Mostrar mensagens com a etiqueta Acústico. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Acústico. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Maze Lab - Evolution



Já não existe o formato acústico puro e duro. O que os nossos ouvidos podem constatar é um cruzamento muito ténue e especial entre esse ido acústico e certos intrusos de outro tipo de sonoridades. O acústico não deixa de o ser, mas ganha outro conforto, outra cor, outro tom. Os Maze Lab usam esta com umas das suas premissas para fazer música. Uma das outras premissas é fazer música pop, com acordes que todos sabem tocar e arranjos que todos poderiam fazer, mas não fizeram. Aí está por vezes o brilhantismo das bandas pop, a genialidade de se terem lembrado de fazer aquilo que todos poderiam ter feito mas que ninguém se lembrou antes.

Interessante também perceber que os elementos que formam os Maze Lab têm de perceber bastante de música e ser bons na sua função dentro da banda. O vocalista tem uma voz que nos faz sentir em casa, um sotaque muito limpo, um à vontade enorme em todas as notas que percorre e em todas as palavras quem entoa. A voz emana um calor muito complicado de reproduzir e que assenta perfeitamente neste tipo de música.



Tanto a guitarra, o baixo e a bateria mostram claramente a sua influência pop-rock, se calhar mais rock que pop, pela estrutura com que vão denotando as faixas. São arranjos simples mas muito bem tocados, qualidade do toque acima de tudo. Sem destruir conceitos musicais ou inventar outros novos, os Maze Lab estão aqui a fazer a sua própria música, tal como por ventura ouviram outros fazer, inspirando-se mas não imitando.



Saiu recentemente o novo single "Compromise" do seu 2º álbum de originais, "Evolution", que já passa nas rádios e será o hino do projecto "Make it Possible", iniciativa apoiada pela Campanha Objectivos 2011 das Nações Unidas. "Naked Words" é o nome do EP que lançaram em 2009. No dia 12 de Maio, em Carnaxide, no Auditório Ruy de Carvalho, às 22h00, será apresentado o segundo long-play da banda. Uma banda a não perder, mesmo, de vista.




terça-feira, 19 de abril de 2011

Anaquim

Bluegrass é um género temporalmente ultrapassado. Um rockabilly acústico, minimalista e suave, mas rápido, já não é muito popular. Foi uma das ramificações do rock mais antigo, mas parece estar um pouco esquecido. Daí ser tão interessante a forma como os Anaquim pegam nesta corrente. A rapidez da música adequa-se perfeitamente à língua portuguesa e ao seu vocabulário diverso e aos seus complicados sons.

Temos uma bateria muito simples, só para marcar o ritmo mesmo. Um piano blues irrequieto e infantil de uma forma muito "desenho animado", guitarras eléctricas quase-acústicas que são precisas em toda a parte da música. Temos a ocasional melódica a dar um tom parisiense. As letras falam-nos de histórias populares e acessíveis, de coisas perfeitamente reais e possíveis. Contam histórias bem portuguesas e de uma forma bem portuguesa.



O público que atinge é absolutamente transversal no que toca a idades, género, sítio onde se mora. Está aqui o forte do som da banda. A língua portuguesa já abria portas a esta possibilidade, mas a forma como a música se enrola nos nossos ouvidos - em qualquer tipo de ouvidos - é fatal e faz-nos gostar imediatamente de Anaquim. E quanto à língua, não é só por ser a nossa. É a forma como a tratam. Parece que estão a conversar connosco, a contar-nos a história da vida deles.




segunda-feira, 14 de março de 2011

Luisa Sobral ENTREVISTA

Luisa Sobral está-se a colocar a jeito de se tornar na nova grande voz portuguesa, em que a palavra "grande" não deve ser tomada da forma habitual, tida como potente, rasgante e super-presente. Não, esta voz é doce, suave e dotada de uma dicção perfeita. Canta baixinho, conta-nos histórias em forma de segredo. Cantar num volume mais baixo é muito mais difícil do que parece e Luisa fá-lo com mestria, acompanhado de um jazz minimalista, acessível e apetecível ao ouvido.

