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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Maze Lab - Evolution



Já não existe o formato acústico puro e duro. O que os nossos ouvidos podem constatar é um cruzamento muito ténue e especial entre esse ido acústico e certos intrusos de outro tipo de sonoridades. O acústico não deixa de o ser, mas ganha outro conforto, outra cor, outro tom. Os Maze Lab usam esta com umas das suas premissas para fazer música. Uma das outras premissas é fazer música pop, com acordes que todos sabem tocar e arranjos que todos poderiam fazer, mas não fizeram. Aí está por vezes o brilhantismo das bandas pop, a genialidade de se terem lembrado de fazer aquilo que todos poderiam ter feito mas que ninguém se lembrou antes.

Interessante também perceber que os elementos que formam os Maze Lab têm de perceber bastante de música e ser bons na sua função dentro da banda. O vocalista tem uma voz que nos faz sentir em casa, um sotaque muito limpo, um à vontade enorme em todas as notas que percorre e em todas as palavras quem entoa. A voz emana um calor muito complicado de reproduzir e que assenta perfeitamente neste tipo de música.



Tanto a guitarra, o baixo e a bateria mostram claramente a sua influência pop-rock, se calhar mais rock que pop, pela estrutura com que vão denotando as faixas. São arranjos simples mas muito bem tocados, qualidade do toque acima de tudo. Sem destruir conceitos musicais ou inventar outros novos, os Maze Lab estão aqui a fazer a sua própria música, tal como por ventura ouviram outros fazer, inspirando-se mas não imitando.



Saiu recentemente o novo single "Compromise" do seu 2º álbum de originais, "Evolution", que já passa nas rádios e será o hino do projecto "Make it Possible", iniciativa apoiada pela Campanha Objectivos 2011 das Nações Unidas. "Naked Words" é o nome do EP que lançaram em 2009. No dia 12 de Maio, em Carnaxide, no Auditório Ruy de Carvalho, às 22h00, será apresentado o segundo long-play da banda. Uma banda a não perder, mesmo, de vista.




sábado, 5 de março de 2011

Enday ENTREVISTA

Os ENDAY trazem-nos um Punk Rock diferente do habitual, com a contribuição de elementos da música Pop como por vezes de um Rock mais pesado. Esta entrevista surge numa altura em que lançam o seu primeiro álbum, "Green Smoke", um lançamento que promete causar impacto no género em que estes se enquadram.




1 - Como surgiu o nome da banda?

ENDAY é o nome de uma miúda oriental. Achámos que traria boa sorte à nossa banda. Acredita-se numa aldeia na Indochina que quando o nome de uma rapariga é dado a uma banda de rock portuguesa muita coisa boa há-de acontecer.

2 - O vosso projecto já não é propriamente recente. Já conseguem sentir algum reconhecimento por parte do público?

Já há algum tempo que sentimos reconhecimento do público, há alturas em que ENDAY é uma banda mais presente nos palcos e nos media, e alturas em que nos recolhemos para compor e planear novas acções de promoção. Felizmente as pessoas parecem não se esquecer de nós quando tal acontece.

3 - Os ENDAY abordam o punk de uma forma mais melódica e trabalhada. Que acham do estado actual do punk puro e duro?

"Estilo"? "Puro e duro"? ... "Duro" talvez... mas puro nada o é e nem nunca foi... é a consequência de existirem "estilos". Em todos os cantos do mundo hà bandas de rock a tocarem à sua maneira, umas mais Pop outras mais Punk, HardCore, Metal, Grunge ou Emo... Todos os estilos existem no universo musical, até o "Punk Puro e Duro" que referiste... simplesmente hà pessoas que não o tocam e outras que não o ouvem.



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4 - Já participaram e ganharam alguns concursos nacionais. Que tipo de projecção eles realmente oferecem a quem os vence?

30 minutos de glória apenas... Se ganhas um concurso para ir tocar ao Optimus Alive deverias ser convidado para tocar nalguns festivais de menor dimensão logo a seguir, mas para ires tocar a esses tens que ir a concurso... Não há nenhum concurso que proporcione uma carreira promissora, nem mesmo o Ídolos.

5 - Lançaram agora o vosso novo álbum, "Green Smoke!". Partindo do vosso caso, quando é que acham que uma banda está pronta para ter um álbum próprio?

Quando ganhar vergonha na cara por ainda não o ter feito. O álbum é o mínimo indispensável para uma banda se lançar.

