Decorreu nos dias 29 de Março e 5 de Abril, no MusicBox em Lisboa, o concurso de bandas V PURPLE SESSIONS, organizado pelo Núcleo de Rádio da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Os prémios destinavam-se ao primeiro e segundo lugar.
(a reportagem fotográfica disponível refere-se apenas ao primeiro dia, visto que não foi possível cobrir de tal forma o segundo)
1º - 200 euros em material técnico e direito a participar no Arraial de Farmácia
2º - 100 euros em material técnico
DIA 29
Os primeiros a entrar em palco foram os Máscara. Cantam em português e apresentam um rock com tendências grunge muito fortes. Quem pauta a força da música da banda é a bateria, com golpes fortíssimos e ritmos simples mas compactos, sempre um forte acompanhamento.
Usam muito distorção aliada ao reverb, com um certo cheiro a metal (no que toca a atmosfera proporcionada), proporcionando por vezes uma confusão sonora intencional, com solos e ritmo a confundirem-se, juntamente com os gritos (quase de) guerra do vocalista. Dão imensa importância à parte instrumental, não desprezando a voz mas mostrando que gostam de dar destaque aos potentes riffs e powerchords das suas guitarras.
O funk electrizante e frenético dos Trip Inn foi o que se seguiu. Muito groovy, muito danceable, cheio de wah-wah's e acima de tudo cheios de presença em palco. Os Trip Inn são constituídos por 5 elementos com elevadas noções técnicas do instrumento que tocam, e desenganem-se se acharem que o vocalista passa despercebido pois a sua energia é contagiante, não pára um segundo! Destaque para o saxofonista, que domina o sax a 200%, com solos, acompanhamentos, tudo. E toca guitarra também.
A estrutura dos solos que as músicas têm é parecida com o jazz, em que cada instrumento tem direito ao seu. Mas fica na retina o facto de todos terem imenso talento individual e serem tão coesos quer como grupo musical, quer como artistas de palco.
A fechar o dia 29 foram os Strap 58. Tocam um indie alternativo, com influências de Placebo, nomeadamente na voz, mas com personalidade e marcada dureza. Apostam na sonoridade e não na complicação dos seus temas, sentindo-se muito o ritmo das canções, muito mais do que eventual técnica. Podemos constatar também a presença de um certo soft punk, ou um punk não tão rápido.
Nota positiva para o baterista, que dá uma cor completamente tonificante à banda, de uma forma muito técnica. A nível nacional, consegue-se traçar uma ponte entre os Strap 58 e os Enday.
DIA 5
Foi o único trio do concurso que começou a noite de dia 5 de Abril. Misturam músicas em inglês com portuguesas, tocando um rock acessível aos normais ouvidos. Nota-se, na sua boa disposição e postura descontraída de palco, que já estiveram em inúmeros concertos. O baterista é o elemento em destaque, com vários ritmos no seu repertório, um sentido rítmico fora do normal. Tocaram algo raro no rock, um instrumental, muito forte, cheio de poder e variedade.
O approach deste trio é muito punk, nem bem pela música que tocam. Os Jack & Dante têm letras provocantes e brincalhonas, um contacto único e muito natural com o público e a sua boa disposição levam a esta afirmação.
Os Superclarks foram dar um toque tipicamente indie ao concurso, sem falsas manhas e falsas intenções de não o querer fazer. Mais do que trazer música totalmente importada de Inglaterra, este trio recentemente reforçado por um segundo guitarrista mostra energia e frescura num género já complicado de pegar. Sente-se a intenção britânica na voz e nas mudanças de ritmo das canções, mas os SC até que decidiram arriscar com um ritmo de samba como ideia introdutória de uma faixa indie-rock.
O melhor som é "Hold On", disponível no seu MySpace.
Para terminar o concurso, o indie puro dos 9livecats. Comparando com o indie das bandas anteriores, é muito mais clean, soft, e até mais calmo. Conseguem ser uma banda tipicamente indie, ainda que hoje em dia seja complicado explicar essa definição, mas parte-se do princípio que indie é esticar o pop até ao máximo, sem distorções, sem complicações e quase sem um rumo a tomar.
Em primeiro lugar ficaram os JACK & DANTE, seguidos pelos TRIP INN. Parabéns às 6 bandas participantes, e à boa organização deste evento.
Músico de mil projectos, todos eles com algum impacto no panorama nacional: Long Desert Cowboy, Seven Thousand, Landfill, Oceansea, Uaninauei.
1 - Como e desde quando se desenvolveu a tua ligação à música, como praticante?
Comecei aos 11 anos a tocar guitarra por acaso, porque a minha prima Irina tinha uma viola e queria aprender, e como eu não tinha que fazer, ia com ela. Aos 10 anos ia com um grupo de amigos da minha terra (Cabeção) para casa de um deles ouvir discos de black metal do irmão dele, talvez isso me tenha influenciado indirectamente, mas nunca pensei em ser músico até já saber tocar meia dúzia de canções. Desde sempre me lembro de querer ser escritor, a música acabou por aparecer mesmo por acaso.
2 - Estás em vários projectos musicais, seja de metal, hard rock, acústico, indie. Vais substituindo as bandas umas pelas outras ou tentas manter tudo a andar ao mesmo tempo?
As bandas não se substituem porque são diferentes o suficiente para não se atrapalharem musicalmente. Enquanto houver tempo e vontade para isso, os projectos funcionam, se por algum motivo a coisa não resultar, então acaba. Mas o circuito português de concertos é pequeno demais para que uma banda consiga ocupar todo o meu tempo, pelo menos actualmente, pelo que acho positivo ir-me dividindo entre todos esses géneros que gosto de tocar. Vejo a minha relação com a música como um casamento, mas cada projecto é como um namoro, uns duram mais que outros, uns acabam bem, outros acabam mal, outros vão durando, uns são mais intensos e curtos, outros mais ténues e longos, etc.
O segredo é não pensar demais nisso e deixar as coisas fluírem e acontecerem naturalmente, e os projectos mais duradouros acabam sempre por ser esses em que as expectativas nunca são maiores que os passos que se dão. Nada dura para sempre, mais vale ir aproveitando o dia-a-dia da melhor forma possível, e eu gosto de tocar e criar música com várias pessoas, sozinho, enfim. Não ando à procura de reconhecimento ou atenção, é simplesmente uma coisa que gosto muito, e como tal quero que isso ocupe a maior parte da minha vida, como qualquer outra pessoa.
3 - Nunca te ocorreu "se calhar é nesta banda que me devia fixar daqui por diante"?
Não, porque como ouvinte também nunca me ocorreu ouvir só um estilo de música. Posso-me considerar músico, mas acima de tudo sou ouvinte e apreciador de música, e acabo por gostar de coisas bastante opostas, pelo que acho normal fazer coisas diferentes. É tudo uma questão de disposição na altura em que se compõe, quando acabo um ensaio de uma banda mais "roqueira" por exemplo, a última coisa que me apetece ouvir quando chego a casa é metal, porque os ouvidos precisam de descanso. Então acabo por ouvir se calhar algo mais na base do cantautor ou ambiente, e é natural que as coisas acabem por sair diferentes no momento da composição. Os projectos são todos válidos, e a música que faço e ajudo a fazer só tem uma limitação, que é eu gostar dela. Estilos e rótulos são coisas que ajudam mais a vender roupa e acessórios de moda que outra coisa qualquer.
4 - Qual foi o projecto que foi melhor recebido pelo público?
Talvez Uaninauei, embora tanto Landfill como Oceansea ou mesmo Long Desert Cowboy tenham sido bem recebidos. A verdade é que quando limitas as expectativas e o mote de trabalho à criação daquilo que consideras boa música, a recepção positiva por parte do público acaba sempre por ser uma surpresa agradável. Na verdade, não me preocupo muito com o que as pessoas pensam do que faço, é mais uma questão de confiar no meu gosto, e pensar que se eu gosto, mais alguém há-de gostar. Mas pelas críticas e conversas que temos tido depois dos concertos com as pessoas, parece consenso geral que Uaninauei se destaca actualmente por soar a algo novo, e isso é para nós um orgulho, principalmente considerando que cada vez aumenta mais a população que considera que já está tudo "inventado" na música. Ainda não ouvi ninguém fazer metal com rancho folclórico, por exemplo.
