domingo, 16 de março de 2008

ENTREVISTA - André Conde


É do Funchal que nos chega este projecto de electrónica, do qual já falei num post anterior. São as palavras de André Conde, sobre as desvantagens da insularidade na música e sobre o estado da electrónica em Portugal.


- A música é feita por se preencherem lacunas. O teu estilo é o preenchimento da lacuna entre a música electrónica e uma distorção mais acentuada, ligada ao rock, digamos assim. Achas que preencher lacunas é uma forma de sucesso?


Não, acho que preencher lacunas, por si só, não será uma forma de sucesso. No meu caso faço a música que gosto e nada mais que isso... se terá sucesso ou não, não é uma coisa que realmente me preocupe.


- Que achas que se pode fazer em relação à limitação ligada à insularidade da Madeira, no que toca à divulgação cultural,

neste caso da música?

Neste capítulo teria que escrever algumas páginas - o que seria massacrante para quem estiver a ler a entrevista. Já estive ligado à produção de eventos na Madeira e, a meu ver, a insularidade tem um preço, infelizmente, demasiado alto. Não só no que toca à música mas sim a todos os níveis culturais; pouco se tem feito. Conseguem-se esporadicamente alguns bons espectáculos, sejam eles concertos de jazz, peças de teatro ou cinema alternativo, por exemplo.
Sendo mais incisivo na música electrónica, o panorama, a meu ver, é o de que todos os Dj's tocam basicamente o mesmo, todas as casas programam o mesmo e pouco ou nada se passa de diferente. Ocasionalmente, aparece um ou outro projecto refrescante que, invariavelmente, não tem continuidade.


- A nível nacional, há algum projecto de “electrónica” que queiras destacar? (Porquê?) E internacional?


A nível nacional tenho que destacar o trabalho de um amigo conterrâneo, Combo (www. myspace. com/combomusic). O tipo é realmente bom.
A nível internacional as minhas preferências recaem sobre o trabalho do Sebastien Tellier e Justice.


- Este estilo musical pode ser por vezes um pouco mecânico, afastando-se um pouco da música enquanto produto directamente feito pelo homem – visto que maioritariamente, não é tocada. Achas que a música electrónica está mais humana do que antes?


Eu acredito na definição de música que vem no dicionário: "qualquer conjunto de sons agradáveis". Portanto, se é tocada por um guitarrista ou se tens o baterista ao vivo para gravar, não é o que mais me preocupa. Acredito que o sampling é, hoje em dia, uma ferramenta enorme.
Para mim o ideal é poder encontrar-se o equilíbrio entre o que é electrónico e o que é acústico. Acho que tem também a ver com os tempos em que vivemos e hoje em dia assistimos ao ressurgir de uma cena punk em que imperam as guitarras. Há algum tempo atrás apareceram projectos cheios de sintetizadores mais conotados ao synthpop, italo disco, etc.
O ideal era cruzarmos os Soft Cell com os The Cure, não era boa ideia? Quer dizer, não sei...


- Como e quando começaste a fazer as tuas próprias músicas?


Comecei em 2004 quando comprei um "brinquedo" da Yamaha que tinha uma série de coisas embutidas, no fundo acho que aquilo era um sampler. Combinava com um amigo guitarrista e íamos para casa criar umas coisas em cima de samples e baterias.


- E a projecção fora de Portugal, que nos podes dizer dela?


Tem sido fora de Portugal onde a minha música parece estar a resultar melhor. Sei que já foi tocada pelo Dan dos FC/Kahuna, por alguns djs do Pacha de Ibiza, pelo Azzido da Bass. Tenho tido bom feedback e em Portugal também tenho tido o apoio de algumas pessoas.


- Que balanço fazes do apoio que estás a receber – críticas do público?


Não tenho feito actuações portanto todo o feedback que tenho tido tem sido via MySpace. Vou agora começar a tocar mais regularmente (espero) e então aí vou ficar com melhor percepção do que diz o público. Até agora a crítica tem sido generosa comigo.




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