domingo, 27 de maio de 2012

Linda Martini @ Ritz Clube, 25/5

O rock alternativo invadiu o Ritz Clube, e a legião que habitualmente o acompanha, dos 20 aos 35 anos, invadiu o renovado espaço para ver a banda que lançou o álbum "Casa Ocupada" no final de 2010: Linda Martini. Lançaram o primeiro EP em 2005, e em 2012 atingem um estatuto invejável, pois no Ritz Clube os fãs da banda sabiam as letras de cor e viveram as músicas como não se vê muitos apoiantes de música fazê-lo em Portugal. 

Mal entraram em palco, Hélio Morais disse "Não foi na semana académica mas foi no Ritz Clube!" para gáudio dos presentes, que ouviam o baterista a afirmar a tentativa de compensar quem queria ver o grupo na SAL. Mal eles sabiam que seriam perfeitamente recompensados. A entrada é fortíssima e feita com "Cronófago", do álbum Olhos de Mongol. Começava o espectáculo e Hélio explodia com "Efémera", música instrumental mas não menos fortes. Os espectadores aderiam à loucura habitual dos concertos dos Linda Martini, que têm na cidade de Lisboa a sua maior legião de seguidores hardcore. A música seguinte foi dedicada a bandas que os inspiraram e já tinham actuado naquela sala, sendo que alguns membros delas estavam presentes na sala. Era "Nós Os Outros", com o seu conteúdo lírico libidamente explícito, referências que surgem frequentemente nas canções do conjunto. 
Uma das grandes características do Ritz Clube é a proximidade entre quem actua e quem assiste. O palco está mais alto, é certo, mas a distância entre a banda e os fãs é mínima, o que contribui de forma decisiva para a intensidade do concerto. Por alturas do loop metálico de "Elevador", isso ficava muito claro, principalmente com esta banda, que tanto faz vibrar quem já os conhece. Apesar dos grandes concertos que dão, por vezes a comunicação entre os Linda Martini e a sua audiência ao vivo não é muito frequente (talvez porque as canções chegam para isso) mas neste espaço tal coisa é impossível de acontecer. Um dos hits da versão de 2011 do Festival Paredes de Coura começa: "Dá-me a tua melhor faca" e o seu crescendo explosivo leva a sala ao rubro. Todos sabem cada nota e cada palavra de cor e salteado. Hélio Morais toma de novo as rédeas da interacção com o público e agradece a presença de todos no concerto, para dar entrada a "Amigos Mortais". Uma das cantadas mais alto também foi "Juventude Sónica", o tributo da banda tanto a Sonic Youth como à adolescência vivida pelos mesmos. 
Continuando a explorar o último trabalho da banda, "Mulher a Dias" surgiu e com ela apareceu também o primeiro moche generalizado no espaço do Ritz. Foi incrível perceber como a sonoridade dos Linda Martini tinha, absolutamente por completo, a assistência na mão! De seguida, o tema mais conhecido por todos, "Amor Combate". Todos cantam, uns até ao microfone concedido pelo vocalista da banda. Dá gosto ver fenómenos assim, em géneros menos comerciais e acessíveis ao público português em geral. Qualidade musical acima de tudo. Durante toda a noite, o baixo de Cláudia Guerreiro esteve mais alto que o normal, o que não representou um problema, porque parecia que balanceava ainda mais o head banging e atmosfera presente. "Ameaça Menor" e "Amor É Não Haver Políciaforam os momentos de declamação rock que se seguiram, na habitual óptima dicção de André Henriques. A grande explosão da noite foi mesmo em "Cem Metros Sereia": Pedro Geraldes fez crowdsurf, o público invadiu o palco e mostrou que a comunhão com a banda, especialmente nesta música, é única. Talvez pela única frase que constitui a música, que dá vontade gritar até não mais. 
Após setlists derretidas (bem se queixou a baixista, sem efeito!), "Belarmino", dedicada ao cineasta Fernando Lopes, e em que o videoclip recorre ao documentário do mesmo sobre o boxer com esse nome. Sobrava dois temas supreendentes, por serem em inglês: um cruzamento entre a Hope (X-Acto) e Scratch The Surface (Sick of It All) e Territorial Pissings (Nirvana), a última cantada pela baixista do grupo, mostrando que o punk hardcore pode ser feminino sem perder qualquer tipo de garra. Foi com estes dois temas que a banda mostrou as suas origens e a raíz da sua sonoridade única. A banda saiu de palco mas não foi por isso que a assistência deixou de gritar "Foder é perto de te amar / Se eu não ficar perto", o novo icone dos Linda Martini, a frase de "Cem Metros Sereia". 
Perguntaram recentemente aos Ornatos Violeta se se consideravam os embaixadores da música alternativa portuguesa, sendo que os próprios até recusaram, dizendo que até faziam mais parte do mainstream do que da cena alternativa. A verdade é que uma das razões pelo qual isso também não faz sentido é porque os Linda Martini existem. A certeza a retirar deste concerto, e do percurso do grupo até hoje, é que são eles os embaixadores da música alternativa portuguesa. A cada concerto se percebe isso, e cada vez mais. Pelos fãs que os acompanham e pela sua paixão, pelas grande canções, pelas frases icónicas, por tudo o que a banda faz. Portugal agradece!    

Duarte Azevedo




2 comentários:

Diana Almeida disse...

não foi a música "Este Mar" mas sim a "Efémera".

BandCom disse...

Obrigado pela correcção, não tínhamos a certeza :)

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