5 - Diz-se muito que fazer música e dar concertos fora de Lisboa e Porto consegue ser muito complicado. Concordas?
Nós temos enfrentado um bocado o oposto, é mais difícil marcar concertos em Lisboa e no Porto que no resto do país, ou porque as condições de muitos locais (com algumas boas excepções) são miseráveis, ou porque tens de pagar para tocar, ou porque simplesmente ignoram os teus contactos. Se há alguma ligação deste desprezo do contacto com a região de onde é proveniente o projecto, isso já é tema de debate ou para perguntar aos organizadores de eventos.
6 - Dá-nos a tua opinião sobre a divulgação da música em Portugal. O que pode melhorar?
Pode melhorar muita coisa, mas sobretudo a distribuição desta divulgação. Não se percebe por exemplo como é que Uaninauei não entra para a playlist de algumas rádios nacionais e tens a música dos Pontos Negros de 2007 ainda a rodar em horário "nobre" radiofónico (por acaso até gosto e não serão o melhor exemplo, mas ouvi-os há pouco e até eles provavelmente preferiam que passasse um dos temas mais recentes).
E não quero com isto dizer que somos melhores ou piores que ninguém, é simplesmente uma questão de oportunidades ou coisas que se tentam e não se conseguem por motivos que não são claros. Ou como é que as rádios generalistas conseguiram dar a volta às leis de airplay nacional metendo mais músicas dos mesmos artistas, sem abrir portas às novas coisas que vão surgindo. Ou como é que boa parte das agências de marcação de concertos conseguem infiltrar-se em alguns eventos importantes e "miná-los" com os mesmos artistas de sempre. Há para a grande maioria dos portugueses uma diferença gigante entre um músico "em desenvolvimento" e um músico "estabelecido".
Noto algumas vezes isso com os Uaninauei, e ainda estamos num nível de conhecimento do público bastante baixo. Algumas pessoas que ao início nos menosprezavam agora elogiam-nos, e a única explicação que vejo para isso é que é uma questão do nosso estatuto ter mudado aos olhos das pessoas. Ou és banda de garagem e só os amigos te querem ver, ou apareces uma vez na televisão ou na rádio e já és uma celebridade. Na cabeça de muita gente, infelizmente é assim que funciona, a qualidade da música não define os gostos de grande percentagem da população, é mais uma questão de "quem ouve o quê" e "com qual destes grupos me quero integrar", "quem são os mais fixes".
Há boas excepções a isto, claro, de gente que te apoia e acredita em ti desde o primeiro momento, e de outros que não gostando são frontais e sinceros no que dizem. Estes acabam por ser os mais importantes, mas muitas vezes são os outros que tomam conta de boa parte da tal divulgação musical em Portugal.
7 - Ultimamente, as bandas portuguesas vão ganhando algum espaço no mercado musical. Há algumas que queiras destacar?
Posso destacar bastantes, como os meus conterrâneos Fato/Feto, Ballis Band, Damien's Trail of Blood entre outros, bem como a nível nacional temos O Bisonte, Bla Bla Bla, Feromona, etc. A lista é extensa, e não são os nomes que me interessa listar, mas sim o facto de termos finalmente uma geração mais aberta ao que é português, com a noção de que os padrões de qualidade não têm de vir de fora, podem ser aqueles que bem entendermos colocar consoante os nossos gostos.
Nos anos 90 principalmente, havia muito a ideia que fazer boa música em Portugal era imitar o melhor possível o que se fazia "lá fora", com bandas a editarem discos cheios de autocolantes a dizerem "produzido por Martin Barnes", seguido de várias bandas com que esse senhor tinha trabalhado, numa tentativa óbvia de se tentarem colar e roubarem atenção com o nome dos outros, aos quais querem à partida ser identificados. Penso que isso é um caminho errado, é o caminho do conformismo e da ausência de novidade, do fim da procura pela próxima canção que marca uma geração ou a mudança de uma era.
Penso que um músico é-o igual em Portugal, Espanha ou qualquer lugar do mundo, deve fazer música que lhe venha do coração e/ou da consciência e não se preocupar com o resto. Não escrevo músicas sobre Detroit porque nunca lá estive nem é uma vida que conheça senão da televisão e dos livros. Posso-o fazer, e há quem o faça bem, mas não vai ser um assunto que espere interessar ao público português, que - sejamos sinceros, é o que me vai ouvir. Prefiro ouvir uma música que fale do Alentejo ou do desemprego, porque com essas vou-me identificar mais, é uma questão básica e humana. Muitas bandas andam em competição nesse mercado musical, quando a solução parece-me outra, que será criar uma nova posição nesse mercado e não roubar a de alguém, tentar ser e soar verdadeiro, e como todos somos diferentes, é aí que está a originalidade.
Já há imenso tempo que Portugal precisava de uma banda assim, os Miss Lava são o porta estandarte do hard rock, stoner rock, desert rock, seja o que lhe quiserem chamar, cantado em inglês e feito em Portugal. É um género algo desequilibrado no nosso país, pois os grupos que abordam estas tendências habitualmente não se mantêm no meio do espectro "Metal-Rock", caindo sempre num dos dois lados. Os Miss Lava trazem-nos a lufada de ar fresco necessária para estarem no meio dessa linha.
Tal como eles dizem, não conseguimos saber se trazem algo de novo à música (e agora não estou a falar do plano nacional, porque esse impacto é óbvio, mas sim a nível do seu "input" na música em geral) mas apenas sabemos que eles trazem algo de muito autêntico. Sem solos complicados, sem ritmos estranhos, somos brindados com um rock muito duro, muito ritmado e groovy ao mesmo tempo, sendo esta faceta que leva ao nome do conjunto: a dureza aliada à sensualidade. É um blues super-distorcido, pela forte influência dessa sonoridade.
Todas as músicas conseguem escapar à monotonia e à simplicidade, no que toca à sua estrutura. Apesar da simplicidade dos arranjos, engane-se quem achar que ficará aborrecido, pois temos partes instrumentais, imensos breaks e bridges, acompanhados de solos wah-wah, que nos desviam do habitual caminho "intro-estrofe-refrão-estrofe-refrão-solo-refrão".
Lançaram um EP, "Miss Lava", em 2008, e já no final de 2009 foi lançado o seu primeiro álbum de originais, "Blues for The Dangerous Miles". Este foi produzido na Suécia, nos Fascination Street Studios, com a mão do produtor do mesmo país Jens Bogren (Opeth, Paradise Lost). O resultado está à vista, um rock muito autêntico, alguns meios consideram o álbum um dos melhores de 2009, já estão a ter concertos em Espanha, Inglaterra, Alemanha.
Se gostam do cheirinho a Led Zeppelin, Velvet Revolver, Black Sabbath, então porque ainda não estão no MySpace dos Miss Lava?
Antes de mais, convém falar do nome da banda. Sevilla Red é o nome mais original que já se viu por aí. Mesmo em bandas internacionais é complicado encontrar um nome tão sonante como aquele que a banda escolheu para sua denominação!
Trazem-nos um tipo de música que se deveria apelidar de "Indie Furioso", principalmente causado pelo orgão desinibido e frenético que acompanha todas as faixas. Este instrumento dá ao grupo uma personalidade muito vincada, que o faz mesmo chegar a outro tipo de espectros musicais, além de que torna a melodia muito mais carnal, vincada e estonteante.
Apostam em guitarras levezinhas, sem grandes distorções, papel esse ocupado, assim por dizer, pelo orgão. A guitarra, juntamente com o resto dos instrumentos, adoçicam os Sevilla Red, compensando assim a dureza do super-orgão que os orienta e que lhes muda o caminho. Sem os seus acompanhantes, este estaria muito isolado na sua loucura, tanto nos solos rompantes como nos arpejos, tendo assim os restantes equilibrado esse factor.
Muito dançante, muito cantável, é o material que eles produziram no seu EP, "Horizon". Sem serem faixas feitas banalmente para as grandes massas, acabam por ter esse potencial, pelos vários atractivos que oferecem: o ritmo do electro, as vozes do rock, uma certa nuance do grunge e do hard rock.
