-feira, 5 de setembro de 2012

a Jigsaw, Ritz Clube, 23/8/2012 - REPORTAGEM




Os a Jigsaw regressaram a Lisboa mesmo já no final do mês de Agosto para mais um concerto de apresentação do último disco, "Drunken Sailors & Happy Pirates", aquele que para muitos poderá ser o disco favorito de 2011 a ouvir em 2012.





Ao vivo, os a Jigsaw, acrescentando Guilherme Pimenta à formação base, mostram muito mais que a competência, encantamento e folk/alt country que orgulharia qualquer cidadão norte-americano. Neste dia, no Ritz Clube, viu-se uma banda capaz de tomar as suas canções e conduzir um espectáculo consoante a ocasião. Na travessia longa pelo último disco, a voz de João Rui torna-se mais íntima, sofrida, visceral e arrepiante, numa espécie de visita de Nick Cave a territórios de Leonard Cohen invadidos por bluesmen de gema. Mesmo sem Tracy Vandal, vocalista dos entretanto extintos Tiguana Bibles, em "Lovely Vessel", "nada se perde, tudo se transforma". As passagens pelos discos anteriores também são obrigatórias, como em "Red Pony" de "Like The Wolf", porque as histórias estão tão intrincadas entre discos que, com o devido tratamento mais voraz e sombrio, criam uma história entre cada alinhamento onde constam, onde há lugar para o Zé do Telhado de "Rooftop Joe", ambiente para "Crow Covered Tree", ecos de consciência para "The Strangest Friend", lições de história que se faz e se derruba em "The Last Waltz" e o reconhecimento ascético em "No More" na memória de Tolstoi, quem mais para defender a revolução pacífica que se revolve dentro da música dos a Jigsaw.





O encore não tarda, quer pelo reconhecimento do público, quer pela vontade de prestar tributo aos extintos Tiguana Bibles. "Lost Words", do EP "Child of The Moon", é a excelente escolha feita e completamente retalhada ao estilo dos a Jigsaw, um estilo meticuloso que aproveita a alma da combinação dos diferentes instrumentos que se podem utilizar. Com "Remember When", os a Jigsaw deixam de vez o palco. Assim, não os deixem escapar novamente para a Europa e vejam-nos assim que puderem.



André Gomes de Abreu
Fotografias por Inês Parro
(galeria completa em
facebook.com/bandcom)




quinta-feira, 7 de julho de 2011

a Jigsaw



The Blues are the roots, everything else is the fruits.

Esta é a frase que surge no "About" do facebook desta banda. É a melhor introdução que poderíamos ter para conhecer o grupo. Certas bandas rock poderão achar esta frase ofensiva, visto que põe em causa toda a evolução do Blues até aos dias de hoje. Também poderemos ler o termo "fruits" como algo doce e posterior que surge após algo um pouco maior. De qualquer das formas, os "a Jigsaw" abordam este género na sua primeiríssima forma, o folk americano, acompanhado dos seus colegas Country e Blues. E aqui sim, encontramos as "roots".

A sua biografia, apesar de curta, já é muito rica. Lançaram um álbum conceptual, em 2007, Letters From The Boatman, e em 2009, Like The Wolf, com direito a versão uncut em 2010. Nesse ano, a tour europeia "Like The Wolf" trouxe concertos em mais de 12 países e elogios da imprensa especializada. Aqui podem seguir o blog criado em conjunto com a Antena 3 para acompanhar a tour e também poderão ver o blog oficial da banda. O maior elogio que deixo à banda não é pela sua excelente música, mas sim pela importância que dão às diversas plataformas de divulgação que os rodeiam, não descurando nenhuma e dando atenção a todos os pormenores.


O folk americano sempre teve muita inspiração do meio geográfico que o envolveu. Não sabemos se a associamos a música à paisagem rural que a rodeia ou vice-versa, mas a sua colagem é inevitável. E é de admirar que uma banda, estando tão longe temporal e fisicamente desse tempo/lugar consiga reproduzir tão bem esse conjunto de sensações sonoras e visuais. É uma das muitas definições do talento artístico, assim por dizer.

Os músicos tocam vários instrumentos em palco e não descuram, de todo, as actuações ao vivo, facto sublinhado pela imprensa que os tem acompanhado nestes anos de existência. As gravações para o novo álbum já começaram, esse que sairá no fim deste ano. Até lá, temos de nos contentar com a qualidade apenas "excelente" dos últimos dois registos. Uma banda a acompanhar!




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