2015 foi um ano altamente positivo e repleto de dores de crescimento. Uma atenção mais constante para a novidade face à consolidação daquela crítica ou daquela entrevista não deixa saudades mas deixa promessas e vontade de fazer ainda mais. Palcos que começam a ser muitíssimo familiares, festivais que são velhos conhecidos estão lado a lado com novos parceiros, novas colaborações e relações, sempre, altamente movimentadas em que todos dão o seu melhor. Chegamos ao final de 2015 e estamos já a menos de um mês de comemorar 5 anos de uma feliz existência e a poucos dias de fechar o balanço com a publicação das habituais listas de melhores do ano, para o público e para nós. Desde o berço em que parceiros como o Music2deal, o AudioQuest, o Pinstage, a EE Music e a A.M.A.E.I. - Associação de Músicos Artistas e Editoras Independentes nos têm e vão continuar a acolher, agradecemos todas as mensagens, todas as críticas, a todos os que nos seguem, a todos os que contam também connosco. É com as escolhas de todos estes que dizemos: Até já. Até mais um ano. Até um excelente 2016!
DISCOS 1. MAHOGANY - "A HOUSE IN ICELAND" 2. THE FINES - "GREATEST TITS" 3. WELLS VALLEY - "MATTER AS REGENT" 4. PHILL ROCKER - "HARD TO BLEED" / PEDRO MESTRE - "CAMPANIÇA DO DESPIQUE" 6. WRATH SINS - "CONTEMPT OVER THE STORMFALL 7. TELEPHONY - "MAYDAY" 8. CHAPTER NINE - "TALES OF DREAMS AND MEMORIES" / BIG ROLLING WHEEL - "BIG ROLLING WHEEL" 10. WEB - "EVERYTHING ENDS" EPS
1. FUZZIL - "BOILING POT"
2. AMOR TERROR - "A CULPA É TUA" 3. STONERUST - "NOTHING LEFT INSIDE" 4. ANYA KARIN - "OWNER" 5. PROZAC CAMEL - "LEARNING TO FLY" 6. TWISTED FREAK - "SUMMER NIGHTS" 7. DAILY MISCONCEPTIONS & O MANIPULADOR - "LOP" 8. SECRET SYMMETRY - "EMERGE" 9. CAJADO - "ANTA DO LIVRAMENTO" 10. TIAGO SILVESTRE - "SANTA APOLÓNIA" / CAN CUN - "THIN ICE DANCE FLOOR"
A tour de apresentação do novo disco de PZ e sucessor de "Rude Sofisticado", "Mensagens da Nave-Mãe", conhece uma das suas últimas datas, para já, no paraíso das Noites Ritual nos Jardins do Palácio de Cristal, Sexta-feira e Sábado, onde a entrada é livre e a música não tem franquia. Não é apenas pelo facto de a música continuar a soar, sem saudosismos, a uma espécie de Repórter Estrábico inflamados de "Viagens" de Pedro Abrunhosa, mas a ligação à terra-mãe e a utilidade acrescentada à caixa de comentários favorecem na hora do sucesso, aí cada vez mais amplificado pelo poder de despertar reacções imediatas a todo o Universo Paulo José Pimenta por parte de multidões difusas, se falamos de aplausos, ou de grupos muito concretos, se as dúvidas se instalam. Esperava-se que PZ pudesse sobreviver sem a sua própria consciência? Não o esperamos nem o esperávamos antes, durante ou depois de o conhecer melhor. Música de intervenção? Música é intervenção. A pop também pode ser sinónimo de subversão.Mas agora, queremos ver o Verão a acabar em beleza com PZ dadaísta, o aprendiz eterno de super-artista. Venham daí: com PZ, ganhamos todos nós. Com as Peta Zetas, também, claro.