Já coleccionaram presenças e destaques muito positivos, quer nos Novos Talentos Fnac 2010, quer em todo o tipo de concursos de bandas: representante português finalista no EuroDemo Santander 2016 (concurso europeu), um dos 7 finalistas (em 814) no Rock Rendez Vous Worten 2010, um dos 3 finalistas (em 110) a abrir para a banda inglesa "These New Puritans" no concurso internacional "Levi's Unfamous Music Awards 2010". Se perguntam porquê, o melhor remédio é deixarem-se levar pelo vermelho atordoante deste trio.
Luisa Sobral está-se a colocar a jeito de se tornar na nova grande voz portuguesa, em que a palavra "grande" não deve ser tomada da forma habitual, tida como potente, rasgante e super-presente. Não, esta voz é doce, suave e dotada de uma dicção perfeita. Canta baixinho, conta-nos histórias em forma de segredo. Cantar num volume mais baixo é muito mais difícil do que parece e Luisa fá-lo com mestria, acompanhado de um jazz minimalista, acessível e apetecível ao ouvido.
Foi em Belém que o BANDCOM teve a oportunidade de entrevistar Luisa Sobral, sempre com um ar positivo e descontraído em relação aos próximos passos da sua promissora carreira.
Estiveste a estudar nos Estados Unidos mas a tua carreira está a começar agora mesmo, ou já teve início há um ou dois anos? Quando começou mesmo, após os teus estudos?
Acabei a universidade em Dezembro de 2009, portanto desde janeiro de 2010, já estava em Nova Iorque e começei a tocar lá. Já tinha feito coisas antes, mas estava a estudar, mais do que a trabalhar.
E foi onde? Optaste por te lançar em Portugal?
Tive em NI primeiro e gravei lá um EP. Acabei por vir para Portugal, e dei uma entrevista para a RTP2. Posteriormente, dei o meu cd a um conhecido, que mostrou à Universal (editora). Eles gostaram bastante do projecto e ligaram-me, foi aí que decidi voltar, achando que era a melhor altura para o fazer.
Confirma-se, portanto, a tua vontade de começar aqui, no nosso país.
Sim, aliás acho que é um bom começo o lançamento ser no próprio país. O estrangeiro pode ser um mundo em que, por ventura, eu possa ter mais medo, mas no meu país sinto a simpatia das pessoas, e com esse apoio, sinto-me mais à vontade para ir para fora um dia.
A tua escola nos EUA foi Berklee. O que é que mudou, quanto à tua aprendizagem musical, entre antes e depois da tua passagem por lá?
Mudou quase tudo em mim. Ou melhor, não foi bem mudar, mas eu não sabia quem era musicalmente. Tinha 16 ou 17 anos, é uma fase normal na vida de uma pessoa. Esses 4 anos ajudaram nesse processo de me conhecer melhor como música e como pessoa. Este CD é um produto desse periodo: de todas as pessoas com quem toquei, todas as experiências que tive, pessoas que conheci, da descoberta da minha voz e onde melhor ela se enquadrava – eu cantava rock e pop na altura, foi aí que começei a cantar mais jazz.
Por vezes, certos músicos vêem esse tipo de aprendizagem como apenas um mero acrescento de formação no seu percurso, mas no teu caso foi bastante diferente.
Foi, se fosse mestrado seria só um acrescento, mas era a primeira vez que estava a estudar música, foi uma mudança.
Quando é que te apercebeste da tua capacidade de compor e criar algo só teu, além do tocar e cantar músicas existentes?
Nem sequer pensei bem nisso. Quando começei a tocar guitarra, fazia sentido para mim. Pegava na guitarra e reproduzia o que ouvia na rádio, mas para mim ela era um meio de composição, sempre fiz as duas coisas de uma forma muito natural. Nunca me forçei a escrever, e acredito, pelo que já vi, que normalmente quem escreve nunca se forçou a tal tarefa. É uma coisa que o instrumento nos pede, o que acontece é que as pessoas começam a crescer e a ter medo de compôr, e às tantas existe uma barreira criativa. Não significa que não consigam escrever mas que não têm o à-vontade para o fazer.Quanto mais tempo esperamos, mais difícil isso vai ser.
Ao compores, pensas num artista específico e que gostavas de fazer uma música dessa forma, ou as ideias surgem um pouco do nada?
Depende. Uma vez escrevi uma bossa nova e pensei que gostava mesmo de fazer um tema como o Tom Jobim. E a bossa nova é toda muito parecida com os temas dele. Acontece a nível pontual, ainda ontem ouvi um espiritual negro que gostei muito, e achei que boa ideia criar uma versão mais jazzística disso mesmo. Há sempre coisas que me inspiram, mas também há outras que começo a tocar e não estou a pensar em ninguém nem em nada. Devemos estar sempre atentos a qualquer tipo de inspiração, os músicos, quando criam, têm sempre uma parte de imitação/recriação e isso nunca se consegue evitar, por menos que se pense noutros artistas.
Ficaste em 3º lugar na edição portuguesa de 2003 dos Idolos. Isso foi um incentivo grande para tu apostares numa carreira como música ou já era algo planeado?
Já estava na cabeça. O que os Idolos me trouxeram foi a certeza de que eu não estava pronta, musicalmente, naquela altura. Tive vários anos em que não conseguia ver as minhas performances por achá-las horríveis, agora olho para trás e acho que era normal e que tinha muito para melhorar. Depois do programa, percebi que precisava de ir estudar e perceber quem era mesmo musicalmente.
A tua música tem um toque mais intimista, de concerto pequeno.
Eu adoro concertos pequenos!
Sim, é o estilo de música ideal para esses. Mas será que isto pode ser uma condicionante, para chegar a um público vasto, a um grande número de ouvintes?
Acho que não, hoje em dia há tanta gente a fazer música mais intimista e que na mesma têm muitos adeptos. Recentemente, fui ver o concerto do Michael Bublé no Pavilhão Atlântico e estava a pensar “não sei se gostaria de tocar aqui”. O som não é feito para algo do meu género, e eu gosto de ver o fim do teatro, do pavilhão. O sítio ideal para mim, para tocar, são teatros antigos e bonitos, pequenos mas com história, em que consigo ver tudo lá atrás. Espaços como o Pavilhão Atlântico parecem tão pouco pessoais, isso faz-me preferir sítios mais reduzidos em tamanho. Talvez daqui a uns tempos, se tudo correr bem, pense de forma diferente, mais em grande, mas gosto mais de tocar em locais mais pequenos.
Tocas e cantas num tom muito jazz. O que achas do que se faz nessa área em Portugal? Se as pessoas ligam ao género, se as bandas o tocam?
O que se faz de jazz é muito bom. Ouvi o último CD do Mário Laginha e é muito bom, gosto muito de Bernardo Sassetti, adoro a Maria João.. Para mim das melhores cantoras, acho incrível o trabalho dela. Na Berklee, dizia que era portuguesa, e os meus professores, que tocam com o Paul Simon, são grandes fãs da Maria João. Quando me fui embora, falavam-me dela e eu não conhecia bem, pelo que decidi ouvir tudo o que ela fez. Acho que temos pessoas muito boas. Quanto ao valor que as pessoas dão ao jazz, eu diria que o dão, os concertos estão cheios! E penso que estão a ouvir cada vez mais, o jazz começa a aparecer em restaurantes, cafés, onde não passava tanto. Mais rádios a dar temas do género.. Tenho amigos meus a mostrar-me música que nem sabem que é jazz mas é, artistas como o Jamie Cullum, que toca standards de jazz, com uma voz rockeira, rouca, e que já é mais conhecido.
Estás a começar agora, o CD está aí a chegar ao mercado. Além da Universal, que aceitou muito positivamente o teu trabalho, que feedback tens tido nos últimos tempos?
Sim, até agora tem sido tudo bom. É difícil de ver porque as pessoas ainda não ouviram bem o cd, ainda não viram bem quem eu sou, e elas precisam uma imagem para começar a ter uma opinião formada. Mas tudo o que recebi até agora tem sido muito bom.