Foi em Belém que o BANDCOM teve a oportunidade de entrevistar Luisa Sobral, sempre com um ar positivo e descontraído em relação aos próximos passos da sua promissora carreira.



Estiveste a estudar nos Estados Unidos mas a tua carreira está a começar agora mesmo, ou já teve início há um ou dois anos? Quando começou mesmo, após os teus estudos?

Acabei a universidade em Dezembro de 2009, portanto desde janeiro de 2010, já estava em Nova Iorque e começei a tocar lá. Já tinha feito coisas antes, mas estava a estudar, mais do que a trabalhar.

E foi onde? Optaste por te lançar em Portugal?

Tive em NI primeiro e gravei lá um EP. Acabei por vir para Portugal, e dei uma entrevista para a RTP2. Posteriormente, dei o meu cd a um conhecido, que mostrou à Universal (editora). Eles gostaram bastante do projecto e ligaram-me, foi aí que decidi voltar, achando que era a melhor altura para o fazer.

Confirma-se, portanto, a tua vontade de começar aqui, no nosso país.

Sim, aliás acho que é um bom começo o lançamento ser no próprio país. O estrangeiro pode ser um mundo em que, por ventura, eu possa ter mais medo, mas no meu país sinto a simpatia das pessoas, e com esse apoio, sinto-me mais à vontade para ir para fora um dia.




A tua escola nos EUA foi Berklee. O que é que mudou, quanto à tua aprendizagem musical, entre antes e depois da tua passagem por lá?

Mudou quase tudo em mim. Ou melhor, não foi bem mudar, mas eu não sabia quem era musicalmente. Tinha 16 ou 17 anos, é uma fase normal na vida de uma pessoa. Esses 4 anos ajudaram nesse processo de me conhecer melhor como música e como pessoa. Este CD é um produto desse periodo: de todas as pessoas com quem toquei, todas as experiências que tive, pessoas que conheci, da descoberta da minha voz e onde melhor ela se enquadrava – eu cantava rock e pop na altura, foi aí que começei a cantar mais jazz.

Por vezes, certos músicos vêem esse tipo de aprendizagem como apenas um mero acrescento de formação no seu percurso, mas no teu caso foi bastante diferente.

Foi, se fosse mestrado seria só um acrescento, mas era a primeira vez que estava a estudar música, foi uma mudança.

Quando é que te apercebeste da tua capacidade de compor e criar algo só teu, além do tocar e cantar músicas existentes?

Nem sequer pensei bem nisso. Quando começei a tocar guitarra, fazia sentido para mim. Pegava na guitarra e reproduzia o que ouvia na rádio, mas para mim ela era um meio de composição, sempre fiz as duas coisas de uma forma muito natural. Nunca me forçei a escrever, e acredito, pelo que já vi, que normalmente quem escreve nunca se forçou a tal tarefa. É uma coisa que o instrumento nos pede, o que acontece é que as pessoas começam a crescer e a ter medo de compôr, e às tantas existe uma barreira criativa. Não significa que não consigam escrever mas que não têm o à-vontade para o fazer. Quanto mais tempo esperamos, mais difícil isso vai ser.




Ao compores, pensas num artista específico e que gostavas de fazer uma música dessa forma, ou as ideias surgem um pouco do nada?

Depende. Uma vez escrevi uma bossa nova e pensei que gostava mesmo de fazer um tema como o Tom Jobim. E a bossa nova é toda muito parecida com os temas dele. Acontece a nível pontual, ainda ontem ouvi um espiritual negro que gostei muito, e achei que boa ideia criar uma versão mais jazzística disso mesmo. Há sempre coisas que me inspiram, mas também há outras que começo a tocar e não estou a pensar em ninguém nem em nada. Devemos estar sempre atentos a qualquer tipo de inspiração, os músicos, quando criam, têm sempre uma parte de imitação/recriação e isso nunca se consegue evitar, por menos que se pense noutros artistas.