6 - Já obtiveram algum feedback além-fronteiras?

Assinámos um contrato com uma editora Californiana e contámos com distribuição nos EUA. O feedback que a editora nos reportou foi muito interessante e extremamente positivo. Ainda não assinámos com uma editora Inglesa por motivos logísticos.

7 - Quais são os planos dos ENDAY para o futuro próximo?

Os nossos planos consistem exactamente em não revelar o que vamos fazer num futuro próximo. Os mais interessados têm sempre uma porta aberta no nosso Myspace e Facebook. Fiquem atentos porque temos novidades para breve!!




segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Frankie Chavez

Rock / Blues





Frankie Chavez actua em formato one-man-show. Hoje em dia, quando cá se ouve falar neste modelo de actuação, inspirado nos primeiros músicos de blues, que usando os pés para a percussão e as mão as para a guitarra, contando com a eventual ajuda de uma harmónica, pensa-se no mediático Legendary Tigerman (Paulo Furtado). Mas Frankie Chavez pouco tem a ver com o projecto a solo do também líder dos Wraygunn.

Tem uma sonoridade mas rock e pop ao mesmo tempo, sendo um pouco mais técnico do que o músico de Coimbra. Frankie usa e abusa do slide, quer quando toca em acústico ou com mais distorção. A percussão acaba por ser variada, havendo tarola, baixo, por vezes pandeireta. Por vezes, também recorre a wah-wah e a loops para mostrar a sua música. Mas o grande destaque é mesmo a forma como o slide toma destaque em tudo o que Frankie toca. É o calor da música que ele produz, alternando entre o country, o blues e o folk, trazendo à tona a versatilidade do artista.




As letras escritas por FC retratam viagens, andanças de um lado para o outro, à boa maneira blues. É também dos poucos músicos toca guitarra portuguesa à maneira blues (ouvir "The Search"), isto é, com as notas e os arranjos deste estilo, sem que se perca a sonoridade lusitana do instrumento. Fez a banda sonora de "Pare, Escute e Olhe", um documentário sobre a resistência ao fim do serviço do comboio da linha do Tua, da autoria de Leonel de Castro.

O artista prova-nos que o estilo de One Man Band está longe de estar incompleto quando realmente se tem talento. A panóplia por ele usada - vários pedais, vários elementos de percussão, 2 microfones, o slide - tudo isso ajuda muito à qualidade da sua música, mas não deixa de haver puro talento ali presente. Quer no fabrico de um blues melancólico, quer num mais ritmado e quente, Frankie Chavez é um valor enorme da música feita em Portugal.

(Para fazer download do seu disco, registe-se gratuitamente na Optimus Discos e descarregue o disco)


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Descubra mais em:
http://www.myspace.com/frankiechavez




terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Diabo na Cruz


Rock / Folclore

Tendo em conta o objectivo deste blog, seria desprezível e quase negligente não falar dos Diabo na Cruz. Muito já se falou deles, pouco já há a dizer. Ou será que não há mais nada a dizer? Há pois. Não fossem eles a nova vanguarda da música portuguesa. Fazem parte de uma geração de músicos que finalmente valoriza a tradição musical portuguesa, sem esquecer a actualidade musical do século XXI.

Quer nas letras quer nas músicas se percebe esta ponte. As letras são em português e retratam um mundo menos urbano e um universo lírico não tão actual como a atitude da banda. A musicalidade é tocada com guitarras eléctricas e arranjos para as mesmas que podiam ser tocados nos Strokes ou em qualquer banda de Garage Rock, mas não, aqui toca-se música portuguesa - verdadeiramente falando.




A nível de sonoridade, há dois aspectos fundamentais a destacar: as segundas vozes e a braguesa. O primeiro dá um tom tradicional a nível das vozes, até diria celtibérico aos arranjos vocais. O segundo completa a influência da tradição musical do nosso país, tendo o jeito corrido do cavaquinho e o som doce e reconfortante da guitarra portuguesa.

Os músicos que constituem a banda não são amadores nem iniciados no ramo. Jorge Cruz, o vocalista, já anda no mundo da música há mais de 10 anos, tendo tido outros projectos colectivos e um a solo, sem o sucesso do actual. B Fachada tem nome no actual panorama nacional, a solo. Contam com a participação de Sérgio Godinho na faixa "Combate com Batida", em que nos apercebemos que este grande vulto da música lusitana deveria ter feito parte da banda, pela forma como a sua dicção e forma de cantar se assemelha à atitude dos Diabo na Cruz.



