A casa é de Pedro e Inês Magalhães mas, uma vez por mês, é lugar de concertos íntimos mas de portas abertas a todos os que queiram comparecer no nº10 da Avenida da República, em Lisboa. É desta forma que entre as 18 e as 20 horas, 12 Domingos por ano, acontece magia nas MAGASESSIONS.
Todavia, neste mês, o primeiro Sábado na Casa Independente faz-se a partir das 15 horas dos mesmos pretextos, com vários dos músicos que já passaram pelas MAGASESSIONS, outros com estreias por fazer nestas sessões ou mesmo em formações quase desconhecidas dos palcos. Um MAGAFEST, a primeira edição de um pequeno "mega-festival" para assinalar de forma especial os bons frutos de quase três anos de agir e experimentar.
Ultrapassada a economia de escala, há razões para pedirmos à Inês um exame cronológico das MAGAS e do que ainda está para vir.
BandCom (BC): Como é olhar para o desenvolvimento das MAGASESSIONS e da sua relação com os músicos após estes 2 anos? O que sentem? Surpreendidos?
Inês Magalhães (IM): É incrível! Feliz é a palavra certa, durante estes dois anos fui construindo as MAGASESSIONS de uma forma constante sem tentar dar um passo maior que a perna, e as coisas naturalmente foram acontecendo.. Acho, e aqui falo
também por eles, que o que falta é fazer, as ideias passarem para além de
ideias, e realmente haver a sua construção, mas para isso é preciso trabalho.
O MAGAFEST vem com a mesma naturalidade, o público foi crescendo, e para
um evento como este a minha casa pela estrutura que tem não consegue
receber o mesmo número de pessoas que a Casa Independente.
BC: Convidar artistas para actuar na tua própria casa é afinal mais altruísta do
que se possa imaginar quando se pensa no assunto pela primeira vez?
IM: Talvez sim, não sei, diz-me tu. As MAGASESSIONS nasceram da necessidade de
ter um espaço que fosse tratado com respeito e determinação por quem o
tivesse, para os músicos que não são ainda conhecidos pudessem vir e
apresentar o seu trabalho, dar o seu primeiro concerto ficando com material
para se promover - vídeo e fotografia, e mesmo músicos que já todos
conhecemos mas que querem este espaço, a intimidade que as MAGA podem
oferecer, seja para o lançamento do novo álbum de forma a sentirem de perto
a reacção das pessoas, como para duplas improváveis, ou experiências que
andam a fazer.
BC: E queixas dos vizinhos?
IM: Felizmente para as MAGASESSIONS não tenho vizinhos, o prédio é quase todo
só [para] empresas mas, de qualquer forma, os concertos acontecem uma vez por
mês aos Domingos das 18h às 20h. Parece-me que seria bem acolhido caso os
tivesse.
BC: Diz-se que o público português é um dos mais calorosos da Europa e até do
Mundo. Contudo, e quando parece que muitas vezes as palmas e as
gargalhadas não permitem ultrapassar o distanciamento de um músico que
continua lá num “pedestal enorme” e imaginário, parece-vos que o público
que entra por vossa casa apercebe-se e explora a oportunidade que tem de
contactar de uma forma especial com quem lá vai mostrar algum do seu
trabalho?
IM: Sim, provavelmente por o projecto se destacar da oferta que há neste
momento, apresentando um formato fora do vulgar, alternativo e mais
receptivo ao diálogo e contacto entre convidados e músicos, [para] quem vem
assistir a um concerto nas MAGASESSIONS, a primeira reacção é de espanto por
terem as portas abertas e conseguirem usufruir de um espectáculo onde eles
próprios fazem parte. Mas não por parte do público como também dos
próprios músicos que gostam dessa intimidade com quem os ouve, de
poderem sentir à distancia de um braço a reacção do que vão tocando.
BC: O cartaz do MAGAFEST é uma boa montra do que acontece nas MAGASESSIONS
uma vez por mês? Vamos ter um festival inteiramente dedicado à música?
IM: Sim, a primeira edição será completamente dedicada à música.
BC: Segundo o site das Magasessions, embora sejam uma minoria, alguns dos
artistas presentes no Magafest não puderam tocar na vossa casa até à data.
Continua a ser mais a vossa preferência e amizade que ajuda a determinar a
sua presença neste festival ou agora também a relevância e adequação ao
conceito de uns Memória de Peixe ou de um JP Simões o acaba por justificar?
IM: A maior parte dos músicos que integram o cartaz já foram tocar às
MAGASESSIONS, inclusive um dos Memória de Peixe (de que fazem parte o
Miguel Nicolau e o Marco Franco) que veio dia 28 de Abril de 2013 com o
Rodrigo Pinheiro dar um belíssimo concerto; mas mesmo os que não foram
como é o caso do Bruno Pernadas e JP Simões, por se identificarem com o
projecto e também por quererem dar força a este tipo de iniciativas aderiram
com entusiasmo logo que lhes propus.
BC: Que magia para um concerto representa o ideário de um Domingo ao final da
tarde para vós?
IM: Para mim, um bom concerto é aquele que sem notares começaste a viajar e
quando dás por ti é porque estás a voltar.
BC: Poderia ter havido outro local, mesmo ao ar livre, a acolher este MAGAFEST que
não a Casa Independente ou para que continuasse a ser especial não poderia
passar da Casa do Pedro e Inês para outra casa qualquer?
IM: Gosto de dizer que a Casa Independente, tal como a minha, é uma casa
igualmente livre, por isso, e também pela linha musical, gráfica ou a própria
casa, não poderia ter sido noutro sítio a primeira edição do MAGAFEST.
BC: Abrirem a vossa casa desta maneira é uma militância, uma forma de também
desafiar a cidade e os seus agentes culturais a abrirem mais portas para os
artistas, inclusivamente até para ensaiarem?
IM: Sim, quando tens tantos músicos a aparecerem, ou ainda outros a criarem
projectos que saem da estrutura seguida pela maior parte das casas,
acontecem projectos assim. A razão porque as MAGASESSIONS apareceram,
continuaram e vão já no próximo sábado dar um MAGAFEST é precisamente
pela necessidade de isso acontecer.
BC: Que futuro têm pensado para as MAGAS?
IM: Continuar em Outubro a dar espaço à música e aos músicos, e para o ano a
segunda edição do MAGAFEST.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
INÊS MAGALHÃES (MAGASESSIONS, MAGAFEST) - Entrevista


André Gomes de Abreu
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