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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

AINDA TENS QUE OUVIR #6 - CAPITÃO FAUSTO - GAZELA (Chifre, 2011)






2011 marca o ano de lançamento do primeiro LP por parte da banda 
lisboeta Capitão Fausto. Antecedido por um EP de encher o ouvido, Gazela segue os contornos do psicadelismo já escutado em bandas como Pink Floyd, The Beatles, Tame Impala, que se une ao pop-rock dos anos 00’s, criando um equilíbrio adicional às melodias 
catchy cantadas pelo líder Tomás Wallenstein.




Gazela contempla-nos com onze faixas que nos fazem bater o pé: desde os 
arrepios de “Música Fria” e juntando uma “Febre” de nos fazer suar, “Santa Ana” 
dá o mote a uns passinhos de dança, aclamando assim uma das suas letras mais 
conhecidas: “Está a chover dentro da sala de estar / A casa ardeu, ninguém parou de 
dançar”. “Teresa”, primeiro single extraído deste álbum, seduz-nos facilmente com 
guitarradas luminosas assim como coros gritantes capazes de arrastar uma plateia em 
êxtase.  





O auge chega no fim com o tema “Raposa”, que embora seja uma música 
repartida em duas metades, é unificada pelo ambiente sombrio provocado por 
fervorosos sintetizadores aliados à energia efusiva da bateria.
Um excelente ponto de partida para os Capitão Fausto do qual ansiamos para 
breve o seu regresso.

João Taborda




sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

AINDA TENS QUE OUVIR #5 - "MELECH MECHAYA" - AQUI EM BAIXO TUDO É SIMPLES (2011, Ponto Zurca, Lda.)




Os Melech Mechaya são uma banda lisboeta de música Klezmer. Não conhece? Imagine um grande refogado em que entra o fado e o tango, a música cigana, árabe e balcânica. Algo como isso. Nunca ouviu? Este Aqui em Baixo Tudo é Simples é um excelente ponto de partida. João Graça no violino, Miguel Veríssimo no clarinete, André Santos na guitarra, João Sovina no contrabaixo e Francisco Caiado na percussão brindam-nos com uma celebração ininterrupta da música klezmer.

O disco divide-se entre originais e músicas tradicionais de origem judaica. “Los Bentos”, “Pano Corrido”, “Gare No Oriente”, “Jahfotes”, “Caleidoscópio”, “Aqui Em Baixo Tudo É Simples” e “Chinelo Aquático” são temas compostos pela própria banda, que conseguem não cair na vulgaridade (o que constitui um perigo iminente quando determinado estilo musical apresenta características bem delineadas, como é o caso) e oferecem, de facto, algo de novo à música klezmer - o mesmo se pode dizer sobre a divertida “Chapéu Preto”, escrita por Arlindo Duarte Tavares. Em “Doina”, composta por Dave Tarras, o clarinete atinge o máximo da exuberância e Miguel Veríssimo confirma-se-nos como um enorme músico. “Freylach De Varsóvia”, que abre o disco em grande estilo, “Sirba + Di Grine Kuzine”, “Dança Árabe” e “Mazel Tov” são músicas tradicionais, sendo esta última sem sombra para dúvida o ponto alto da festa.



Este lançamento conta ainda com a participação de Mísia e do trompetista fundador dos Klezmatics, Frank London. A primeira empresta a voz a “Gare do Oriente”: sobre este tema apetece dizer que o casamento entre a voz da fadista e a banda não foi tão bem conseguido como seria expectável. Mas somos prontamente compensados pelos momentos sublimes no instrumental desta canção e pela colaboração seguinte em que a trompete de Frank London se funde na perfeição com o som da banda.

A festa espreita a cada escalada estratosférica do clarinete e a alegria da banda é contagiante e sente-se até num registo discográfico. E imagine-se como é tudo isto ao vivo! Fica a vontade, e oportunidades certamente não faltarão pois estes rapazes vieram para ficar.


Bernardo Branco Gonçalves




sábado, 27 de outubro de 2012

AINDA TENS QUE OUVIR #2: SAUR - SAUR EP (2011)


Das cinzas dos Bringing The Day Home nasceram os SAUR, epónimo de um EP de 4 músicas compostas com bom gosto e suficientemente potentes para levantar pó. Mas este primeiro jacto também demonstra que o grupo ainda está em constante evolução e que não sabe bem se fará o mesmo amanhã, se mais próximo de um dinossauro ou de um disco-voador (como podemos ver na capa do EP).





E por vezes o "entre-dois" é mesmo o melhor estado que se pode esperar. Os músicos tornam-se espetadores dos conflitos entre dois opostos, neste caso, entre os ritmos por vezes brutais das guitarras e as partes mais leves. Será difícil concluir quem do dinoussauro ou do disco-voador é o bruto ou o leve: talvez sejam os dois ao mesmo tempo.

