sexta-feira, 8 de abril de 2011

V Purple Sessions - Rescaldo

Decorreu nos dias 29 de Março e 5 de Abril, no MusicBox em Lisboa, o concurso de bandas V PURPLE SESSIONS, organizado pelo Núcleo de Rádio da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Os prémios destinavam-se ao primeiro e segundo lugar.

(a reportagem fotográfica disponível refere-se apenas ao primeiro dia, visto que não foi possível cobrir de tal forma o segundo)

1º - 200 euros em material técnico e direito a participar no Arraial de Farmácia
2º - 100 euros em material técnico

DIA 29


Os primeiros a entrar em palco foram os Máscara. Cantam em português e apresentam um rock com tendências grunge muito fortes. Quem pauta a força da música da banda é a bateria, com golpes fortíssimos e ritmos simples mas compactos, sempre um forte acompanhamento.

Usam muito distorção aliada ao reverb, com um certo cheiro a metal (no que toca a atmosfera proporcionada), proporcionando por vezes uma confusão sonora intencional, com solos e ritmo a confundirem-se, juntamente com os gritos (quase de) guerra do vocalista. Dão imensa importância à parte instrumental, não desprezando a voz mas mostrando que gostam de dar destaque aos potentes riffs e powerchords das suas guitarras.


O funk electrizante e frenético dos Trip Inn foi o que se seguiu. Muito groovy, muito danceable, cheio de wah-wah's e acima de tudo cheios de presença em palco. Os Trip Inn são constituídos por 5 elementos com elevadas noções técnicas do instrumento que tocam, e desenganem-se se acharem que o vocalista passa despercebido pois a sua energia é contagiante, não pára um segundo! Destaque para o saxofonista, que domina o sax a 200%, com solos, acompanhamentos, tudo. E toca guitarra também.

A estrutura dos solos que as músicas têm é parecida com o jazz, em que cada instrumento tem direito ao seu. Mas fica na retina o facto de todos terem imenso talento individual e serem tão coesos quer como grupo musical, quer como artistas de palco.


A fechar o dia 29 foram os Strap 58. Tocam um indie alternativo, com influências de Placebo, nomeadamente na voz, mas com personalidade e marcada dureza. Apostam na sonoridade e não na complicação dos seus temas, sentindo-se muito o ritmo das canções, muito mais do que eventual técnica. Podemos constatar também a presença de um certo soft punk, ou um punk não tão rápido.

Nota positiva para o baterista, que dá uma cor completamente tonificante à banda, de uma forma muito técnica. A nível nacional, consegue-se traçar uma ponte entre os Strap 58 e os Enday.



DIA 5

Foi o único trio do concurso que começou a noite de dia 5 de Abril. Misturam músicas em inglês com portuguesas, tocando um rock acessível aos normais ouvidos. Nota-se, na sua boa disposição e postura descontraída de palco, que já estiveram em inúmeros concertos. O baterista é o elemento em destaque, com vários ritmos no seu repertório, um sentido rítmico fora do normal. Tocaram algo raro no rock, um instrumental, muito forte, cheio de poder e variedade.

O approach deste trio é muito punk, nem bem pela música que tocam. Os Jack & Dante têm letras provocantes e brincalhonas, um contacto único e muito natural com o público e a sua boa disposição levam a esta afirmação.


Os Superclarks foram dar um toque tipicamente indie ao concurso, sem falsas manhas e falsas intenções de não o querer fazer. Mais do que trazer música totalmente importada de Inglaterra, este trio recentemente reforçado por um segundo guitarrista mostra energia e frescura num género já complicado de pegar. Sente-se a intenção britânica na voz e nas mudanças de ritmo das canções, mas os SC até que decidiram arriscar com um ritmo de samba como ideia introdutória de uma faixa indie-rock.

O melhor som é "Hold On", disponível no seu MySpace.

Para terminar o concurso, o indie puro dos 9livecats. Comparando com o indie das bandas anteriores, é muito mais clean, soft, e até mais calmo. Conseguem ser uma banda tipicamente indie, ainda que hoje em dia seja complicado explicar essa definição, mas parte-se do princípio que indie é esticar o pop até ao máximo, sem distorções, sem complicações e quase sem um rumo a tomar.

Em primeiro lugar ficaram os JACK & DANTE, seguidos pelos TRIP INN. Parabéns às 6 bandas participantes, e à boa organização deste evento.




2 comentários:

hugon disse...

Gostaria de aconselhar a seja quem for que escreve este texto "indie indie indie indie indie" que pare de escrever, ou pelo menos, pense duas vezes antes de criticar música. Porque ser crítico, ou pelo menos algo parecido, envolve alguma responsabilidade.

Com as minhas saudações tipicamente indies, gostaria de relembrar que a música, por vezes não se resume a um género. É mesmo música! , não um carrossel de clichés atabalhoadamente copiados da revista Ypsilon

BandCom disse...

Crítica aceite! ;)

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