Ficaste em 3º lugar na edição portuguesa de 2003 dos Idolos. Isso foi um incentivo grande para tu apostares numa carreira como música ou já era algo planeado?

Já estava na cabeça. O que os Idolos me trouxeram foi a certeza de que eu não estava pronta, musicalmente, naquela altura. Tive vários anos em que não conseguia ver as minhas performances por achá-las horríveis, agora olho para trás e acho que era normal e que tinha muito para melhorar. Depois do programa, percebi que precisava de ir estudar e perceber quem era mesmo musicalmente.

A tua música tem um toque mais intimista, de concerto pequeno.

Eu adoro concertos pequenos!

Sim, é o estilo de música ideal para esses. Mas será que isto pode ser uma condicionante, para chegar a um público vasto, a um grande número de ouvintes?

Acho que não, hoje em dia há tanta gente a fazer música mais intimista e que na mesma têm muitos adeptos. Recentemente, fui ver o concerto do Michael Bublé no Pavilhão Atlântico e estava a pensar “não sei se gostaria de tocar aqui”. O som não é feito para algo do meu género, e eu gosto de ver o fim do teatro, do pavilhão. O sítio ideal para mim, para tocar, são teatros antigos e bonitos, pequenos mas com história, em que consigo ver tudo lá atrás. Espaços como o Pavilhão Atlântico parecem tão pouco pessoais, isso faz-me preferir sítios mais reduzidos em tamanho. Talvez daqui a uns tempos, se tudo correr bem, pense de forma diferente, mais em grande, mas gosto mais de tocar em locais mais pequenos.some_text


Tocas e cantas num tom muito jazz. O que achas do que se faz nessa área em Portugal? Se as pessoas ligam ao género, se as bandas o tocam?

O que se faz de jazz é muito bom. Ouvi o último CD do Mário Laginha e é muito bom, gosto muito de Bernardo Sassetti, adoro a Maria João.. Para mim das melhores cantoras, acho incrível o trabalho dela. Na Berklee, dizia que era portuguesa, e os meus professores, que tocam com o Paul Simon, são grandes fãs da Maria João. Quando me fui embora, falavam-me dela e eu não conhecia bem, pelo que decidi ouvir tudo o que ela fez. Acho que temos pessoas muito boas. Quanto ao valor que as pessoas dão ao jazz, eu diria que o dão, os concertos estão cheios! E penso que estão a ouvir cada vez mais, o jazz começa a aparecer em restaurantes, cafés, onde não passava tanto. Mais rádios a dar temas do género.. Tenho amigos meus a mostrar-me música que nem sabem que é jazz mas é, artistas como o Jamie Cullum, que toca standards de jazz, com uma voz rockeira, rouca, e que já é mais conhecido.

Estás a começar agora, o CD está aí a chegar ao mercado. Além da Universal, que aceitou muito positivamente o teu trabalho, que feedback tens tido nos últimos tempos?

Sim, até agora tem sido tudo bom. É difícil de ver porque as pessoas ainda não ouviram bem o cd, ainda não viram bem quem eu sou, e elas precisam uma imagem para começar a ter uma opinião formada. Mas tudo o que recebi até agora tem sido muito bom.

Que concertos podemos esperar da tua parte nos próximos tempos?

Tenho concertos agendados para as FNAC de todo o país, no início de Maio vai ser o concerto de lançamento, na primeira semana do mês.