BandCom (BC): Este mais recente “Mensagens da Nave-Mãe” sucede ao “Rude Sofisticado”. Fala-nos um pouco das ideias principais que te levaram a este disco e a afastares-te, não totalmente, do disco anterior. PZ: Neste projecto não existem muitas ideias principais, são mais aglomerados de memórias e visões sociais [com] que a minha mente se confronta e se debate no dia-a-dia. Daí haver uma certa coerência entre as mais recentes “Mensagens da Nave-Mãe” e o “Rude Sofisticado”, como também acho que já houve pontes que ligaram o “Rude Sofisticado” ao meu primeiro álbum, o “Anticorpos”. O processo nestes 3 álbuns foi o mesmo, solitário, livre de fazer música à minha maneira, livre de escrever letras e melodias que me fizeram sentido, sempre pronto para brincar com drum machines, samplers, sintetizadores, tocar linhas de baixo ou guitarra. Aliado a tudo isto é o conforto do meu ambiente caseiro que me deixa compor e produzir no momento em que penso nelas. Se bem que algumas melodias e letras fiquem a ruminar na minha cabeça durante alguns meses e, às vezes, anos. BC: Qual é a pergunta que continuas a fazer à “Nave-Mãe” sem que obtenhas resposta? PZ: O que raio é que estou a fazer aqui? BC: Agora que também já participaste na abertura de um espectáculo de stand-up comedy, qual é o melhor sketch que tens na tua cabeça e que gostarias que se tornasse uma música? PZ: Correcção, eu fechei um espectáculo de stand-up a convite do Eduardo Madeira e foi uma óptima experiência. Gostei muito de conhecer vários mestres da comédia portuguesa que se encontra num momento muito bom e ímpar a meu ver. Mas nunca pensei num sketch que se possa tornar uma música. São duas formas de expressão diferentes apesar das 2 artes se tocarem muitas vezes. Há músicas que nos fazem rir e há comediantes que usam a música para nos fazerem rir durante as suas actuações. BC: És daqueles produtores e compositores que vai buscar inspiração a tudo ou que já sabem muito bem o que é que lhe vai chamar a atenção e cola-se a esse filão? És o membro perdido dos Primus, Sleaford Mods ou Fall? PZ: Gostava muito de ser um membro perdido dos Primus ou dos Fall, sem dúvida! São bandas que por acaso sempre ouvi com atenção, especialmente os Primus. No entanto, quando faço uma música estou a pensar mais em mim e no que me define; aliás, é uma maneira de me libertar dos constrangimentos sociais que nos rodeiam. Sair da norma, procurar a ambiguidade e o surrealismo, mas sempre com uma forma de expressão muito própria e singular da língua portuguesa. Agora, claro, a minha musicalidade vai buscar muitas influências a várias bandas dos mais variados espectros musicais. É a lei da música. BC: Entre os discos, vão aparecendo várias canções e videoclips de temas que só mais tarde ficamos a saber se vão mesmo integrar o trabalho seguinte. Depois de tanta partilha, tanta entrevista, tanto “passa-a-palavra”, quais são as medidas do sucesso da música do PZ? PZ: É sempre difícil medir o sucesso. O sucesso nasce do caos residual provocado pelo trabalho de qualquer um em qualquer área. Quando esse trabalho é reconhecido pelos nossos pares, e em certas actividades artísticas pelo público, diz-se que é um sucesso. É um cliché o que vou dizer, mas o sucesso tem muito a ver com o trabalho que cada um faz e a dedicação a esse trabalho. Tive que passar por muitas etapas para chegar onde estou e durante esse tempo fui formando uma linha musical que começou a chegar a mais público através dos discos, dos videoclips, dos concertos, entrevistas, etc. Claro que as redes sociais e o Youtube foram importantes para chegar ao público moderno, aquele público insaciável por coisas novas, imediatas, que possam partilhar no momento, que se identifica com o que ouve e com o que vê. Foram muitas horas e momentos que gastei a produzir conteúdos e depois a divulgá-los; e muitas horas no Facebook e afins a comunicar com as pessoas que me seguem, o que é realmente algo de especial e somente possível hoje em dia. Outra vertente onde me dediquei muito nos últimos 2 anos foi nos concertos, na actuação ao vivo. Hoje em dia o PZ é uma banda ao vivo e um espectáculo audiovisual mas esta evolução vem de trás com outras bandas que toquei ao vivo como os Paco Hunter ou a Zany Dislexic Band. Para se ter sucesso é preciso tempo, que é uma dimensão muito menosprezada hoje em dia.
BC: É óbvio e recorrente o teu recurso à ironia nas canções que apresentas mas acabas também por cruzar outras referências e outras figuras de estilo. Há algum momento em que a transmissão da mensagem inicial é afectada ou isso induz mais não a personificação mas sim a personalização das canções? PZ: Acho que a mensagem inicial que se deposita na música nunca é alterada no seu essencial, mas é uma questão onde posso estar enganado… Cada pessoa tem a sua interpretação da música. Ninguém neste Mundo vê e ouve o Mundo (passe a redundância) da mesma maneira. Mas gosto da ideia de ter músicas personalizadas e não personificadas. No entanto, há certas músicas em que me torno uma personagem diferente dentro das muitas que me habitam e que vão variando de dia para dia ou mesmo de hora em hora. Para além disso, gosto de atazanar a minha condição humana e pregar-lhe belas partidas. Às vezes, nem eu próprio, no meu estado mais consciente, sei como interpretar a minha música ou o estado de espírito que me levou a fazê-la. O que eu percebo é que me divirto a fazer música sempre na esperança que outros se divirtam e se questionem enquanto as ouvem.