Ao vivo, são uma explosão de boa disposição, sabendo comunicar com o público, sabem cantar e tocar como o público quer, e de alegria dançável, mas o que eles melhor transmitem é o orgulho em ser português. Cantam na língua mãe, e Jorge Cruz canta bem, falam da cultura portuguesa, da vida portuguesa e do ser português em geral. Brincam, retratam, criticam, enaltecem, mandam abaixo.


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Dada esta mescla entre o passado e o futuro da música, são, sem tirar mérito aos Homens da Luta, a melhor escolha actual para o festival da Eurovisão, em que os grupos que mais têm sucesso pegam sempre na mesma fórmula de sucesso: música tradicional entranhada em música actual. Os Diabo na Cruz não nos deixariam mal.




terça-feira, 5 de outubro de 2010

Paco Hunter



Country, Folk, Rock


www.myspace.com/pacohunter

From this existential cry reproduced on the margins of James Joyce’s Finnegans Wake, comes a promiscuous, amnesic cosmogony that manifests itself in the minimal filth of country grooves and various goods. Someone or something left behind Pensacola, and idling in Tishomingo dreams of Boca Raton's shadow.

De uma forma descontraída mas não ridícula, tocam alegremente, de tal forma que dá vontade de pôr a tocar no carro e partir para sabe-se lá onde. Num daqueles descapotáveis antigos, numa estrada sem mais ninguém! Claro.Paco Hunter representa o lado menos calmo e sereno do imaginário western e country. Não retrata a calmaria do deserto mas a agitação das rixas e das longas e turbulentas viagens. Conseguem tocar música descontextualizada da nossa actualidade de uma forma natural e actual.

Pensacola é isso mesmo. É a viagem, ou talvez o regresso dela.

A nivel instrumental gostava de destacar a variedade de sons reproduzidos. Apesar de a grande inspiração ser o universo country-folk, temos funk em "My Bro" e um travo a Bossa Nova em Jacarepaguá. Boca Raton leva-nos mais para um country mexicano, com influências latinas. Pensacola revela o lado Old Blues desta banda, My Connection traz-nos um rock blues.

Apesar desta separação, as guitarras têm um estilo muito peculiar ao longo das músicas. São tudo menos típicas, parece que ao fazer música há sempre mais qualquer coisa nova para inventar, é como pegar no antigo e distorcer para algo completamente novo. O acompanhamento do baixo mostra-se num bom patamar, capaz de ombrear perfeitamente com as clássicas riffs dos diferentes géneros, principalmente do funk, género que pede sempre linhas de baixo técnicas.




Tiguana Bibles



Rock / Blues

O blues rock, desert rock, e seus derivados, transportam-nos sempre para outros tempos, outros desertos, de onde eles vieram originalmente. Viagens longas e áridas, pensamentos turvos, já isso foi tudo falado. Mas em Tiguana Bibles ganha mesmo um sentido cinematográfico. É a banda sonora do filme que ainda está para ser feito, talvez por ter que ter um filme à altura do acompanhamento musical.

Neles encontramos a sensualidade da voz feminina de uma forma provocante, descrevendo um universo que já vimos mesmo em qualquer lado. A música é compassada, dando algum azo à melancolia tão inerente ao blues mais antigo. Mas os tons que sentimos aqui são de western, absolutamente! É com os Tiguana que nos vamos lembrar de todos os filmes do Clint Eastwood, os mais antigos, todos os westerns, todas as fotos de aldeias antigas do deserto, amores perdidos ali no meio.. Está aqui uma caixinha com esse universo todo.

E mais uma vez, a voz. É ela o pêndulo da banda. Tracy Vandal é a senhora que se segue, escocesa e dona de um dote vocal incrível. Não é a voz mais forte, mais flexível, não é a melhor voz de sempre. Mas é incrível. O tom que confere à música é simplesmente perfeito. Talvez pelo seu inglês perfeito e dicção limpíssima, talvez pelo facto de ser tanto grave como aguda. As guitarras que a acompanham desenvolvem-se pelo reverb e ligeiro delay que nos transporta instantaneamente para os anos 50 e para o lado menos bonito do Beach Rock.

