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domingo, 4 de maio de 2014

SUN GLITTERS - "Scattered Into Light" (2014, Mush Records)




Em Janeiro deste ano o luso-luxemburguês Victor Ferreira aka Sun Glitters 
deu a conhecer ao mundo o disco “Scattered Into Light”, o seu primeiro registo com a presença da voz dos italianos Diverting Duo, Sara Cappai. 11 músicas globalmente marcadas por um positivismo omnipresente, mesmo que com laivos mais negros e melancólicos numa ou noutra faixa, tendo em comum raios cegantes que perfuram tanto a luz como a negrura.






Tudo começa em "When The Train Comes", faixa que tem tudo para abrir as novas atuações do artista, com uma tensão crescente, a espera, o prolongar de um tempo suspenso durante o qual vão aparecendo sonoridades e sons dispersos e desarticulados que se unem numa atmosfera que consegue incrivelmente harmonizar-se. A voz de Sara acompanha a viagem, as guitarras tristes, uma história de despedida ou de rutura amorosa.
Em "Soft Breeze" tudo se torna mais claro e nem é preciso conhecermos o título: os ambientes sugeridos dão-nos logo o caminho a seguir para chegar até ele. O sol, a doçura, o toque leve e chill, o tempo vivo de um momento de descanso post-sexo, a felicidade de um sonho que o sugere ou do fim de uma vida triste que ganha cor na altura de chegar ao céu. A jovialidade, na faixa (curiosamente) mais curta do álbum.

"I, You, We Know" continua nesse prisma, talvez mais indeciso, invocando a timidez de uma primeiro encontro e o medo ressentido, a entrega, o coração a martelar pela primeira vez. 

"Three, Four Days" é talvez um dos temas que junta mais elementos próximos dos antigos registos: uma tensão permanente, um véu sombrio sarapintado por vozes fantasmagóricas femininas e masculinas repetidas que se entrecruzam. 
Segue-se um dos singles, "Closer To The Sun", marcado por uma presença mais firme e acentuada da voz de Sara, planante, entorpecedor, paralisante - talvez em demasia.
"Lonely Trip" relata a ascensão, a emancipação, algo para dizer enquanto "Scattered Into Light, faixa que dá o nome ao álbum, traz de volta o vislumbre de sol que aquece as janelas, o despertar, a fala, a vida, em contraste com outros singles do álbum mais destressantes, como "Closer To The Sun". 






"É com "And The Sun Goes Down" que o ambiente se enegrece paulatinamente com o convívio com a frustração pela espera por um novo registo que se anuncia. Nota mais para a versão japonesa do disco e os belíssimos temas "I Tear You Apart" e "Here It Comes", duas referências que estarão no novo EP do artista, "Fading Days", com saída prevista para o próximo dia 13 de Maio.




Mickaël C. de Oliveira




quinta-feira, 20 de junho de 2013

SUN GLITTERS @ LE TAMANOIR PARIS, 15/6/2013 - REPORTAGEM



Depois de ter atuado em Clermont-Ferrand no festival Europavox, no cada vez mais hypado Nouveau Casino (onde o BandCom o entrevistou) e noutras salas francesas, Sun Glitters arriscou e apostou desta vez no espaço Le Tamanoir em Gennevilliers, pequena sala situada no bairro do Luth, a uma dezena de minutos de Paris.
Para quem não conhece, convém explicar um pouco a situação geográfica do evento e relembrar algumas curiosidades a propósito do público parisiense. Para começar, é raríssimo vermos esse público sair do seu casulo. Não estou a falar de um casulo dourado, porque esse pessoal também enche as salas das "zonas mais pobres" da capital. O problema é que não se atravessa a fronteira de qualquer maneira. Isto é, se já é complicado convidar um amigo parisiense a sua casa (a 10 minutos de Paris), muito pior será fazê-lo quando se mora num bairro dito "sensível" dos subúrbios.
Poderá ser esta uma das razões que levou tão pouca gente (somente trinta pessoas, mais ou menos) a assistir a este Black Reverse com nomes como Arnaud Rebotini, Örfaz para além de Sun Glitters. Ou talvez ainda as arestas do conflito que incendiou a zona em 2011, entre os bairros do Luth e de Fossé-de-l’Aumône de um lado, e os de Courtilles e Mourinoux do lado da cidade rival Asnières, apenas separados por uma avenida e uma estação de metro.

O certo é que não estava à espera de um ambiente tão familiar e acolhedor. Nem de uma sala com belíssimas condições e uma equipa técnica bem preparada. Pelas 2h, dançou-se ao rítmo do dubstep dos Örfaz, perfeito para acordar os mais reticentes.
Não chegam claramente à brutalidade e à fúria de um Benga – e faço esta comparação porque soube mesmo bem passar de um concerto do inglês para o do Sun Glitters no Europavox – mas deu para aguentar até às 3h30 para ouvirmos mais uma atuação do lusodescendente nascido no Luxemburgo.