"Alien Dinosaur Explosion" marca mesmo o desabrochar do álbum. Uma explosão sonora que poderia acompanhar um western americano e uma festa de arromba de uma comédia teen. Há partes mais épicas, hipnóticas, tentativas para acalmar os nervos dos dois lados. A partir do minuto 3 toma-se um novo rumo, mais eclético, menos violento : o conflito talvez tenha durado apenas uma música, o tempo de nos apaixonarmos por este "stoner rock nova geração".

"Mr. Veerappan", em referência ao célébre criminoso indiano, é de uma negrura violenta e trágica ao mesmo tempo, repetitiva no provocar da dor, insaciável a perforar as nossas dúvidas. Literalmente "caçados", deixamo-nos orientar pelos sons aconselhados, simples mas certos, as guitarras e a bateria sendo sempre usadas na hora H. A música dura mais de 6 minutos, bem stoner rock, e tem tempo suficiente para nos convencer, mesmo que a coisa seja feita com perícia e minuciosidade, pouco a pouco. O fim é apocalíptico, quase a metáfora de um afrontamento final, entre dinossauro e disco-voador, com o Sol em pano de fundo. Sem dúvida a música mais completa e convincente do álbum.
"It Depends" marca a ruptura, a leveza no toque, a leveza no ritmo, a leveza. A bateria demora a aparecer, a paz chegou. Atingimos claramente o outro oposto dos SAUR, o mais melancólico. É assustador como conseguem alternar os géneros e ser tão certos nos dois opostos, um imperativo talvez para conciliar numa só música ritmos violentos e outros mais subtis.

"Black Is White, Left Is Right", incluída na compilação "Novos Talentos FNAC 2012", serve de traço de união entre opostos, de paz, amor e reconciliação, com algumas tensões claro - nem sempre tudo corre bem - mas o brio do grupo é mesmo conseguir produzir sons coerentes entrando em contradições aberrantes. E SAUR é mesmo isto : contradições, opostos, conflitos, geridos na perfeição.






Mickäel C. de Oliveira




LÁ FORA, CÁ DENTRO #4: SUN GLITTERS - "EVERYTHING COULD BE FINE"

Sun Glitters é Victor Ferreira, um jovem na casa dos 30 anos, de origem portuguesa mas que passeia nas ruas de Luxemburgo. O seu trabalho, na onda do chillwave/shoegaze/dreampop, é bastante melódico e algo místico por vezes, maioritariamente devido aos seus pitch-shifted vocals e sintetizadores saturados com reverb. É notável uma forte influência por artistas como Burial, Boards of Canada e Stumbleine.

O artwork é geralmente projectado pelo próprio Victor Ferreira, com fotografias em dupla exposição, onde as cores dessaturadas, os flares de luz e o bokeh são presença quase obrigatória.



Everything Could be Fine é, talvez, um dos melhores álbuns dentro do género. Inicia com Beside Me, um som melancólico, baixo vibrante e ritmo peculiar. O sidechaining é uma característica habitual das suas músicas e, como tal, não falta aqui também. Too Much to lose está num registo semelhante à faixa anterior, embora mais serena e estilo downtempo. Destaca-se ainda Softly and Slowly, realizada em parceira com Rob Boak que facultou a sua voz leve e suave, muito bem mixada com os sintetizadores. Os ritmos sempre intrigantes e pouco usuais voltam a ouvir-se em Find your way (see) e Love me, que, apesar de apresentarem títulos algo cliché, são uma verdadeira lufada de originalidade e serenidade.

São 27 minutos de música para as horas tardias e calmas da noite. Acompanha-se com um chá, cigarro ou boa conversa.



Luís Carreto




quinta-feira, 4 de outubro de 2012

LÁ FORA, CÁ DENTRO #3: Sarah Linhares - Message From The Future (Public Transit, 2011)








No país (também) de Nelly Furtado, outra lusodescendente tem mostrado os seus dotes musicais. Do Canadá chega-nos Sarah Linhares, de origem portuguesa e irlandesa, que se tornou famosa após ter participado na Red Bull Music Academy em 2007. Em 2011, a artista apresentou o seu primeiro álbum – Message From The Future - onde se mesclam todas as suas influências : a soul, o r&b, o gospel, o samba, o hip-hop e sempre alguma música eletrónica em redor.  Mas nem só a música a inspirou. A canadiense admite que parte das suas "cores" sonoras resultaram das muitas viagens que fez pelo mundo fora, pela Venezuela, por Portugal, mas também nalguns festivais reconhecidos como o "NuJazz Festival" ou as "Francofolies de La Rochelle". Mais recentemente, colaborou com o DJ português DJ Ride para o single editado pela Optimus Discos "Here Before". 