O baterista é o vocalista-baterista dos já rodados Bunnyranch, e os restantes membros têm alguma experiência de projectos anteriores. É uma banda muito evoluída, apesar do género que tocam. Não se consegue afastar o conceito de música cinematográfica ao ouvir os Tiguana, há músicas realmente talhadas para certos filmes. Música e cinema, duas artes permanentemente de mãos dadas, quando se tocam de uma forma mais intensa, bandas como esta surgem da melhor forma possível.

www.myspace.com/tiguanabibles




Carbilly



Rockabilly

Carbilly lembra-me sempre os filmes do Tarantino, muito particularmente Deathproof e Reservoir Dogs. Mas também se acha sempre algum outro filme para encaixar estas músicas de prato, tarola, guitarra blues e baixo presente. Um toquezinho de harmónica e "tambourine". Mesmo assim, o segredo está na voz, essa voz é o bilhete que nos leva ao que eu disse inicialmente. A interpretação vocal das canções é que dá o toque final na loucura rockabilly com que somos premiados.

O ritmo que marca a música de Carbilly é a base que alimenta esta torrente rockabilly. É o ritmo de viagem constante, dia e noite, a fugir da polícia ou à procura de vingança. É por este tipo de histórias do cinema que estes rapazes de Beja nos trazem este rock gingão. Um pouco de twist, rock e western é o cocktail que se segue.

Foi a partir deste tipo de ideias musicais que desenvolveu o rock para o multi-estado em que o temos actualmente. Quer na estrutura das canções, na progressão de acordes usada, o tipo de solos pentatónicos e os breaks em que a percurssão pára por momentos para se ouvir o resto da banda e depois retoma o ritmo, voltando assim à sequência inicial. Temos também a esquecida harmónica, dos poucos instrumentos que ficou para trás no crescimento do monstro que é o rock. Quando ela vibra, sabemos que ouvimos blues.

Nesta fase mais primordial do rock, algo que também é muito interessante são as letras, pelo tom básico que proporcionam. Álcool, mulheres, viagens fugitivas, inimigos, jogos de cartas, está lá tudo. É impressionante a facilidade que os Carbilly transpõem o som e as letras do rockabilly para os nossos ouvidos e para os dias de hoje em geral. Não se pense que pegar num género pouco desenvolvido e tocá-lo com habilidade é acessível. Tocar sim. Com habilidade, é preciso estar por dentro da mentalidade. E eles conseguem!

http://www.myspace.com/carbilly




The Rising Sun Experience



Rock / Blues / Psicadélico

A palavra chave é "experience". Tenho falado bastante de blues, de rock, mas a um nível mais linear, seguindo estruturas já existentes e mais que definidas e delineadas em todos estes anos de existência do género. Aqui podemos ouvir um cocktail com um cheiro a anos 60, o psicadelismo ao rubro. O orgão blues marca bem essa vontade, há ritmos esquisitos, no bom sentido, diferentes, são músicas que parecem mesmo estranhas, mas não. É como pegar no livro que lhes ensinou tudo o que sabem e virar metade do avesso. Mas este avesso valeu a pena!

Estas músicas são como um novo manual rock. Tem todos os elementos possíveis: wah wah, orgão blues, distorção de guitarras, o ritmo impresso pela bateria, tão blues rock, solos fulminantes. Conseguimos detectar a nossa amiga pandeireta de vez em quando. Mas talvez, ou melhor de certeza, eles tenham recuperado o tom psicadélico que em muitas bandas rock foi deixado para trás. Por vezes fazem lembrar o psicadélico "dark" dos Kasabian, mas quando parece que é "dark", acaba sempre por voltar ao tom de "cool" psicadélico, calmo ou explosivo.

Para quem já viu os filmes "Ocean's", parece que The Rising Sun Experience pegaram na banda sonora desses filmes e aplicaram as suas próprias regras. A original é muito mais virada para o jazz simples e acústico, mas consegue-se imaginar o filme com esta refrescada banda sonora, muita mais turbulenta e completa, em que se preencheram os elementos em falta que os TRSE nos trazem.

Um pequeno destaque para a parte vocal. Enquanto que todos os elementos da banda trabalham num sentido "blues rock", a voz parece vinda de outras andanças. A voz parece vinda de uma onda mais pop e ligeira, o que contribui ainda mais para o exotismo da banda. O tal cocktail, a tal mistura de géneros, que acaba por ser um género apenas, mais antigo mas, antagonicamente, mais desenvolvido, tem como cereja no topo do bolo o tipo de voz que é usada nas músicas. Não só ela, como também os ritmos complexos em que a banda por vezes toca. Falo de compassos que não são os típicos binários, trenários ou quaternários.