Que concertos podemos esperar da tua parte nos próximos tempos?
Tenho concertos agendados para as FNAC de todo o país, no início de Maio vai ser o concerto de lançamento, na primeira semana do mês.
"A Trompa", já no seu sétimo ano de existência, é uma referência incontornável na mundo cibernáutico português em geral e musical em particular. Como foi o início deste projecto?
Primeiro e sinceramente, sem falsas modéstias, não sei se a trompa é uma referência incontornável; pelo menos incontornável. Em todo caso, agradeço a simpatia. Foi um início normal, sem grandes expectativas. Na altura os blogs já estavam em alta e achei boa ideia expressar algumas palavras sobre um tema que sempre me agradou. Nunca imaginei que sete anos depois ainda aqui andaria. Não mesmo.
É um site extremamente completo, como todo o tipo de análises, notícias, links e funcionalidades que nos permitem conhecer a fundo a música portuguesa dos dias de hoje. Vês o esforço compensado, a nível de feedback e impacto real d' A Trompa?
O impacto real nunca sabemos em todo o caso, pelo feedback que vou recebendo, pelo número de pessoas que diariamente continua a visitar a trompa, acho que algum impacto deve ter. Não sei se é uma referência incontornável mas algum papel há-de ter. E tendo, o esforço está compensado. É algo que sempre fiz com todo o prazer.
O que é que levou a que ficasse claro que passar de blog para site era mesmo preciso?
Nada. É curioso mas na minha cabeça a trompa nunca deixou de ser um blog. As rotinas de escrita foram sempre as mesmas. Digamos que apenas o layout do site mudou, assemelhando-se a uma webzine. Mas para mim sempre foi um blog pessoal. Mas percebo que não pareça.
Há algum momento especial que, como autor do site, recordes com alegria, desde a sua fundação?
Não sei, assim de repente, talvez aqueles momentos em que vi a trompa ser referenciada por outros meios de comunicação social. Não aconteceu muitas vezes mas aconteceu algumas.De resto, os convites que me vão fazendo para fazer parte disto e daquilo. É sempre uma honra, mesmo que a alguns não tenha podido responder positivamente.
Que outras colaborações com blogs e sites da área musical existem?
Não há assim grandes colaborações. Digamos que há uma relação de empatia maior com o Sinfonias de Aço (http://www.sinfonias.org/) e o Portugal Underground (http://portugalunderground.blogspot.com/), assim como com o Vai uma Gasosa? (http://www.vaiumagasosa.com/); este, muito por intermédio de um projecto interessantíssimo, o Mapa de Salas (http://mapadesalas.net/). Pontualmente vão-se estabelecendo outras ligações.
Estás satisfeito com o que A Trompa se tornou ou há ideias para melhorar o site no futuro?
Nunca estou inteiramente satisfeito, há mil e uma ideias para o futuro. Infelizmente, o tempo não dá para tudo e algumas dessas ideias vão ficando para trás. Aliás, boa parte do que já existe também vai ficando para trás, com alguma falta de actualização. Enfim, vão-se mantendo atentos que haverá novidades. Haja tempo para avançar com elas.
Qual é a tua opinião pessoal da divulgação da música em Portugal?
Esta é difícil e depende do canal de divulgação e do tipo de música que estivermos a falar. Em todo o caso e em termos abstractos, acho que é insuficiente, pelo menos no que toca à música que se vai fazendo fora do mainstream e do ambiente controlado das grandes editoras. Na Internetfaz-se o que se pode mas de resto, é cinzento o panorama. Vamos ver a atenção que o novo canal da RTP vai dar ao undergound nacional. Vamos ver se não será mais do mesmo. Espero que não. Acredito que não.
Os ENDAY trazem-nos um Punk Rock diferente do habitual, com a contribuição de elementos da música Pop como por vezes de um Rock mais pesado. Esta entrevista surge numa altura em que lançam o seu primeiro álbum, "Green Smoke", um lançamento que promete causar impacto no género em que estes se enquadram.
1 - Como surgiu o nome da banda?
ENDAY é o nome de uma miúda oriental. Achámos que traria boa sorte à nossa banda. Acredita-se numa aldeia na Indochina que quando o nome de uma rapariga é dado a uma banda de rock portuguesa muita coisa boa há-de acontecer.
2 - O vosso projecto já não é propriamente recente. Já conseguem sentir algum reconhecimento por parte do público?
Já há algum tempo que sentimos reconhecimento do público, há alturas em que ENDAY é uma banda mais presente nos palcos e nos media, e alturas em que nos recolhemos para compor e planear novas acções de promoção. Felizmente as pessoas parecem não se esquecer de nós quando tal acontece.
3 - Os ENDAY abordam o punk de uma forma mais melódica e trabalhada. Que acham do estado actual do punk puro e duro?
"Estilo"? "Puro e duro"? ... "Duro" talvez... mas puro nada o é e nem nunca foi... é a consequência de existirem "estilos". Em todos os cantos do mundo hà bandas de rock a tocarem à sua maneira, umas mais Pop outras mais Punk, HardCore, Metal, Grunge ou Emo... Todos os estilos existem no universo musical, até o "Punk Puro e Duro" que referiste... simplesmente hà pessoas que não o tocam e outras que não o ouvem.
4 - Já participaram e ganharam alguns concursos nacionais. Que tipo de projecção eles realmente oferecem a quem os vence?
30 minutos de glória apenas... Se ganhas um concurso para ir tocar ao Optimus Alive deverias ser convidado para tocar nalguns festivais de menor dimensão logo a seguir, mas para ires tocar a esses tens que ir a concurso... Não há nenhum concurso que proporcione uma carreira promissora, nem mesmo o Ídolos.
5 - Lançaram agora o vosso novo álbum, "Green Smoke!". Partindo do vosso caso, quando é que acham que uma banda está pronta para ter um álbum próprio?
Quando ganhar vergonha na cara por ainda não o ter feito. O álbum é o mínimo indispensável para uma banda se lançar.
6 - Já obtiveram algum feedback além-fronteiras?
Assinámos um contrato com uma editora Californiana e contámos com distribuição nos EUA. O feedback que a editora nos reportou foi muito interessante e extremamente positivo. Ainda não assinámos com uma editora Inglesa por motivos logísticos.
7 - Quais são os planos dos ENDAY para o futuro próximo?
Os nossos planos consistem exactamente em não revelar o que vamos fazer num futuro próximo. Os mais interessados têm sempre uma porta aberta no nosso Myspace e Facebook. Fiquem atentos porque temos novidades para breve!!
Uma entrevista diferente, feita com uma editora portuguesa, em crescimento notável no mercado português e internacional. É importante também perceber o que se passa do lado de quem vende e produz os discos, não representassem eles um elemento importante na música. No mínimo interessante, o que a C&T nos tem para contar.
Falemos da Cakes and Tapes e do que tem feito até hoje.
A Cakes and Tapes começou a tomar forma algures no Verão do ano passado, naqueles dias em que não se passa nada e em que todos tentamos arranjar maneiras de salvar o mundo, ou, simplesmente, de arranjar algo para fazer. Em Setembro fizemos os primeiros três lançamentos e atingiremos a primeira dúzia no mês de Março. O nosso principal objectivo de momento é conseguir criar uma base de fãs - não só dos nossos artistas, mas da própria editora - que nos reconheça qualidade e confira credibilidade, elementos necessários para que passemos ao próximo nível e possamos fazer edições mais "arriscadas" e noutros formatos, como o vinil.
Numa perspectiva menos corporativista e mais altruísta, uma das coisas que mais nos orgulharia seria ver os nossos "pequenos" artistas a conseguir assinar por editoras maiores, serem reconhecidos pelo grande público e poderem viver da música. A qualidade de muitos deles não deve absolutamente nada a nomes de que estamos fartos de ouvir falar.
Quanto a dificuldades, a principal será mesmo a credibilidade que ainda não temos junto da maioria da imprensa (online e escrita). Se não houver gente influente a falar bem dos nossos discos, poucos os irão comprar, por muito que gostem. Mas, felizmente, não me posso queixar muito das vendas. Dão para manter a editora activa, mas não dão o alento (leia-se "dinheiro") necessário para fazê-la crescer.