Esperando o seu reconhecimento por terras lusas, ficámo-nos pela análise de "Message From The Future", editado pela Public Transit Records, composto por 13 músicas e inspirado pelo filme "The Terminator": « O eu futurista da artista é transportado para o presente para ajudá-la a combater os obstáculos do dia-a-dia ». Uma mensagem do futuro… 
bom, convenhamos que a mensagem não é a mais madura do mundo. 
Não obstante, o álbum é de uma riqueza rara, de adocicar qualquer um. O som de "Grapefruit" de apenas um minuto apresenta as premissas do álbum e mostra o caminho a seguir, entre batidas espasmódicas e uma soul repetitiva e hipnótica, cobrida por uma ténue voz limosa que dá o gosto final à coisa. Em "Sarinha", existe uma clara oposição de estilos, da "Sarah do passado e da Soul" à "Sarah do futuro e dos beats sonoros". 
Nem todos os anacronismos funcionam mas Sarah de pequeno nada tem. Numa tonalidade quase sempre igual, procura sempre não dar demasiado a cara deixando ao ouvinte o tempo de se concentrar na complexidade musical por detrás dela. "Here" lembra Alicia Keys no início, até surgirem os primeiros scratchs, leves e quase inaudíveis. Perde-se algum futurismo, algum anacronismo, alguma originalidade. "Other Side" tem sonoridades bem atuais, aéreas e chiptuneadas, com suaves referências soulescas. A antítese de "Here", perde-se a noção do presente em viagens constantes e céleres entre passado e futuro. 





A voz de Sarah ganha em brilhantismo no planante "Stressin Lessons" : é hip-hop feminino, é soul, mas peca por ser demasiado terra-a-terra, sem intenções fugitivas, sem sonho. "Dirty Business" tem dancehall e chiptune : definitivamente, a canadiense ousa tudo sem medo. Precisamente, "No Questions" parece ser o lema dela, deixando livre recurso à conversa entre os tempos, entre os sons, entre os seus diferentes "eus". 

Com "Step Up" e "It’s All True", o álbum abranda em todos os sentidos… e um despertar torna-se mais que necessário. Daí talvez aparecer a ordem agressiva e desesperada "Move Along", negra e emotiva, daquelas músicas lindas que convém não ouvir em períodos depressivos. "Feeling You" cheira a sexo, a reconciliação, "I Get Scared" é lento, demasiado lento... mas em "Only Human" reencontramos a assinatura da canadiense, numa soul eletrónica ultra-beateada, a voz suave um pouco mais audível que as batidas. 

No fundo, o álbum é rico em extremos : dos sons do passado aos mais futuristas, das músicas frisando a perfeição a algumas vistas e revistas que não acrescentam nada.


Mickaël C. de Oliveira




terça-feira, 24 de abril de 2012

Modo Mudo - EP


Oriundos de Vagos, distrito de Aveiro, os Modo Mudo são um quinteto composto por Pequeno (bateria), Jorgito (baixo e apoios vocais), André (guitarra), Pedro (voz, guitarra) e Luís (piano, guitarra e apoios vocais) formado em 2009. Depois de algum tempo refugiados no seu laboratório musical decidiram brindar os seus seguidores com o lançamento do seu primeiro registo, o EP homónimo Modo Mudo, lançado em Janeiro de 2010.

Modo Mudo é condimentando unicamente na língua de Camões. Com uma sonoridade pautada por um lirismo sempre simples e eficaz, cria-se, ao longo de todo o EP, uma fusão
bastante agradável entre a vertente lírica e a vertente instrumental. Citando os próprios, é da intuição e necessidade de tornar físicas as palavras e melodias que os acompanham no quotidiano que surge, em sintonia, a banda.
Ao longo de todo o registo somos invadidos por uma série de influências que servem de
génese criativa à música do quinteto. Nomes como Ella Palmer, Peixe : Avião ou, até
mesmo, e deambulando por influências internacionais, os britânicos Suede, vêm à cabeça
quando escutamos a música deste quinteto aveirense. Trata-se de um rock alternativo muito característico, herdando algumas de características do britpop do panorama alternative britânico dos 90’s. De facto, creio que os apreciadores deste género musical engraçarão bastante com o som produzido pela banda.

Liricamente, e como já foi dito, Modo Mudo é condimentado exclusivamente em português. Apetrechado por lirismos simples, encontramos, ao longo do registo, versos dignos de serem escritos por egrégio vate. Exemplo disso mesmo é, na minha opinião, a segunda faixa do registo, Um tique contra-taque, que é composta por versos bastante admiráveis como “enquanto o tempo não vai parar(…)em tons de preto o fado quer cavar (…) a terra está a chamar”.
O registo é composto por cinco faixas, sendo que uma delas é a sua introdução. Apesar de
ser um registo bastante pequeno dá para abrir o apetite (e de que maneira!) à pequena
comunidade de fãs da banda que se tem vindo a formar ao longo do tempo. Existem
momentos do registo que merecem nota máxima, exemplo disso mesmo é a última faixa que faz parte do registo, Evasão. Uma música muito bem conseguida, onde ocorre uma fusão espetacular entre o elóquio de Pedro e as guitarras bem poderosas ao leme do mesmo e de André (de realçar, também, o piano, que acaba por conferir uma atmosfera peculiar a Evasão).