Como vêem, a fórmula é complexa, a música pode por vezes ser um obstáculo para o normal ouvido, mas este é um dos caminhos para o talento e merecido sucesso.

http://www.myspace.com/therisingsunexperience




domingo, 1 de junho de 2008

The Vicious Five



Rock

Electricidade. Muita electricidade. Muito poder! The Vicious Five. Nome já badalado na cena musical portuguesa, obviamente, mas que não convém deixar de lado. Pena ter acabado, foi um projecto cheio de força, cheio de descargas.. Não é para os divulgar que se fala deles aqui, mas para consolidar a posição e para mostrar aos que torcem o nariz que estão claramente enganados. Eles pegaram em fontes de energia diversas: num ritmo mais blues, numa força punk e numa atitude rock - tudo faces do mesmo prisma, é certo, mas que conjugados podem ter diferentes interpretações. Os Vicious Five deram-lhe uma interpretação directa, forte, dura, implacável.

O refrão genial de "Coffee Helps" e a discreta homenagem musical em Lisbon Calling, fazem parte do seu reportório. Estes rapazes têm do seu lado a parte bem disposta, activa, progressiva e enérgica da música rock actual, e conseguimos adivinhar que passaram uma juventude a ouvir Sex Pistols, The Clash, e quem sabe uma pitada de rock'n'roll. Ao vivo adivinho ser uma experiência inesquecível: o alcance da música por eles produzida torna-se gigante se esta for tocada para grandes públicos, tresanda a festival.

Na parte musical, apresentam um projecto sem grandes complicações. Reina o power chord e o solo blues intuitivo, uma música de hinos e de força, coros brutais. O vocalista transmite um dinamismo muito bom para o rock clássico dos VF. Dentro do género, eram uma banda única, e a sua música também tem uma proporção que não é facilmente encontrada em Portugal. O mercado musical português tem imenso a perder com o seu fim.




terça-feira, 8 de abril de 2008

ENTREVISTA: Linda Martini


Lançaram agora o novo EP, "Marsupial". Farto-me de o dizer: são a grande esperança musical do nosso país. Será exagerado dizê-lo? Quem me nega, não os ouviu de certeza. Talento em português, inovadores e muito. Eis esta grande banda em discurso directo!

1 - Linda Martini: contem-nos como começou a vossa história.Tínhamos todo estado juntos noutras bandas. Não ao mesmo tempo, mas dois a dois, três a três, etc. Tínhamos em comum a frequência habitual em concertos de hardcore desde o meio dos anos 90. Depois das tais bandas em comum e quando decidimos procurar outro tipo de coisas que não hardcore, chegámos a Linda Martini, em 2003.

2 - A vossa sonoridade é, de facto, bastante original. Quais são afinal as vossas influências?
De tudo um pouco. Nick cave, sonic youth, portugal the man, lack, beastie boys, at the drive-in, gybe!, etc...

3 - "Olhos de Mongol" e "Marsupial" são muito diferentes?
Ainda bem que achas ou o nosso esforço teria sido infrutífero. :) Não queremos estar a fazer as mesmas coisas disco atrás de disco e foi isso mesmo que procurámos com este disco. Acho que conseguimos o que queríamos.

4 - Têm bastante apoio pelo MySpace. E fora disso, quanto a editoras, media, outros meios de suporte e de divulgação?
Temos uma agência linda que nos dá imenso apoio, não só a nível de management, como de marcação de concertos e assessoria de imprensa. Estamos felizes com isso, porque assim não é imprescindível estar numa major para ter o tipo de promoção que pretendemos.

5 - Algum projecto nacional e internacional musica que queiram destacar?
Todos os do black sheep. If lucy fell, men eater, riding panico, vicious 5, lobster.

6 - Qual foi o concerto que mais gostaram de dar até hoje?
Em termos gerais, o paredes de coura. Foi dos dias mais felizes das nossas vidas enquanto banda. Tocar naquele anfiteatro cheio até lá acima às seis da tarde, é qualquer coisa de mágico.

7 - Está para breve algum novo videoclip?
As ideias estão a fluir. Agora falta sentarmo-nos todos e definirmos realmente como se vai processar a coisa.

8 - E participações em festivais, vão acontecer?
Boa pergunta. Mas essa não devia ser feita a nós. Estamos a trabalhar para isso, mas o timing dos anúncios das bandas portuguesas ainda não chegou. Mais para a frente todos saberemos disso.