Consegues descrever o maior feito que a C&T concretizou até à data?
Conseguimos fazer com que pessoas que nunca tinham comprado uma cassete na vida o fizessem em pleno início da 2ª década do século XXI. Não somos nenhuns pioneiros, mas nada mau.
Têm investido nas cassetes, além dos CD's. A que se deve esta procura e oferta deste tipo de produto?
Apenas o (belíssimo) EP do Luís Costa tem edição em CD-R, feita pelo próprio autor, já que muita gente disse que gostava de o comprar mas não tinha onde ouvir a cassete. Todas as outras edições apenas existem no belo pedaço de plástico colorido. Escolhemos fazer edições em cassete porque A) os custos de produção, em relação ao vinil, são muito mais baixos e B) ao fazer edições em CD-R, não haveria nada que nos destacasse de tantas outras editoras que o fazem há anos e anos.
As cassetes são visualmente muito mais apelativas que os CDs e tão baratas de produzir. E, convenhamos, se alguém quiser ouvir as nossas edições no leitor de CDs do carro, basta fazer o download gratuito no nosso Bandcamp e gravar um CD. Ou seja, lá no fundo, qualquer um lá em casa poderia fazer o mesmo que nós, caso lançássemos CD-Rs.
O que é que implica a transição de "Netlabel" para "Label", é uma transição tão difícil quanto parece?
Não existe transição alguma, somos ambas as coisas ao mesmo tempo, ou nenhuma das duas. Somos uma "label" especializada em cassetes que não se importa de disponibilizar as suas edições para download gratuito no seu website. Caso não o fizéssemos, alguém o faria noutro sítio qualquer, provavelmente com mp3 de qualidade inferior e sem ligações para o site da editora e do artista, nem um texto a acompanhar. Não queremos com isto dizer que a música deva ser grátis, mas nós preferimos que assim seja. Pelo menos os ficheiros mp3, claro.
Que feedback estão a ter as edições e os artistas publicados pela C&T?
Têm sido cada vez mais bem recebidas, com os blogs da moda a postar as canções e os vídeos, sempre que existem, ou a fazer notícia com a saída dos álbuns. Mas o que nos interessa é que haja mais ouvintes atentos ao que vamos lançando. A nossa última edição, o EP Fade Cave de Yellow Ostrich, corre mesmo o risco de esgotar. O que seria uma primeira vez para nós e um feito assinalável.
O que é que a Cakes and Tapes pode prometer às bandas e artistas que recorrem à editora?
Como é óbvio, já que não temos a influência que grandes editoras têm, não podemos prometer mundos e fundos. Podemos sim fazer com que tenham, finalmente, algo físico que os fãs possam comprar (a esmagadora maioria dos nossos artistas ou é estreante nas lides discográficas ou apenas editou por netlabels anteriormente) e ajudá-los a terem alguma exposição (alguns dos nossos artistas já estão a caminho de editoras maiores).
E, claro, oferecemos toda a ajuda que pudermos para que melhorem o seu trabalho e evoluam como artistas. Na Cakes and Tapes falamos com os artistas como amigos, tentamos que a nossa relação não seja do tipo "patrão-empregado".
Qual é a relevância das netlabels no mercado musical português?
Há netlabels muito boas a fazer um trabalho excelente. Como seria de esperar, grande parte dos melómanos do nosso país negligencia-as (ou grande parte delas). "Se é de borla não presta", "se estão numa netlabel é porque não são bons o suficiente para arranjar uma editora a sério".
A única que tem alguma notoriedade a nível nacional é a Optimus Discos (claro que é patrocinada, claro que tem meios de que muitas editoras sem o prefixo "net" não dispõem, mas não invalida que têm feito um excelente trabalho), mas existem grandes netlabels em Portugal com muita qualidade, constante ao longo dos anos, como são os casos da Enough Records, da MiMi, da Test Tube, da Música Pop Desempregada, entre outras.
Uaninauei é o nome peculiar com que Daniel Catarino nos brinda com mais um dos projectos musicais que integra, entre Long Desert Cowboy, Oceansea, Landfill, Seven Thousand. Desta feita, apresenta-nos um hard rock já a escorregar para o Metal, sempre cantado em português.
É muito bom o som que é produzido por este grupo, muito crú, muito puro, muito directo. É um rock pesado, sem manhas e que vai directo ao assunto. Não há solos espectaculares mas sim riffs cheios de brilho, não há uma voz super poderosa mas há letras capazes de fazer comichão a qualquer um, e no meio disto tudo um ritmo e forças constantes.
Muitas bandas arriscam a opção de passear entre o rock mais pesado e o metal, às vezes acabam por não agradar a nenhum dos lados, mas no caso dos Uaninauei pode-se constatar uma história diferente. Eles exploram imenso essa corda bamba e o perigo que ela representa, sempre com grande mestria, o ouvinte nunca sabe em que ponto está e isso não é fácil de se fazer.
O resultado é este álbum, Lume no Chão. Fica registada, por tudo o que foi dito, um grupo que, tendo em conta uma certa estagnação musical dos dias de hoje, ainda consegue pegar em tendências já gastas e abusadas e torná-las, outra vez, novas. O single Chamas em Mim é sem dúvida a melhor canção, tendo em conta esta crítica que lhes foi feita.
Banda de Penafiel com influências da língua espanhola no seu repertório, apresenta-nos um indie muito dançável, não só pelo ritmo frenético que imprimem nas músicas mas também graças aos sintetizadores muito anos 80 que fazem parte da sua imagem de marca. Apresentam o seu disco, o Separador Santinho, tanto com canções como com declamações de histórias musicadas, fisicamente trazido ao mundo através de uma caixa feita com material reciclado e flanela.
Um design pouco comum para uma banda com música mais abrangente do que se possa pensar. O seu estilo foi também reconfigurado como pop-ish post-punk. Faz sentido, as forma como é cantado leva-nos para um eléctrico powerpop e os sintetizadores remetem-nos para algo mais Joy Division. A acompanhar não podia deixar de estar um baixo que dita as ordens rítmicas ao resto dos seus companheiros, complementado por riffs de guitarra que lembrar algo mais pesado que o puro rock. Quando as histórias são narradas, é nos oferecido uma atmosfera tranquilizante e ideal para escutar a narrativa.
O disco tem um toque muito latino no sentido de abranger diferentes aspectos do ser latino, neste caso a língua portuguesa intercalada com a espanhola. O vídeo de "Osso" já rodou na Sic Radical e o respectivo áudio deu-se a mostrar na Antena 3. E já há bom feedback de algumas referências hispânico-falantes, projectando uma boa recepção deste projecto além-fronteiras.
No meio de tanta especificidade musical, este é um projecto que celebra a música no geral, de uma forma revivalista e futurista. Não se escolheu um determinado género, só uma banda, apenas um artista ou grupo de artistas, para homenagear neste projecto. Apela-se à pluralidade das tendências e à música como motivo para encarar a vida, de uma forma dançável, bem disposta, sempre em movimento, sem escolher um único caminho mas escolhendo todos ao mesmo tempo. Apesar de toda esta wideness, o respeito pelos pais do hip hop, funk, soul, enfim todos aqueles que foram e ainda são dotados de uma apurada Orelha Negra, é enorme, e essa é uma das mensagens que passa, de que devemos respeitar os pioneiros, agradecendo tudo o que eles nos trouxeram, a partir do seu tempo.
Os elementos do grupo já eram parte integrante da banda que acompanhava Sam The Kid nos seus concertos ao vivo, pelo que simplesmente se juntaram para criar algo de raiz. Afirmam que "na forma, os Orelha Negra são hip hop, mas, na essência, são mais do que isso". Hip Hop old school, funk, electrónica e rock, de tudo há neste aglomerado sem fim. A variedade permite obter resultados óptimos e, no fim, alcançar um público muito mais generalizado. A forte carga instrumental é um risco que um projecto toma, mas que até agora tem os seus frutos, indo assim ao encontro da intenção de improviso da banda, permitindo muito mais criatividade. Nada se perde ao terem uma voz baseada em samples.