Contudo, e apesar de todos os aspectos, até aqui, serem bastante positivos, Modo Mudo
acaba por não ser um registo totalmente perfeito. Existem algumas desafinações a nível vocal que não passam totalmente ao lado do ouvinte, como acontece, por exemplo, na segunda faixa do registo, Um tique contra-taque. Mas estas pequenas falhas são posteriormente aniquiladas por grandes momentos musicais como Quadros ou Evasão.


Com este registo de estreia, a banda aveirense provocou alguma água na boca aos seus
seguidores. Espera-se, já, ansiosamente, que os Modo Mudo fecundem um novo irmão para o presentear aos seus fãs. Até lá resta-nos uma espera em modo mudo.

Pontos altos do registo: Evasão e Quadros
Ponto menos bom do registo: Um tique contra-taque

Classificação final: 6.9/10

Seguir Modo Mudo no Facebook: http://www.facebook.com/modomudo

Emanuel Graça




sexta-feira, 20 de abril de 2012

Anarchicks

"SE A MÚSICA É UMA ARMA ELAS SÃO O GATILHO!

4 Miúdas juntaram-se em 2011 para fazer uma Revolução."




São as frases que apresentam a banda no facebook da mesma. Não diria que o que esta quarteto feminino está a fazer é uma revolução, mas que traz algo de diferente, traz de certeza. Pelas faixas que nos são disponibilizadas no perfil da banda, conseguimos perceber que as Anarchicks não são apenas um projecto com um EP e um nome engraçado. Musicalmente, têm algo a acrescentar no actual panorama, pela forma como fazem música e pela forma como se apresentam, em que combinam vários elementos musicais e estéticos pouco habituais.

A música é relativamente transversal. "Bored" aborda o punk inglês de uma forma progressiva e até futurista, numa introdução com um toque industrial muito aguerrido. "Endless Love" soa a uma balada alternativa com o mesmo toque metálico (não confundir com metal) e segue a tonalidade futurista da música anterior, assim como o faz "Rockstars". "Sunset Graveyard" traz-nos um rock ligeiramente esquizofrénico (a culpa é do sintetizador). 

Ouvindo estas 4 músicas, percebemos que o papel das guitarras não é comandar o som da banda mas sim dar-lhe um importante contributo rock, sendo que o sintetizador decide se a sonoridade se fica por aí ou se ganha outros contornos. E é desta dinâmica, aliada a uma bateria muito bem tocada e a um baixo bem sabido, que vive uma certa imagem vincada da banda.

Sem querer tirar mérito à banda, este "LOOK WHAT YOU MADE ME DO!", produzido nos Black Sheep Studios pelo aclamado Makoto Yagyu (If Lucy Fell, PAUS), foi muito bem concebido no que toca à engenharia do som em si. Percebe-se a qualidade de quem esteve responsável pela gravação do registo. 

Duarte Azevedo




domingo, 19 de fevereiro de 2012

The Allstar Project: arrepios que celebram o post-rock



“Into the Ivory Tower” é o mais recente álbum dos portugueses The Allstar Project. Quatro anos passados desde o anterior trabalho -"Your Reward...A Bullet” - o quinteto não desilude. Que o digam os users da Blitz que consideraram este álbum o 20.º melhor lançamento nacional de 2011.

Ao que parece o disco foi gravado em apenas cinco dias – para os religiosos, menos do que o 
tempo que Deus demorou a criar o mundo. O recorde é mordaz. O repertório do disco, composto por oito temas, recorda a apetência da banda pelos intensos instrumentais, que atravessam emoções e espelham almas – a tua, a minha, as nossas. Os temas mais calmos – “Advent” e “Light For a Thousand Night” - aparecem intercalados com os riffs mais pesados de “Shifting Poles” e “Pyramidal”. 



E à intensa sonoridade, criada pelas três guitarras do grupo, foi adicionado o violino de Filipa Cortesão no tema “Alignment”. A letra, algo que o quinteto dispensa, aparece em “Not all a Dream” - recitada não cantada (spoken word) -, fazendo alusão aos fortes versos do poema de Lord Byron. “Morn came, and went and came, and brought no day, and men forgot their passions in the dread of this desolation; and all hearts were chill'd into a selfish prayer for light”, ouve-se Nunez, um dos guitarristas do projecto musical, declamar.