9 - Um novo cd, uma fan-base crescente, um prestígio em crescendo também. Que mais podemos esperar dos Linda Martini?
Música. Seja em discos, seja em concertos. É a única coisa que nos move. Agora queremos promover este disco e conseguir fazer um novo até ao fim do ano. Vamos ver se conseguimos...

MySpace: http://www.myspace.com/lindamartini

Site: http://www.lindamartini.pt




domingo, 30 de março de 2008

CONCERTO: Linda Martini



Os Linda Martini actuaram ontem, na Zé dos Bois do Bairro Alto, para apresentar o seu novo EP, "Marsupial".

"Ouve-se a mudança na maturação, nas notas que ganharam cãs. No primeiro som há na garganta um corte de ar. Tudo soa ao ácido da infância que agora não acreditamos que existiu, que matámos com sorrisos quentes de um corpo ainda não nosso, arrastado num slow. Começamos a tirar agora as máscaras dos dias quase felizes. Molas de madeira que prendem no estendal os resquícios dos anos, dos cheiros, dos sons e cores… a corda? A corda de sisal, do estendal, cria em movimento gémeo ao som. Pequenos rasgos na pele, por cima da cicatriz que acabou de fechar. São outros os dias que nos prostituem o corpo e fazemos contas às rugas, numa só mão, que valeram a pena."

Este texto, no myspace da banda, sobre o novo EP, mostra de uma forma perfeita as faixas que nos foram dadas a conhecer no espectáculo de ontem. É óptimo saber que a sonoridade de uma banda se mantém nos seus pontos fulcrais, mas que evolui para uma mais abrangente atmosfera. A isso podemos chamar de amadurecimento musical, em pleno. O concerto em si teve o apoio infinito do público, que cantou e viveu aquela hora com imensa intensidade. Banda e fãs estavam de mãos dadas, numa apoteótica união.

Diria que os Linda Martini têm tudo para ser réis - e rainha - da nossa música. O espírito presente na sua sonoridade lembram-me uma Portugalidade soturna, triste, deixada por uma Lisboa órfã de passado e de futuro. A voz a fazer lembrar o fado, no seu tom mais negro. A voz a cantar a melancolia da vida. As guitarras e o baixo a esticarem a nossa noção de consciência, brincando com o tempo. Quem não se lembra de Fernando Pessoa, aquela angústia gigante, aquela criança perdida algures. A bateria a dizer se devemos correr ou ficar parados a pensar. No depressa ou devagar. São uma grande banda, que fazem grandes músicas, e que só podem ter um grande futuro, nesta mistura de tudo o que é rock.

MySpace: http://www.myspace.com/lindamartini

Site: http://www.lindamartini.pt




terça-feira, 25 de março de 2008

ENTREVISTA: Bildmeister


O rock português tem aqui um aspirante a ícone: Bildmeister. Uma onda sónica, um tributo à guitarra, às guitarras. Sons de um outro tempo, mas agora e bem actuais, redundantemente falando. Mantendo a chama do Indie Rock bem viva! Tiveram no recente SXSW, onde mostraram a sua magia.


O que quer dizer, afinal, e o que significa para vocês Bildmeister?


É aquilo que somos, aquilo que fazemos. Já cá andamos há uns anos, e sentimos realmente que esta banda é a nossa cara, é a nossa ideia, é a nossa intenção. Temos uma ideia da banda e seguimo-la de forma coerente, incluindo algumas regras que nos ajudam a chegar aos objectivos. Por exemplo, e para evitar conflitos – pois nem sempre é possível conciliar todas as vontades e ideias – preferimos sempre abandonar temas onde alguém não se sinta confortável… o que não quer dizer que essa ideia possa ser recuperada mais tarde, algo que também fazemos com frequência, a reciclagem de sons, de linhas de guitarra, etc… mas acima de tudo é algo que sentimos de facto de é nosso. Bildmeister significa “mestres da imagem” e foi “roubado” de um modelo de uma televisão antiga.

- Têm a aventura em Austin detalhadamente contada no vosso MySpace. Foi recheado de momentos bons, mas qual foi o melhor? O festival superou as expectativas?