A banda tem uma vertente extra-musical interessante, usando e abusando do "Sleeveface" para se apresentarem ao mundo, por uma questão de valorização do grupo e não do individualismo, destacando a importância do contributo de cada um para o enriquecimento do projecto como um todo.
Pode-se achar que esta banda tem o destaque que tem pela rodagem que Sam The Kid tem no circuito nacional, mas aviso os mais cépticos que aqui, sim, há talento. São músicos altamente experientes na sua área, e com elevado sentido de estrutura musical (e abertura À sua diversidade), sendo que só assim seria possível criar, com tanta segurança e firmeza, uma sonoridade com este gabarito.
O ano passado foram um dos 5 candidatos a Best Portuguese Act. Em "LORD", temos surf rock misturado com electrónica, em "A Cura" há um cheirinho a electro hard rock. Se gostam de géneros standard, não podem de todo confiar nos Orelha Negra, eles estão a desafiar o estigma dos rótulos do nosso panorama musical, e ninguém os pode parar, facto perceptível nos primeiros segundos das suas faixas.
O nome pouco habitual deixava adivinhar uma sonoridade estrangeira, algo pouco nacional e muito experimental. Ora nenhum dos três está certo,após se ouvir este trio de Lisboa. Fala-se muito ultimamente de pegar na tradição musical portuguesa (Diabo na Cruz, Deolinda), de uma forma mais ou menos directa. As bandas que o fazem pegam sempre nisso de uma forma moderna mas sem desafiar assim tanto os princípios do nosso "folk". Os Guta Naki foram por outra via, mais arrojada.
É cantar português que se ouve, mas a novidade está num electro pop com uma intenção muito influenciada pelo fado. Não nos instrumentos usados pelo fado, nem pela temática das letras, mas pelo tom escuro das músicas. Descrevem-no como "Um fado electrónico com baixo e guitarra…eléctricas", conceito tão claro em "Blues". É uma nova perspectiva no tratamento do som português e sem dúvida uma forma completamente original de concretizar essa intenção.
Um elemento muito importante é a voz da vocalista, Cátia Pereira. A interpretação é extraordinariamente invulgar. Controla, da forma como bem lhe apetece, o volume da voz, tanto chora como grita, tanto é doce como magoa, além de uma dicção perfeita. Por vezes, até nos premeia com rasgos mais soul, com a voz mais abafada. Numa altura em que programas de televisão em busca de grandes vozes imperam, é incrível como vozes destas passam ao lado de toda aquela mediatização.
Outro pormenor interessante é a forma como a banda lida com a percussão, não recorrendo à normal bateria mas sim aos sintetizadores. Em "Blues" nem existe, em "Margarida" sente-se o tom electro da banda (apenas na percussão contudo). Tanto tende para o standard acústico como é usada em modo super-synth.
Estão em tour pelo país, e para quem está a aderir á moda do "Espera aí que estes cantam em português e até soam bem", esta banda é incontornável, sendo um desperdício não lhe dedicar uns bons minutos a escutar o que têm eles para nos oferecer!
Áurea, a nova voz soul portuguesa, vai actuar na FNAC do CascaiShopping, hoje, dia 20, pelas 17 da tarde. Talvez um pouco fora de mão para os habitantes de Lisboa, mas a FNAC transmite o showcase em directo, no perfil do seu facebook.
Oiça, aqui em baixo, as músicas da cantora que chegou recentemente ao 1º lugar de vendas em Portugal. Uma voz impressionante, com o feedback merecido.
Norton é aquele tipo de bandas que se tem vindo a especializar no equilíbrio entre o pop-rock e o electro. Já não é possível fazer essa distinção, pois além de ambos serem usados na mesma quantidade, os seus elementos estão completamente misturados. Antes acontecia uma banda ter uma forma tradicional rock, munida de um dj ou de um sintetizador. Mas o que aparece mais actualmente é a mistura de samples de beatlines com a guitarra ou o baixo da música convencional. Se antes os elementos de dj eram um pequeno acrescento, agora tornaram-se actores principais.
Esta banda de Castelo Branco traz-nos um pop samplado, tanto melancólico-dançável como groovy-dançável. Mas sempre a apontar para as pistas, seja qual for o mood. Também se faz sentir uma intenção de prog music, o final da música fornece sempre uma perspectiva mais completa da mesma, na riqueza dos elementos musicais que a constituem, sem que algum seja abafado por outro, havendo sempre complementaridade.
Lançaram recentemente o seu novo single, "Two Points", mas no passado já tinham lançado o Make Me Sound E.P. (2003), Pictures From Your Thoughts (2004). A música com mais visibilidade é um cover do "Pump Up The Jam"(1989), dos Technotronic, em que está reflectido toda a análise que foi referida: o equilíbrio electro-pop está lá sem tirar nem pôr, muitas influências juntas, uma só sonoridade tão personalizada.
Vem aí novo álbum, que foi gravado em 2010, a sair até Março/Abril, isto depois da banda ter vindo de uma tournée pela Europa e de uma das suas faixas ter feito parte da banda sonora de "Um Funeral à Chuva", filme português realizado por Telmo Martins.
Frankie Chavez actua em formato one-man-show. Hoje em dia, quando cá se ouve falar neste modelo de actuação, inspirado nos primeiros músicos de blues, que usando os pés para a percussão e as mão as para a guitarra, contando com a eventual ajuda de uma harmónica, pensa-se no mediático Legendary Tigerman (Paulo Furtado). Mas Frankie Chavez pouco tem a ver com o projecto a solo do também líder dos Wraygunn.
Tem uma sonoridade mas rock e pop ao mesmo tempo, sendo um pouco mais técnico do que o músico de Coimbra. Frankie usa e abusa do slide, quer quando toca em acústico ou com mais distorção. A percussão acaba por ser variada, havendo tarola, baixo, por vezes pandeireta. Por vezes, também recorre a wah-wah e a loops para mostrar a sua música. Mas o grande destaque é mesmo a forma como o slide toma destaque em tudo o que Frankie toca. É o calor da música que ele produz, alternando entre o country, o blues e o folk, trazendo à tona a versatilidade do artista.
As letras escritas por FC retratam viagens, andanças de um lado para o outro, à boa maneira blues. É também dos poucos músicos toca guitarra portuguesa à maneira blues (ouvir "The Search"), isto é, com as notas e os arranjos deste estilo, sem que se perca a sonoridade lusitana do instrumento. Fez a banda sonora de "Pare, Escute e Olhe", um documentário sobre a resistência ao fim do serviço do comboio da linha do Tua, da autoria de Leonel de Castro.
O artista prova-nos que o estilo de One Man Band está longe de estar incompleto quando realmente se tem talento. A panóplia por ele usada - vários pedais, vários elementos de percussão, 2 microfones, o slide - tudo isso ajuda muito à qualidade da sua música, mas não deixa de haver puro talento ali presente. Quer no fabrico de um blues melancólico, quer num mais ritmado e quente, Frankie Chavez é um valor enorme da música feita em Portugal.
(Para fazer download do seu disco, registe-se gratuitamente na Optimus Discos e descarregue o disco)
Os Soulbizness trazem-nos um funk/soul fresco, tendo como aliado um tom electrónico de atitude old school. Vencer o TMN Garage Sessions e ir ao sudoeste de 2007 foi só o começo.
Há quanto tempo fazem ou estão envolvidos em música, a nível individual, e como começou esse contacto?
O Filipe Campos é guitarrista, teve aulas de musica durante anos. Eu, comecei a tocar baixo aos 17 (1998), mas nunca levei a musica a sério. Em 2006 dei conta que já tinha muitos projectos de canção no computador que tinha ido fazendo através de E-mail com o Filipe. Decidimos formar uma banda e concorrer ao TMN GARAGE SESSIONS, em 2007.
A vossa música oferece um funk/soul electrificado. Conseguem dizer exactamente as vossas influências, quer do lado funk quer do lado mais electro?
Shuggie Otis, Ed Motta, Stevie Wonder, Sakamoto, Vinicius de Moraes, The Clash, J Dilla, Minnie Ripperton, Toquinho, Prince, Gil Scott-Heron, N.E.R.D, George Clinton, Raphael Saadiq, Cool Hipnoise, Chromeo, Tim Maia, Steely Dan, Jamie Lidell, Sam Sparro.