Ver e ouvir aqui as suas músicas




terça-feira, 5 de outubro de 2010

Oceansea



Acústico

Na atmosfera Pop-Rock, uma musicalidade puramente acústica pode ser difícil de executar, quer seja de transição do eléctrico para acústico ou só de criação no meio acústico. É algo, obviamente, apenas ao alcançe dos melhores. Não, não me refiro aos grandes guitarristas ou grandes cantores, de técnica apurada e arranjos complexos. Esses também o conseguem, e bem, mas com talento natural consegue-se fazer boa música com um bom naipe de acordes, por exemplo.

Oceansea é um projecto a solo de Daniel Catarino, e o EP "Songs From The Bedroom Floor" o primeiro desta carreira solitária. Daniel tem consigo uma guitarra e a sua voz, mais nada. E muita inspiração, pelos vistos. Este EP leva-nos a um mundo folk um pouco esquecido pela evolução musical dos últimos tempos, de contemplação e viagens, de calmaria e brisa. É um estilo de música que, não estando por isso "old-fashioned", leva-nos aos primórdios do rock simples e mais crú, sem grandes derivações e desvios.

Podemos ouvir, neste 1º passo da carreira a solo de Daniel, músicas simples e directas, mas muito eficazes. Temos perante nós uma voz boa, mas não brilhante, arranjos de guitarra bons, mas não de outro mundo, e as faixas não deixam de ficar no ouvido e de nos fazer querer ouvi-las outra vez. Não é só o soar bem, há mais qualquer coisa. O palavra "catchy" encaixa em todo esta ideia.

Considero a melhor canção "The Whimsical River". Tem um refrão fantástico, e a forma como toda a música desliza pelos nossos ouvidos é fantástica. Foi aliás a música que me deu o incentivo para ouvir as restantes. É um projecto a solo a ter em conta, e esperemos que ande por aí nos próximos tempos, pois bem que merece este tal talento musical, que participa ainda nos projectos Landfill, Long Desert Cowboy, Uaninauei, Cajado, Moneymaking Machine, Camafeus e Seven Thousand.

MySpace: http://www.myspace.com/oceanseamusic




Dead Combo

Lusitânia Playboys | © 2008 Rita Carmo | Dead Combo




Acústico

Por vezes ouvir também é contemplar. É também imaginar outras épocas e outras pessoas de outros tempos e outros sítios, quando a música o impõe. Muitas vezes de forma melancólica, pois muitas vezes o passado é saudade, a infância é saudade, os sítios onde realmente estávamos bem ou achávamos que estávamos. "But not anymore".

Os Dead Combo são um grande activo da música nacional. A descrição mais estranha que me lembrei deles foi a junção entre fado, Jeff Buckley e o tango das zonas mais pobres de Buenos Aires. Em comum a melancolia, uma certa paixão latina, mas acima de tudo um toque muito suave da sua música. Conseguem ser muito portugueses, sente-se o fado como já disse, mas também pelo imaginário de rua que nos é proporcionado.

Também se nota a influência do jazz, na imprevisibilidade da música mas sempre muito segura de si. O duo instrumental funciona de uma forma intra-complementar, sendo que quando a guitarra canta em lamúrios, causados pelo reverb imenso e pelo toque limpo da mesma, o contrabaixo é o guia por entre a música. Não só é o ritmo à falta de percurssão, mas como também nos diz para onde vamos a seguir, faz manter a guitarra na linha da música, não a deixando fugir.

A nivel técnico, são ambos muito bons. O som que ambos extraem dos respectivos instrumentos é muito puro e transmite bastante emoção e sentimento, não sendo o normal tocar nas cordas. Para a música ser contemplativa, este seria e é o elemento mais importante e está conseguido da melhor forma possível. O sentimento aplicado em cada toque na guitarra e mesmo no compassante baixo é marcado e patente. Em certas músicas, contam com um adicional percurssionista / baterista, ganhando assim os Dead Combo uma nova dinâmica, apesar de continuarem a ser brilhantes sem esta parte rítmica.

http://www.myspace.com/deadcombo






Twitter Facebook More

 
Powered by Blogger | Printable Coupons