Talvez o melhor do festival tenha sido a oportunidade de conviver de perto com pessoas que muito apreciamos (Thurston Moore, Steve Shelley, J Mascis, e todas as outras bandas e pessoas que fomos conhecendo…). O carácter informal do festival, por acontecer em pequenos palcos proporcionou um contacto directo entre publico e bandas. Foi muito bom ouvir certas coisas de pessoas que apreciamos, sentimo-nos do outro lado, deixando de ser publico e passando a ser músicos, criadores… Para além disso, Austin é uma cidade fantástica, com um ambiente único no mundo. A cidade vive e respira rock!

- Façam, dentro do possível, um resumo dos vossos 10 anos de vida (momentos importantes, à vossa escolha).

10 anos de passos seguros, sem nunca colocar demasiadas expectativas. Sempre fizemos isto tendo em conta o prazer em criar, sem pensar em sucessos ou em fazer carreira ou dinheiro. Passamos os primeiros anos de Bildmeister a criar uma identidade, elos que ligassem quatro pessoas (e amigos!), a determinar uma sonoridade, filtrando as ideias de forma consensual. Depois começaram as edições, e pouco mais de exposição publica. E assim nos temos mantido, trabalhando de forma consciente, sem grandes pressões. Momentos importantes? Talvez a edição do Explay e do Here Alone, as bandas sonoras e os filmes concerto (algo que nos desvia um pouco da actividade normal, mas que muito gostamos de fazer e que nos leva a públicos ligeiramente diferentes). Sem dúvida que esta participação no SXSW foi talvez a maior aventura que tivemos, e tendo em conta que temos um disco novo à porta, as expectativas são elevadas.

- Que acham do estado do chamado "Sonic (Indie) Rock", a chama ainda está acesa?

Penso que sim, sempre esteve. Os géneros musicais e a sua marca no tempo já não fazem sentido. Já não existem modas ou hypes de géneros musicais, só bandas e nomes. Já não vemos grande influência de um género musical que seja predominante relativamente a outro, está tudo misturado. As pessoas ouvem muita coisa, muitas bandas. Mas é bom perceber que o rock, mesmo que seja mais conceptual e instrumental, tem também o seu público e o seu espaço. Mesmo em Portugal, já temos a oportunidade de ver coisas menos comerciais vindas de outras paragens, sem ter que esperar por grandes festivais de verão. Isso é positivo e poderá abrir portas em sentido contrario, ou seja, bandas nacionais e fazer o mesmo trabalho, para fora. Mas terá sempre de haver um esforço enorme das bandas e das (poucas) pessoas que trabalham com esses objectivos. Portugal é um pais muito pequeno…. E se for preciso, vamos para fora, também. Queremos é mostrar aquilo que fazemos, o que nos dá prazer.

- Dentro do vosso estilo, há alguma banda emergente nacional que queiram destacar? E internacional?

Não sei muito bem qual é esse estilo, eh eh… existem bandas nacionais que estão a fazer um bom trabalho (Lobster, Linda Martini....) e que fazem bastante, cheios de actividade, publico e hype. É bom ver que assim é, mesmo tratando-se de sonoridades menos comerciais. A nível internacional trazemos do SXSW confirmações sobre bandas que já andamos a ouvir há bastante tempo: HOLY FUCK, A PLACE TO BURY STRANGERS, RINGO DEATHSTARR!...

- Como tem o público reagido à vossa música? E apoio a nível mais de divulgação, que têm a dizer?

Temos um disco novo, vamos esperar para ver. É um disco que sentimos ser o nosso melhor disco. Mais rápido, mais sujo, mais próximo do que somos ao vivo, que é onde nos sentimos melhor. Temos algumas expectativas e vamos ver como as coisas correm. Temos também várias ideias novas, já a pensar num próximo trabalho. Mas como sempre, vamos fazendo aquilo que pretendemos, sem pretensões. A divulgação vai acontecendo. Trabalhamos sozinhos, temos a nossa própria editora, o que nos permite controlar todo o trabalho. Ás vezes é um bocado difícil, mas pelo menos não nos sentimos pressionados.

- No meio de tantas bandas a tentar aparecer na cena nacional, o que fazem para tentar ganhar algum protagonismo ? (em termos de se tentarem diferenciar das outras bandas)

Nada de especial, desenvolvemos e promovemos o nosso trabalho. Não somos uma banda fácil de situar, de rotular. Não nos colamos a coisa nenhuma, o que as vezes até joga contra nós, pela dificuldade em nos identificar com outras coisas, com paralelos. Somos o que somos, fazemos o que gostamos, e isso é sempre o mais importante.