O funk/soul é um género de uso constante mas que pode ter estagnado musicalmente. Dar-lhe um toque electrónico é a solução para o manter vivo?
O Funk está tão estagnado como o Rock, ou o blues, ou house, ou o electro. Isto para dizer que não sei se a palavra "estagnado" é a mais correcta. É um estilo que tem evoluído para muitas roupagens e sonoridades, vai de James Brown, a George Clinton (Funkadelic e Parliament), a Jamiroquai, a Chromeo ou Sam Sparro, a Dâm Funk.
Electrificar o Funk não é uma novidade, o que o faz manter vivo são as boas canções. Concordo que no século XXI se deva dar um som fresco, mas não acho que o clássico tenha perdido a validade, principalmente se falarmos do Soul, basta ouvir Any Winehouse para perceber que o classico continua a soar bem e a ter sucesso planetário.
O TMN Garage Sessions de 2007 acabou por ser o vosso lançamento no mercado musical. Depois desse hype inicial, e de assinarem o contracto com a EMI, como está o reconhecimento dos Soulbizness em Portugal?
Podia estar melhor. Sentimos que fora de Lisboa o nosso nome não é muto conhecido. É um caminho que fazemos aos poucos e com o maior gosto.
Qual foi o concerto que vos correu melhor até hoje e que lembram com mais saudade?
Tivemos o da semana académica de Lisboa, o do Lux, outro agora há pouco tempo no Santiago Alquimista, o do Rock in Rio... Vários, é dificil escolher um.
Pela vossa experiência, o que acham de criar e desenvolver uma banda em Portugal?
Considero que os Soulbizness tiveram sorte, pois mal nasceram, ganharam um concurso com projecção. Isso foi muito bom a vários niveis, contudo representa muito pouco a médio e longo prazo. Ter uma banda, ou fazer o que quer que seja em Portugal (menos jogar futebol), representa um esforço pessoal muito grande, um investimento de tempo e dinheiro. Pára nós, que sentimos os Soulbizness como um hobby e não somos musicos profissionais, é gratificante ver o projecto evoluir e crescer lentamente. Para um musico que precise de viver de uma banda, presumo que o nosso país seja um pesadelo.
Quanto à exportação da vossa música, está a acontecer ou estão a pensar nisso?
Não estamos a pensar na exportação, até porque ainda há muito trabalho de reconhecimento para fazer dentro de portas. Até ao momento, tudo o que fazemos é de peito aberto para a internet. Não há nenhum plano de nos mostrar lá fora, a não ser ter páginas em redes sociais e partilhá-las com pessoas de outras nacionalidades.
O funk sempre foi dançável. Foi do funk que nasceram as primeiras músicas viradas directamente para a dança, se não contarmos com o rock'n'roll. E o soul sempre teve um lado mais soturno, etéreo, calmo e flutuante. Os Soulbizness conseguem oficializar essa caracterização inserindo influências electro nestes dois estilos. Esta mistura provoca um estilo muito completo, pois o equilíbrio entre os dois elementos (funk-soul vs electro) nunca é posto em causa, não os conseguimos separar.
Esta banda apareceu aquando do concurso de bandas TMN Garage Sessions, do qual foram os vencedores, ganhando um lugar ao sol no Festival SW 2007. Foi aqui que se lançaram a nível nacional. A forma fresca como eles encaram as suas influências também contribui para isso. Conseguimos também detectar influências de dj's de outros tempos, como Grandmaster Flash (pai do "scratch" e um dos fundadores do hip hop djing). A sonoridade deste grupo parece um encontro acidental entre o Jamiroquai e Flash.
A nível instrumental, temos uma boa diversidade. Temos linhas de guitarra ou de slap bass, que são sobrepostas por samples electro (mais especificamente electro brass), secções da faixa altamente funky para depois se tornarem num pequeno ska ou numa balada mais suave. Um conjunto como este nunca poderia descurar a importância do baixo como um dos principais actores, e não o fazem. Seja em slap, em puro acompanhamento ou em pequenos solos, com o arranjo igual à guitarra, o baixo nunca falha, e isto é essencial para uma boa banda funk triunfar.
No meio de wah-wah's, violinos muito funk, um bom vocalista, um óptimo baixista e um grande uso dos diversos samples usados, há muita originalidade. A estrutura das músicas tem um lado muito standard, muito rock, não usando o padrão de música de dança, que abusa da parte instrumental e tem pequenos apontamentos vocais. Têm a lição toda sabida, os Soulbizness.
Tendo em conta o objectivo deste blog, seria desprezível e quase negligente não falar dos Diabo na Cruz. Muito já se falou deles, pouco já há a dizer. Ou será que não há mais nada a dizer? Há pois. Não fossem eles a nova vanguarda da música portuguesa. Fazem parte de uma geração de músicos que finalmente valoriza a tradição musical portuguesa, sem esquecer a actualidade musical do século XXI.
Quer nas letras quer nas músicas se percebe esta ponte. As letras são em português e retratam um mundo menos urbano e um universo lírico não tão actual como a atitude da banda. A musicalidade é tocada com guitarras eléctricas e arranjos para as mesmas que podiam ser tocados nos Strokes ou em qualquer banda de Garage Rock, mas não, aqui toca-se música portuguesa - verdadeiramente falando.
A nível de sonoridade, há dois aspectos fundamentais a destacar: as segundas vozes e a braguesa. O primeiro dá um tom tradicional a nível das vozes, até diria celtibérico aos arranjos vocais. O segundo completa a influência da tradição musical do nosso país, tendo o jeito corrido do cavaquinho e o som doce e reconfortante da guitarra portuguesa.
Os músicos que constituem a banda não são amadores nem iniciados no ramo. Jorge Cruz, o vocalista, já anda no mundo da música há mais de 10 anos, tendo tido outros projectos colectivos e um a solo, sem o sucesso do actual. B Fachada tem nome no actual panorama nacional, a solo. Contam com a participação de Sérgio Godinho na faixa "Combate com Batida", em que nos apercebemos que este grande vulto da música lusitana deveria ter feito parte da banda, pela forma como a sua dicção e forma de cantar se assemelha à atitude dos Diabo na Cruz.
Ao vivo, são uma explosão de boa disposição, sabendo comunicar com o público, sabem cantar e tocar como o público quer, e de alegria dançável, mas o que eles melhor transmitem é o orgulho em ser português. Cantam na língua mãe, e Jorge Cruz canta bem, falam da cultura portuguesa, da vida portuguesa e do ser português em geral. Brincam, retratam, criticam, enaltecem, mandam abaixo.
Dada esta mescla entre o passado e o futuro da música, são, sem tirar mérito aos Homens da Luta, a melhor escolha actual para o festival da Eurovisão, em que os grupos que mais têm sucesso pegam sempre na mesma fórmula de sucesso: música tradicional entranhada em música actual. Os Diabo na Cruz não nos deixariam mal.
Tudo começou com participações em bandas sonoras na televisão portuguesa, com "Okay Alright", um música com um cheirinho a verão e a reggae, de 2008. Agora em 2011, chegou ao primeiro lugar do top de vendas nacional. Os mais desconfiados vão estar a pensar que, tendo em conta que está em primeiro do top, e é portuguesa, a música não pode ser boa. Infelizmente o top de vendas português brinda-nos com esse facto de vez em quando.
Não desta vez! Áurea tem uma voz na mesma onda que Duffy, um toque de Amy Winehouse também, mas muito natural, nada é muito forçado nos seus rasgos vocais, percebe-se que está a fazer aquilo da forma com que sempre o fez. De notar que Áurea não teve formação musical prévia, e cresceu a ouvir e a cantar fado.