Destacam-se, ainda, a destruição e o caos na capa que dá rosto a este novo álbum (uma reprodução de um quadro de Thomas Cole, de 1836). O grupo, que conta já com 10 anos de estrada, marcará presença na edição de 2012 do Dunk! Festival, em Zottegem, na Bélgica - com belíssimas composições que mais do que celebrar o post-rock o engrandecem.

http://www.facebook.com/theallstarproject

Tânia Azevedo




sábado, 18 de fevereiro de 2012

Musket - Musket EP

O Indie Rock com tendência dançante pode tornar-se viciante. É isso que nos mostram os Musket, no seu "Musket EP". Um baixo mortífero e guitarras cortantes fazem o duro deste registo, um dos primeiros lançamentos da Corvo Records, uma nova editora independente portuguesa de música alternativa. 



Os Musket encontram-se de momento a gravar o primeiro registo de longa duração, nos estúdios da Corvo Records. Já o EP foi gravado no Black Sheep Studios com Makoto Yagyu (de PAUS e If Lucy Fell, entre outros) e apresenta como grandes referências bandas como os Gang of Four, LCD Soundsystem e toda a escola moderna de punk sujo mas dançavel. Eis o download gratuito e stream:

http://musket.bandcamp.com/album/musket-ep 

Esperemos pelo longa duração. Os Musket encaram, com uma frescura e abordagem muito própria. Passem pelo seu facebook: http://www.facebook.com/musketmskt. 




terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sarcasmo - Noites Calmas, Dias Felizes


O Rap em Portugal é um género peculiar. A maior parte das vezes, há apenas duas posturas do ouvinte de música perante o Rap em português: o de grande adoração e o de rejeição imediata. A minha postura, por acaso, não costuma ser a primeira, mas por vezes faz bem ouvir e tentar gostar de música que nos deixa desconfortável quanto às nossas preferências musicais habituais, e foi o que aconteceu com o projecto a solo de Sarcasmo e o seu EP "Noites Calmas, Dias Felizes".

O que tem este EP? Uma base instrumental como excelente background, aventureiro para as lides habituais dos projectos de spoken word actuais. É bom saber que o artista não se contenta apenas com a qualidade das suas letras mas também com o pano sonoro que suporta a mensagem que o mesmo quer passar, que tem duas funções: sublinhar a essência dessa mesma mensagem e trazer um enquadramento musical que faça com que, apesar de não lhes serem atribuídas harmonias ou melodias, as palavras estejam mais perto de ser cantadas. É um trabalho bem conseguido neste aspecto.

http://havece.tumblr.com/ (download gratuito do EP aqui: http://bit.ly/ncdfep)

Fez parte do grupo AVC, com Haka, Spasm e DJ Profail. No EP, estão letras duras e sarcásticas, claro. Não fala de felicidade, mas não teria a mesma piada dessa forma. Tomem atenção ao instrumental presente nas faixas, dêem-lhe uma oportunidade antes do estereotipo anti-rap ser criado, pois o bom gosto foi bem cultivado neste EP.




segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Os Capitães da Areia



No meio da onda frenética de indie rock em que entrou o mundo da música, em que o panorama português não passa de todo, de lado, é de espantar os projectos que conseguem fugir a um certo marasmo que por vezes surge. Os Capitães da Areia usam uma forma muito agradável de fugir ao habitual: cores dançáveis aliados a um synths muito anos 80, aliados a um conteúdo lírico podia ter sido sobre ontem ou de quando os nossos pais se conheceram.

É essa suavidade e nostalgia vintage que se prende à sonoridade dos Capitães. Não rebentam a escala na inovação, mas quem disse que estamos sempre à procura dela? É talvez tentação compará-los com os Vampire Weekend, ouvindo, por exemplo "Bailamos no teu microondas", mas seria uma frase algo errada, ou imprecisa. Eles foram beber das mesmas origens, em vez de se deixar influenciar pelos mesmos. Ou pelo menos é o que parece, dada a forma despreocupada como assumem a vertente mais tropical do Indie Rock, que o grupo americano veio mediatizar.




É quase escandalosa, num bom sentido, a importância do sintetizador, que vinca a personalidade deste grupo. Sem ele, teriam talento, com ele têm talento e magia. Às vezes, são arranjos simples como os que eles usam que tornam a música diferente, mais viva, mais limpa, mais nossa. E penso que a cama musical dos Capitães seria algo diferente se tirássemos aquele toque celestial que vai acompanhando estas músicas.