Notou-se a ausência de alguns dos maiores êxitos do artista, como "Feel It" ou "Beside Me", ou até da minha preferida, "Love Me". Mas como é óbvio, têm de ser feitas algumas escolhas no momento de criar um set de uma hora e acredito que algumas delas não foram mais fáceis do que quando nos perguntavam se gostávamos mais da mãezinha ou do papá. Até porque neste concerto já deu para serem experimentados ao vivo temas que saíram já em 2013.

E tudo começou com "Tight", numa versão mais alongada e detalhada, numa conquista degrau por degrau do auditor. Alguns perguntavam como é que isto se dançava: fiz que não entendi e olhei para um rapazinho que se arqueava muito. Voltei para os sonhos e acho que mais ninguém fez essas perguntas.

O certo é que sentíamos o ritmo acelerar, a batida a redobrar de intensidade e a viagem ser longínqua e incoerente, perdidos num limbo que nenhum cientista descortinou. Entrecruzaram-se então "Tight" e "A Dragonfly in the City", numa mescla que nunca se pensara ser assim tão simples, tão possível. Através desse tema já old school, abrimos desta forma os braços ao primeiro tema do aclamado "Everything Could Be Fine", primeira grande obra de Victor Ferreira.

A terceira música, "Find Your Way", sugeria o descobrimento do nosso caminho, não se sabe bem qual, não se sabe bem quando, mas nada nos obrigava a seguir as ordens. Como para os vídeos que iam passando por trás do artista, que até quase deixaram de funcionar a um certo momento. Problema? Não: é tudo uma questão de ver se preferimos ver um concerto com imagens sugeridas ou com projeções da nossa imaginação.

Depois de todas estas perguntas terem serpenteado no cérebro de cada um, "After Eight" começou a espreitar, talvez a que menos funciona ao vivo. Mas, como adoro opostos, só poderia ser de aplaudir a decisão do artista de cobrir com "Too Much To Lose" a música precedente. As poucas pessoas presentes na sala ganharam um novo fôlego e continuaram a dançar, cada uma à sua maneira, e a euforia continuou com "The Wind Caresses Her Hair", ao mesmo tempo que percorria todos os nossos pêlos e os eriçava. Aos poucos, surgiu o novíssimo "Mouth" que nos beijou lentamente, sedutor. As vozes fantasmagóricas ajudaram os nossos pés a elevarem-se, guiados por esse elemento alienígena impossível de identificar. "Snowfall" levou-nos claramente para outras paragens, bem mais puras, virgens, raramente exploradas, entre o Alaska e a Escandinávia.

A batida voltou a acordar-nos em pleno sonho e desvaneceu-se enquanto os nossos olhos se fechavam novamente, num momento de "entre-dois" a planar. E "Forward and Reverse", novíssimo tema, mais uma viagem onírica cheia de esperanças, de irrealidades transformadas no momento em atualidade, com "Insane" descascada até chegarmos ao núcleo duro, ao epicentro, e ouvirmos o renascimento.
Pensou-se então que era essa a música que nos ia cuspir em plena face a dureza deste mundo mas não: "Everything Could Be Fine" espalhou na sala as últimas mensagens repletas de ondas positivas e chegou-se a casa com os olhos a brilhar - apesar de só ter bebido uma cervejinha.



Mickaël C. de Oliveira




sábado, 27 de outubro de 2012

LÁ FORA, CÁ DENTRO #4: SUN GLITTERS - "EVERYTHING COULD BE FINE"

Sun Glitters é Victor Ferreira, um jovem na casa dos 30 anos, de origem portuguesa mas que passeia nas ruas de Luxemburgo. O seu trabalho, na onda do chillwave/shoegaze/dreampop, é bastante melódico e algo místico por vezes, maioritariamente devido aos seus pitch-shifted vocals e sintetizadores saturados com reverb. É notável uma forte influência por artistas como Burial, Boards of Canada e Stumbleine.

O artwork é geralmente projectado pelo próprio Victor Ferreira, com fotografias em dupla exposição, onde as cores dessaturadas, os flares de luz e o bokeh são presença quase obrigatória.



Everything Could be Fine é, talvez, um dos melhores álbuns dentro do género. Inicia com Beside Me, um som melancólico, baixo vibrante e ritmo peculiar. O sidechaining é uma característica habitual das suas músicas e, como tal, não falta aqui também. Too Much to lose está num registo semelhante à faixa anterior, embora mais serena e estilo downtempo. Destaca-se ainda Softly and Slowly, realizada em parceira com Rob Boak que facultou a sua voz leve e suave, muito bem mixada com os sintetizadores. Os ritmos sempre intrigantes e pouco usuais voltam a ouvir-se em Find your way (see) e Love me, que, apesar de apresentarem títulos algo cliché, são uma verdadeira lufada de originalidade e serenidade.

São 27 minutos de música para as horas tardias e calmas da noite. Acompanha-se com um chá, cigarro ou boa conversa.



Luís Carreto




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