Aparte da sua enorme voz, o background instrumental que a acompanha está à altura de uma cena musical soul avançada. Temos piano, orgão blues, sopros típicos como os trompetes e sax (brass no geral), backing vocals e a guitarra com um toque muito funk. Em "The Main Things About Me", até ouvimos o baixo a solar como se estivéssemos a ouvir uma jazz band. Nas faixas "Busy For Me" e "The Only Thing That I wanted" temos um soul mais tranquilo, calmo e suave, mais romântico no sentido lato da palavra. Soul não é soul sem este tipo de canções. "No no no no" oferece-nos um registo que chega a soar a rock n roll, mas que nunca larga a sua raíz do RnB mais antigo.
É uma lufada de ar fresco na nossa cena musical. Uma grande voz, muito bem acompanhada, que interpreta um estilo que já foi muito usado de uma forma, ainda assim, cativante. Chegou ao top pela sua grande voz. E apesar de ter participado com uma música numa novela portuguesa, não é só por isso que chegou aonde chegou, pois uma voz destas teria que lá chegar obrigatoriamente.
No próximo dia 17 de Setembro a A.M.A.E.I. - Associação de Músicos Artistas e Editoras Independentes regressa com o seu ciclo de "workshops" ao Centro de Inovação da Mouraria / Mouraria Creative Hub. Desta vez, para se discutir a partir do tema "PLATAFORMAS DE DISTRIBUIÇÃO DIGITAL – Como navegar as águas digitais maximizando as fontes de rendimento do streaming". A partir das 15h, levem todas as perguntas a quem já está a responder à questão "Why Portugal?" com um roteiro organizado e completo até 2017 e mais além. Se achamos que devem inscrever-se? Esta é também a vossa luta e o CIM será, concerteza, o local onde deverão estar neste Sábado à tarde.
DESTAQUES DE AGENDA (diariamente em facebook.com/bandcom)
MAIO NO MAUS HÁBITOS - ESPAÇO DE INTERVENÇÃO CULTURAL, Rua Passos Manuel, nº 178, 4º andar, Porto 4/5: Downtempo (DJset) // 5/5: Revolution Is My Boyfriend (DJset) // 6/5: Birds Are Indie + Nuno Dias + Jonathan (DJset) // 7/5: ARENA + Xico Ferrão (DJset) // 10/5: Milonga // 11/5: Downtempo // 12/5: "Hazul" de Mariana Lopes & Rui Nó + D-One // 13/5: Quelle Dead Gazelle + We Are Open Season + Vicente Abreu (DJset) // 14/5: CRU + White Haus + Jonathan (DJset) // 18/5: Shortcutz Porto + Downtempo (DJset) // 19/5: Granada + Lounge Of The Villains // 20/5: Ganso + One Yellow Jack + Vicente Abreu (DJset) // 21/5: Groove Ball + Márcio (DJset) // 25/5: From 20's to 00's - Rita Braga & André Tentúgal // 26/5: [re+act(ion)]AV + Belle And The Bear (DJset) // 27/5: Savanna + A Boy Named Sue, Sun And Moon + Xico Ferrão (DJset) // 28/5: Yucca Calling + Shuggah Lickurs + Matéria Prima (DJset)
MAIO NA CASA INDEPENDENTE
MAIO NA CASA INDEPENDENTE, Largo do Intendente, nº45, Lisboa 1/5: Festa de Encerramento do IndieLisboa // 5/5: Teatro - "Um Auto Para Jerusalém" // 6/5: Karyna Gomes & Mü + Lucky (DJset) // 7/5: Jameson Jungle Fever com Fogo-Fogo // 13/5: Serviço de Quarto (DJset) // 14/5: Ora Cogan // 20/5: Blood Sport // 21/5: Señoritas // 24/5: A Torre Vai Cair (Serões de Poesia na Casa Independente) // 25/5: CASAL BOSS (DJset) // 27/5: Quim Albergaria (DJset) // 28/5: Donas São Como Divãs (DJset) // 29/5: Laura Stevenson
MAIO NO SABOTAGE CLUB
MAIO NO SABOTAGE CLUB, Rua de São Paulo, nº16, Lisboa 4/5: La Chanson Noire + Nuno Calado (DJset) // 5/5: Morte Incandescente + David Polido (DJset) // 6/5: The Ghost Wolves + Terminal Lx + Nuno Do Roque & David Polido (DJset)// 7/5: Madrepaz // 12/5: Festa do 3º Aniversário com Soviet Soviet + Clementine + Egbo + Nunchuck & David Polido (DJset) // 13/5: Filho da Mãe & Ricardo Martins + Evols + Birds Are Indie // 14/5: Messer Chups + The Japanese Girl + A Boy Named Sue & Mr. Groovie & David Polido (DJset) // 16/5: Black Rainbows + Miss Lava + David Polido (DJset) // 19/5: The Black Wizards + Asimov + David Polido (DJset) // 20/5: Twin Transistors + Serushiô + João Peste (DJset) // 21/5: The Sunflowers + Fugly + Candy Diaz & Tiago Castro (DJset) // 25/5: The Wonderland Club: Rock n' Soul Party // 27/5: Reverence Underground Sessions com Mão Morta + Yggdrasil & Exploding Boy (DJset) // 28/5: Reverence Underground Sessions com Mão Morta + João Peste (DJset)
EXIB MÚSICA 2016
QUINA DAS BEATAS SETEMBRO-DEZEMBRO 2015
QUINA DAS BEATAS SETEMBRO-DEZEMBRO 2015, 26 de Setembro - 18 de Dezembro, Centro de Artes do Espectáculo, Portalegre 26/9: Postcards // 2/10: Secret Lie // 9/10: Inmyths // 16/10: Destroyers of All // 30/10: Omega Sins // 6/11: Miura // 13/11: Motel Pantanal // 20/11: Moonshiners // 4/12: Anderskor // 11/12: Sabão Azul E Branco // 18/12: Psicotronics
TOUR CONJUNTA KATABATIC + JUSEPH + MEMOIRS OF A SECRET EMPIRE
TOUR CONJUNTA KATABATIC + JUSEPH + MEMOIRS OF A SECRET EMPIRE 10/12: Teatro CITAC, Coimbra
11/12: Texas Bar, Leiria
18/12: Musicbox, Lisboa
TALKFEST - INTERNATIONAL MUSIC FESTIVALS FORUM
TALKFEST - INTERNATIONAL MUSIC FESTIVALS FORUM, 3 e 4 de Março, FIL, Lisboa Conferências: Miguel Fernandes, Raúl Duro, João Goulão, Pierre Aderne, Rita Amado, Roberto Mulassano, Paulo Bastos, Teresa Nicolau, Alexandra Ho, Almudena Heredero, Raúl Ramos, Andrés San José, Roberto Carreras, Bernard Seco, João Pinto, Filipa Galrão, Francisco Oliveira, Paulo Silva, Miriam Carmo, Nélson Tiago, Sandra Abrantes
Apresentações Profissionais: ASAE, Planet Core e Ponto D'Observação
Documentários: "This Is Our Work!"
Concertos: Benjamim
Seminários: Lift, Triciclo, CISION
NOS PRIMAVERA SOUND 2016
NOS PRIMAVERA SOUND 2016, 9-11 de Junho, Parque da Cidade, Porto
NOS ALIVE 2016
NOS ALIVE 2016, 7-9 de Julho, Passeio Marítimo de Algés, Lisboa
VODAFONE PAREDES DE COURA 2016
VODAFONE PAREDES DE COURA 2016, 17 a 20 de Agosto, Praia Fluvial do Taboão, Paredes de Coura
REVERENCE VALADA 2016
REVERENCE VALADA 2016, 8-10 de Setembro, Parque de Merendas de Valada do Ribatejo
Director-geral: André Gomes de Abreu Edição-geral: Emanuel Graça João Gil Colaboradores:
Andrea Baggio
Diogo Marçal
Duarte Azevedo
Joana Jorge
João Ribeiro
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Hugo Hugon
Inês Martins
Marcelo Franca
Marco Duarte
Mickaël C. de Oliveira
Ana Pereira (fotografia) André Branco (fotografia) Daniel Sampaio (fotografia)
Daniela Silva (fotografia)
David Cachopo (fotografia)
José Vidal (fotografia)
Luís Cunha (fotografia) Maria João Ferreira (fotografia)
Raquel Lemos (fotografia)
Rodolfo Rodrigues (fotografia) Convidados:
Joana Nicolau