"O Verão Eterno d'Os Capitães da Areia" é o álbum de estreia, lançado no ano que acaba de findar. O que eles apregoam não é falso: com eles, o verão não acaba. E também não acabam os sonhos que nascem com ele, nem os amores e os desamores. Cantam e tocam a alegria de uma forma nostálgica, tocam a tristeza de uma forma alegre, ou talvez nenhum dos dois; isso cabe ao ouvinte decidir. Além do Verão, esperemos que também tornem a sua boa música eterna.





segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Dead Combo - Lisboa Mulata



Estamos habituados à sonoridade latino-fado-blues dos Dead Combo, melancólica e repetitiva, agridoce, numa complicada textura de guitarras ritmo e solo, acompanhadas por um contrabaixo que manda num ritmo já por si só rebelde. Mas desta vez, o duo da cartola e do fato de mafioso decidiram aplicar o seu som a um lado diferente da cidade de Lisboa. O lado heterogéneo da metrópole, onde várias nacionalidades se cruzam, histórias de amor, histórias de desamor e de crimes passionais, contos de negócios inseguros. São estas as histórias que Lisboa Mulata nos conta.

Temas como "Cachupa Man" e "Anadamastor" levam-nos numa nostalgia eléctrica, num cruzamento vertiginoso entre flamenco, tango e desert blues calmo. Quando começa uma música dos Dead Combo em que pensamos que a sonoridade vai ser fixa e de apenas um tom, o duo surpreende sempre com elementos de outras ondas sonoras. E é esta capacidade de inovar que a dupla não perdeu. Sente-se isso também, de uma forma ainda mais triste e bonita, em "Aurora em Lisboa" e "Marchinha de Santo António Descambado", e nesta última o toque de música havaiana solidifica ainda mais o toque do antigo e do soturno.


Olhando para o fado actual, depois da "coroação" do mesmo como património imaterial da humanidade, assistimos a uma mutação, depois de anos de fermentação deste género na cabeça de várias gerações de músicos e artistas. Novas abordagens do mesmo começam a despontar, e os Dead Combo também têm culpas no cartório neste aspecto. Apenas numa música do álbum decidem aproximar-se verdadeiramente ao fado ("Esse olhar que era só teu", num poema de Sérgio Godinho), mas durante todo o registo sentimos uma certa influência fadista, talvez pela constante emulação das guitarras para tentar recriar a atmosfera lisboeta, recriando por vezes arranjos de guitarra portuguesa. É este "fado alternativo" que marca as cores do duo.

Em 2007, foi lançado, em mais um projecto de Damon Albarn, The Good, The Bad and The Queen, um projecto de um só disco em que as músicas falavam da cidade de Londres, com uma intenção semelhante à dos Dead Combo: uma melancolia agridoce, ora alegre, ora triste, mas sempre flutuante. Não consegui deixar de reparar em algumas semelhanças nos dois registos.
Cidades diferentes, músicos e melodias diferentes, mas algum paralelismo.

Um lado diferente de olhar para uma cidade, pegando no que o fado nos ensinou e no que o mundo nos transformou. Eis Lisboa Mulata.






sábado, 10 de dezembro de 2011

Sensible Soccers


Sensible Soccers - Missé-Missé (Official Video) from Sensible Soccers on Vimeo.

Sensible Soccer, no singular, representa mais do que um jogo de futebol para consolas primordiais. É um autêntico fenómeno de culto ainda hoje, representando para muitos um dos jogos mais importantes de sempre. De cada vez que lhe foi renovada a sua imagem, o interesse e o vício ressuscitavam de tal maneira que até cópias baratas em sites de gaming eram suficientes para horas e horas de conforto ao ecrã.

No plural, Sensible Soccers, multiplica-se por 4, não tem cópias baratas e tem tácticas por desvendar. É o nome de um quarteto que lançou em Outubro deste ano o seu EP homónimo com o selo AMDiscs. No seu EP são titulares bandas de 80 e 90, como os Sonic Youth ou Aphex Twin, com uma defesa kraut numa peladinha que excede largamente o gozo mesquinho de 90 minutos.

Não falta por isso experimentação e guitarras que recordam qualquer banda da 4AD que anseia por assinar pela WARP ou pela XL Recordings, sonhando com Brian Eno num pop epiléptico a morder a língua ao som de “God Save The Queen” ou “London Calling” escondidos numa discoteca dos Velvet Underground. Pelo meio ficam vozes que são cânticos no meio de uma hola no Mundial de ’86. 4 membros apresentam 4 canções que são tão únicas e desejadas/áveis como aquele cromo que falta para completar uma caderneta e se troca por 4, 5, 10, 20 cromos repetidos num negócio que pouco tem desse nome.

Este EP é, portanto, tão quebra-monotonias como não fazer metáforas com termos futebolísticos sobre os Sensible Soccers. Mas tal como o jogo original – não o jogo de computador, mas os Kraftwerk -, “music don’t stop”: falar pouco, ouvir demais, esperar por mais.

http://www.facebook.com/#!/sensiblesoccers?sk=info






terça-feira, 29 de novembro de 2011

PAUS



Os PAUS são 4; parecem 40. Os PAUS têm baterias siamesas, uma guitarra e umas teclas, mas parece que são uma orquestra inteira. Os PAUS são muito bons gravados e escutados nos headphones; são ainda melhores no meio do suor e fantasia do espectáculo ao vivo.