MySpace: www.myspace.com/bildmeister

Site: www.bildmeister.net




sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Bildmeister



Bildmeister, palavra alemã, penso eu, cujo significado não consegui descortinar. "Sonic Indie Rock" dizem eles. Dizem bem. O rock sónico passa todo pela sonoridade deste grupo de Vila do Conde.. ou então é o grupo que passa pelo indie rock sónico voador, nostálgico, flutuante, alegremente doce. Sentimos aqui décadas de história do rock, do rock alternativo tal como ele se concebeu. Sentimos esse peso todo, vindo das guitarras, e de todo a atmosfera instrumental criada em cada faixa, onde a voz é só um pretexto para humanizar as canções e mostrar que está realmente alguém a tocá-las e a cantá-las.

A arma principal é a guitarra. Os Bildmeister e a sua música acabam por ser grandes homenagens a um dos instrumentos mais populares do mundo, senão o mais popular. Estão todos os seus elementos presentes, desde o acompanhamento ritmo a pequenos solos, efeitos como o delay e a distorção suave, dando um tom atmosférico ao rock, o tal tom sónico. E sente-se uma certa onda punk à mistura. Parece que pegaram nos Stone Roses e duplicaram o tempo em que estes tocam.

Têm também alguma aptidão experimental, ao aventurarem-se por caminhos menos óbvios pelos sintetizadores, no entanto sem abusar destes para manter a atenção, o "core" da música na guitarra. Além disto, a música parece muito cinematográfica, tendo em conta que a voz tem tanta importância como os instrumentos no que toca a "airplay": muitas vezes a voz nem está presente. O que dá azo a que o ouvinte preencha aquele espaço da forma que bem lhe apeteça. A ausência da voz acaba por estimular a imaginação das pessoas, proporcionando um elan cinematográfico.

Os Bildmeister tentam passar a mensagem de que realmente o que se fez no passado é bom - e que devemos continuar, de uma forma actual, a respeitar o que se fez. E a sua homenagem à guitarra, feita de uma forma que não é complicada, e em que todos os instrumentos estão respeitosamente submissos a ela, é adequada à época que os influenciou e que eles também tentam retratar. Merecem a ida ao SXSW!

MySpace: www.myspace.com/bildmeister

Site: www.bildmeister.net




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Born a Lion



Blues

Se os Wraygunn nos transportam para um saloon aos tiros, com aquela confusão que todos já vimos em filmes, os Born a Lion levam-nos mais a contemplar a paisagem dos desertos americanos ou a vibrar com uma perseguição a cavalo pelo deserto. Por outras palavras, Born a Lion é menos explosivo, mas conseguimos sentir as raízes da música country, blues - ler western - todas presentes nas suas músicas. Todos os slides, as baterias trepidantes ou só levemente presentes, a electricidade dormente das guitarras, a voz funda e grave do vocalista, tudo isto nos leva para outros tempos e outras paisagens.

Trazem-nos um cocktail de blues e country. Tanto acústico como eléctrico, conseguem concretizar com sucesso o difícil balanço entre os dois. A voz é um elemento fundamental da caracterização da banda e da música que esta cria. Tem uma personalidade própria, cavernosa e tocante ao mesmo tempo, rematando-nos para uma atmosfera de contemplação dos grandes desertos americanos ou simplesmente para uma grande viagem com um destino incerto, mas com imensa vontade de lá chegar.

A complexidade não impera na música da banda, sendo o ponto que talvez lhes falte, a imprevisibilidade dos solos, a mudança radical de estrutura da canção, ainda mais rasgos vocais, solos explosivos, elementos expansionistas que causem admiração e espanto dentro de um estilo que ainda hoje continua a mostrar o que vale. O destaque, a nível instrumental, vai mesmo para a guitarra ritmo, ou ainda mais especificamente, para o tom escolhido para a guitarra. Este "tone" é muito sujo, e combina muito bem com as linhas de baixo, simples mas marcantes. Também é muito equilibrado pois está distorcido mas não demais.

Soldier Blues mostra-nos uma raiva herdada dos Led Zeppelin, já reproduzida pelos Wolfmother do outro lado do planeta, mas ainda assim fresca o suficiente para nos fazer sentir a força do hard rock criado nos anos 70 e 80. Ele ainda cá anda e por vezes parece que está mais forte do que nunca. A reter, fica este desert blues rock dos Born A Lion, a manter a chama do Hard Rock não só viva, como bem atiçada.

MySpace: http://www.myspace.com/bornalionband




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