domingo, 17 de fevereiro de 2013

O ABOMINÁVEL + CAPITÃO GALVÃO + GLASS IN THE PARK @ Casa Independente, 1/2/2013 - REPORTAGEM


Pouco tempo depois de ter aberto ao público para receber uma das eliminatórias do Festival Termómetro, a Casa Independente foi palco de mais uma noite dedicada a projectos musicais portugueses com talento e com necessidade de embarcarem em voos mais altos.


A começar a noite esteve o quarteto de Almada Glass In The Park, dedicado a apresentar o seu EP de estreia "Empty Pockets Tell The Story". Não são propriamente ideias inovadoras (não procuramos utopias, é verdade) as que os Glass In The Park têm para a sua música, mas em palco vemos um prolongamento da intensidade in your face que o EP nos transmite por via de uma banda que começa a estar cada vez mais entrosada passadas várias experiências. Quanto a sonoridade? Pop-rock daquele com travos emo (como em "Decoding Love", uma das canções mais interessantes da banda) que cada vez mais fazem parecer realmente alternativos quem ouve, mas só isso. Neste caso, entre ecos da América musical como indústria à escala global, o que se presencia dos Paramore (ao vivo e de estúdio) é um bom começo para açambarcar pontos de contacto entre várias vivências de um Mundo só. No final da actuação, os Glass In The Park fizeram o seu papel: deixar-nos acreditar que o talento trabalha-se e que mais coisas, e melhores, virão.


João Gomes, André Mendes, Alexandre de Sousa e Tiago Galvão formam os Capitão Galvão , a banda que se seguiu, levada em ombros durante toda o tempo que estiveram em palco por uma plateia com muitos fãs. Ao contrário do que "Tentativa e Erro" nos mostra, nesta noite os Capitão foram uma unidade muito desconexa em palco, entre Mars Volta a ribombar, Godspeed You! Black Emperor como trave-mestra de quase tudo o que se quis fazer ouvir e diversas passagens que enclausuraram várias músicas diferentes dentro de algumas, com resultados de franca indigestão. Se queremos os Glass In The Park a expandir horizontes, queremos os Capitão Galvão a cingir-se ao post-rock de que não vão ser revolucionários mas deverão, tal como as últimas (e novas, como "Tigre") músicas que apresentaram, ler como um livro, dedilhando guitarras e transmitindo verdadeiras emoções.


A encabeçar o cartaz, O Abominável, como uma das bandas que passou pelo Festival Termómetro, aproximava-nos ainda mais dessa memória recente. "Que Só O Amor Me Estrague", o EP de estreia, é uma perfeita desilusão no caminho que se esperava conhecer e nem o single "Nada Passa Sem Ficar" nos salva totalmente desse filete agri-doce de rock poderoso, com mensagem mas sem chama e amarrado a lugares comuns que dão para poucas milhas de viagem (Ornatos Violeta sendo o mais fácil de apalpar). Entre excesso de intensidade com patrocínio das águas Fastio, o colectivo sublinhou perfeitamente a necessidade de trabalho e polimento que é comum a estas três bandas. A actuação trouxe uma versão de "Canção do Engate", de António Variações, e mais algumas músicas como "Rasto" e "Isabel" que ofendem (elogio) com dedos grandes a escolha indiferente de músicas para o EP de estreia.




Lisboa foi, deste modo e nesta noite, para os lados do Intendente, a companheira de mais uma noite que caiu, tal como todos os termómetros que sofreram com tantos e bons decibéis.


André Gomes de Abreu

Fotografias por Inês Parro
(galeria completa na nossa página de Facebook)










4 comentários:

Francisco Desidério Oliveira disse...

boa merda de review. ser levado ao ombro por uma plateia é mau?

este blog é a prova de que hoje em dia qualquer aborto pseudo-intelectual faz um blog e caga os pensamentos para lá.

The Messenger disse...

fica nesta review provado que o que se quer hoje em dia é que as bandas não arrisquem e se fiquem pela zona de conforto. Também é de muito mau gosto dizer que a "Canção do Engate" ofendeu a escolha do alinhamento, quando foi um dos momentos altos da noite que ajudou a unir o público que pela tardia já começava a dispersar.

The Messenger disse...

*hora tardia

BandCom disse...

Francisco: não lês ali nada sobre se ser levado em ombros por uma plateia é mau ou bom. Apenas lês que foram, uma vez que estavam lá muitos fãs nessa noite
The Messenger: e isto serve para tantos outros: a versão de "Canção do Engate" e outras músicas ofendem a escolha de músicas feitas para o EP pela positiva, ou seja, superiorizando-se em conjunto, o que é aliás o "modus operandi" de quem "ofende", que sai sempre por cima em relação ao "ofendido".

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