Após o aclamado EP “É Uma Água”, os PAUS editaram finalmente neste ano o seu disco de estreia, escolhendo para tal 8 músicas de um já admirável catálogo de canções. Todo este texto seria um passeio alegre até uma nota de luxo no final, não fossem as 8 músicas ser, infelizmente, poucas para a avidez que o som do quarteto lisboeta deixou a arder nos ouvidos dos que já os escutaram. O primeiro single, “Deixa-me Ser”, é simplesmente o melhor de 2011 por cá ouvido. A estratégia de lançamento do disco (semelhante ao lançamento de “Casa Ocupada”, dos Linda Martini) é uma das mais audaciosas e bem conseguidas dos últimos tempos.





O disco, homónimo…esse faz-se de música pulsante, ao sabor de batuques da imaginação onde cabe o Mundo todo e mais uma chiclete de morango. O jogo do ritmo e da melodia é o exacto semelhante de tentar fazer um balão de pastilha maior do que a vista alcança. Tudo flui, sem sabermos como, quando será o passo seguinte, para onde vai a canção. O envolvimento não é desmanchado pelas (poucas) palavras; antes é perpetuado (“O Fim é um princípio qualquer/Foi tudo um bem entendido”). O fim é marcado por uma das melhores malhas do disco, “Tronco Nu”, em que se diz “Nada fala tanto como o que não fala”. Quando o artista diz o que o escriba quer dizer dele, é difícil escrever mais.

O próximo concerto é no Vodafone Mexefest, local e data ideais para começar bem a acabar 2011. Os PAUS marcaram 2010; 2011 será um ano “siamês”.



André Gomes de Abreu




segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Supreme Soul - Lançamento de "No One's All"

É no próximo dia 17 de Dezembro, às 22h30m, no Auditório Carlos Paredes, em Benfica, que é lançado o álbum de estreia dos Supreme Soul. O BandCom já aqui abordou o seu post-punk/new wave, leiam a crítica e vejam o videoclip abaixo, para melhor conhecerem a banda.



"A banda revela-se numa fusão de guitarras, sintetizadores e ritmos envolventes, construindo canções repletas de uma forte intensidade emocional e sensorial. Porém, na música dos Supreme Soul também existe romantismo e ambientes épicos, melancolia e ruídos sombrios. É desta forma que o grupo se pretende assumir no panorama artístico nacional e internacional, apresentando como primeiro álbum o No One’s All, cujo videoclipe do single, “The Perfect Place For Us”, já pode ser visto online."




Barra 90 - Jorge Cruz



Muito bom ouvinte de música portuguesa provavelmente já ouviu falar do que Jorge Cruz anda a fazer, mas não com o seu nome associado. Os Diabo na Cruz já percorreram o país inteiro nos últimos dois anos, na tournée que apresentou "Virou!", um álbum brilhante em que o rock anglo-saxónico encontrou na musicalidade portuguesa uma fonte de rejuvenescimento, saído da cabeça de Jorge Cruz e da do seu companheiro de outras lutas, B Fachada.

Neste "Barra 90", trabalho feito nos anos 90 e agora re-editado, numa incursão a solo do cantor e guitarrista, com o auxílio de nomes como Márcia, B Fachada, João Gil, entre outros. São essencialmente 9 músicas íntimas, muito pessoais, ditas com palavras fortes e bem marcadas. Creio que algo que passa despercebido muitas vezes é a excelente dicção de Jorge Cruz, mas este talento é crucial para que as palavras saiam como saíram aqui: limpas, por vezes cantadas em baixo volume, ternurentas ao ouvido, um encaixe perfeito para o pano soft-electro que acompanha cada faixa e para distante melancolia que se pode extrair de cada uma.





A textura musical deste álbum aparenta ser simples, ouvimos poucas camadas. Mas a verdade é que está aqui algo diferente. A guitarra é a figura central, como seria de esperar, mas vai do acústico puro ("Praia da Barra") à electricidade mais flutuante e pesada ("Roupas 1"), num devaneio final inspirado num ensaio dos Linda Martini. O ritmo que um certo electro-minimal carrega em "Um de Nós" e "Lugar Privado" traz o sentido de melancolia e até um toque espacial. As teclas que o originam ganham um sentido mais indie em "Entre Iguais" e "Exausto". O vocalista tem por vezes a voz com alguns efeitos, que acentuam todas as tendências acima descritas, e é por aí que este álbum se valoriza: pela excelente conjugação de elementos totalmente díspares mas que se complementam muito bem.

Num registo totalmente diferente do "Roque Português" de "Dona Ligeirinha", "Tão Lindo", e "Combate com Batida", chega-nos uma surpresa agradável. Mais pop, mais lento, mais triste e mais intimista. É outro lado do artista, é ele a mostrar que é completo e que sabe fazer música - de uma forma ainda melhor da que nós já pensávamos. Um disco até visionário para a década em que foi feito, arrisco-me a dizer. Oiçam Barra 90!






domingo, 6 de novembro de 2011

doismileoito



Os doismileoito têm uma ideia bastante diferente do habitual do conceito de Pop/Rock. As música não têm de ser pop/rock, mas podem ser pop e rock, ao mesmo tempo. As letras têm uma suavidade digna do universo pop, a musicalidade acaba por ter uma intenção pop concretizada com guitarras rock, apesar de nem sempre recorrerem a esse padrão.

Em "Acordes com Arroz", há puro pop e puro rock, isto tudo na mesma música e com segundos de distância. Faz lembrar um pouco a dinâmica quiet-noise, muito usada no grunge, mas aqui aplicada de uma forma mais acessível. "Conta Contigo" representa outra perspectiva da abordagem de que falei, a dinâmica pop/rock continua presente mas de uma forma mais suave.
Mas de resto, é este equilíbrio a marca dos doismileoito (que começaram em 2005).

O português com sotaque do norte confirma-se, na minha opinião pessoal, como uma fórmula de sucesso para cantar música nacional. Talvez por ser um sotaque mais claro e cantado, tem uma musicalidade própria que encaixa muito bem no pop - oiça-se os Clã, Manel Cruz, Orangotang, Pedro Abrunhosa e Rui Veloso nos seus tempos iniciais. Os doismileoito juntam-se a este grupo, em que a cadência do sotaque do vocalista também imprime uma certa personalidade nas canções.

"Pés Frios" é o segundo álbum da banda, sucessor do álbum homónimo de 2009; já está a venda na FNAC. Caso a crise bata demasiado à porta, os 10 temas que o compõe estão mais que disponíveis para ouvir no facebook da banda. Os concertos de apresentação do álbum no Porto e em Lisboa já foram, por isso começem já a ouvir para que, da próxima, estejam preparados!





quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Norton - "Coastline" (Novo Single)



A banda albicastrense mais mediática do momento tem um novo single, e eis o vídeo para "Coastline", numa tonalidade muito mais indie do que o badalado "Two Points".

Para terem a versão do álbum e também a versão acústica desta música, podem-na encontrar no site da banda, http://www.nortonmusic.net/.




quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Old Jerusalem - The Go-Between




Reunião num fim de tarde, esplanada, eu surripiando algumas das fatias de pão e queijo que já tinham servido ao Manel, até me decidir a pedir o mesmo e devolver-lhe o que antes lhe tinha subtraído.
- A ideia é usar elementos visuais com diferentes técnicas e materiais que sugiram a tensão emocional da canção - diz o Manel -, sem ilustrar de forma muito literal a letra mas fazendo com que as imagens agarrem de forma simbólica o que se passa.
- Vai ficar bonito, Francisco, estou mesmo convencido que vai ficar bonito. - assegura o sorriso optimista do Tentúgal.
E ficou, caramba, ficou bonito.



Old Jerusalem - The Go-Between
Vídeo realizado por André Tentúgal com ilustrações e trabalho gráfico de Manel Cruz.
Retirado do álbum "Old Jerusalem" (PAD, 2011), já à venda




terça-feira, 27 de setembro de 2011

oLUDO - Almirante



O pop português não precisa de ser muito complicado para ganhar asas. É preciso é ter talento radiofónico. Letras que se percebam mas que tenham imaginação q.b. e melodias acessíveis que marquem um pouco a diferença em relação ao que foi feito até hoje, é o que se quer para uma banda nacional neste estilo.

Em "Almirante", os algarvios oLUDO, que já aqui foram referenciados, conseguem demonstrar a posse de um requisito mínimo necessário para qualquer banda portuguesa que cante na língua materna: o bom uso da língua portuguesa. Não é só escrever em português e já está. Nem por sombras. É preciso saber usar as palavras, a sua musicalidade própria, nos momentos certos. E as palavras mais simples são as mais difíceis de encaixar numa melodia.

A nivel musical, as texturas usadas neste álbum também são bastante directas. Temos uma guitarra a pautar a ordem das coisas, mas por vezes surge um órgão ou até sopros para fazer a cama musical de que o pop hoje em dia tanto precisa. Mas é um pouco cruel separar as músicas deste registo pelos instrumentos usados, porque a prioridade em cada faixa é a harmonia que estes causam em conjunto. E é isso que sobressai.



Fica assim o conselho de comprar este álbum, ou de pelo menos de lhe dar uma oportunidade, porque este tipo de música é para de deixar tocar o álbum até ao fim e mal de se dar por ele, não no sentido de ser fraco, mas no sentido de nos entrar facilmente pelos ouvidos e ali ficar, discreto mas personalizado. É um início muito maduro dos oLUDO, com "Almirante".




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