BC: Concordas que, para além dos leitmotivs principais de cada disco ou tema, também o projecto PZ é feito de raízes, que tem um sentido particular de espaço e de tempo, que teria que ser adaptado para ser feito noutra altura e noutro local? Por exemplo, que mais “Dinheiro” nos bolsos não significaria imediatamente atingir outros objectivos, talvez até maiores? PZ: Por mais imaginação que tenhamos não conseguimos sair do nosso tempo. É ele que nos define a vários níveis, principalmente se estivermos a falar de um ser social como é o ser humano. Não vale a pena fazer conjunturas sobre o que seríamos se vivêssemos noutro tempo. Isso é uma impossibilidade física. Vivemos agora, e o agora é que está a dar. Mas uma coisa é certa há muito tempo: o Tempo é Dinheiro. BC: Dizes que sempre gostaste de fazer música para te divertires mas também que esperas que a exigência e a sua singularidade se mantenham como duas características importantes. Tendo em conta essa teia de equilíbrios finos, em que é que queres puxar mais pela música do PZ? Achas, tal como o Howe Gelb disse numa entrevista recentemente, que quando tiveres feito o teu melhor disco é altura de deixares de ser o PZ e fazer com que haja outro projecto diferente mas com o mesmo grau de importância? PZ: Acho que nunca vou ter a certeza de qual será o meu melhor disco. Eu acho sempre que o melhor é o último pois é a experiência musical mais recente que tenho. Eu já faço outras coisas para além do PZ, e tenho outras visões musicais que espero editar brevemente, mas tudo a seu tempo.
BC: O que é a Meifumado (se não for uma espécie de “Matador” como já disseste antes) e a música independente em 2015? Esta última é a que mantém a música mainstream a respirar saúde? Ultrapassado o fantasma dos downloads ilegais, estamos a conseguir lidar bem com novidades como a implantação das redes sociais e dos festivais de Verão como um fenómeno nas nossas vidas? PZ: Acho que não há como lidar mal com coisas positivas. As redes sociais e os festivais de Verão têm ultimamente sido muito importantes na sustentabilidade do mercado da música feita em Portugal. Promotores, editoras, agências, produtoras, estúdios, toda uma panóplia de indústrias criativas, de comunicação, etc, têm a música como a gasolina que as faz andar para a frente. E, claro, deixei para o fim de propósito, os músicos que são a peça-chave de toda esta indústria apesar de, por vezes, nos esquecermos disso. Sem os conteúdos musicais interessantes e que façam mexer as cabeças e as pernas do público nada disto seria possível. A música faz e sempre fará parte integrante, e atrevo-me a dizer estruturante, de qualquer cultura integrada numa sociedade moderna. Acho que os músicos deviam ser mais compensados pelo seu trabalho e pela sua criatividade. Não estou a dizer que não são, e é obvio que cada músico faz parte de um mercado livre onde a lei da oferta e da procura é quem dita as regras, mas há situações onde os lucros de todo este fenómeno musical deviam ser mais compensadores para quem realmente faz a música. As redes sociais ajudaram também nesse aspecto de dotar os músicos de mais independência no seu trabalho, mais controlo sobre as suas obras na medida em que podem divulgá-las de formas mais eficazes do que através dos canais tradicionais. Hoje em dia para se singrar na música não é necessário fazer parte de uma editora major. Daí estarmos a ver cada vez mais álbuns com edições próprias ou com o apoio de editoras independentes, mais pequenas, mas dotadas de estruturas eficazes para fazer chegar a música às pessoas e ao público que interessa. BC: Que performer compõe a mais imponente figura de palco de sempre? Porquê? PZ: Pergunta difícil… Michael Jackson, Jim Morrison, Morrissey, Kurt Cobain...há vários performers que nos enviaram e continuam a enviar para galáxias musicais distintas mas ao mesmo tempo intemporais. Acho que há sempre algo de transcendental nos grandes performers musicais. BC: No manifesto da missão da Meifumado o epílogo rege-se com “Venham ver o barco a afundar”. No barco ou na nave-mãe, sempre com o mesmo pijama? PZ: :) A Meifumado é uma editora/produtora em constante transmutação, formada e reformada por várias pessoas que trabalham com uma ideia que já tem mais de 10 anos. O conceito é simples: a produção e edição de boa música. Conceito original, não?
Até aos The Black Zebra os irmãos Hugo e Nuno Machado só não tinham partilhado uma banda. Uma banda com ambições, com metas. Chamaram Daniel e Dinis Machado e em três meses tinham um EP criado de raiz, ex nihilo, e tinham um videoclip para mostrar; metade dos Pernas de Alicate a tratar da sua imagem, os Lupiter a tratar dos seus sentidos, um piscar de olhos ao post-rock e o desvio experimental para o stoner e o indie-rock (à procura, inconsciente, de parte do universo musical dos Pernas de Alicate) e aqueles 15 minutos de música estavam devidamente protegidos. O cuidado na autenticidade valeu-lhes, ainda quase sem concertos para duas palmas das mãos completas, um fim-de-semana bem preenchido como este que passa no Indie Music Fest e no Sound Violence Fest. Agora, os The Black Zebra vêem os The Black Zebra e não se preocupam nas próximas linhas com os pingos da chuva.
Atram (pulso) Apelamos ao sentimento do público pela batida cardíaca, forma que achamos facilitar a interpretação de cada um, sentir a música como nos sentimos a nós mesmos. Respirar música é uma forma diferente de inconscientemente chegar a pensamentos muito próprios de que nenhuma letra seria capaz.
Eco Escolhida para 'single' e consequente vídeo. Achamos que é a nossa música mais 'singlável', direta, pouco evoluída metodicamente mas com bastante poder e movimento. Eco daquilo que começámos a fazer, foi das nossas primeiras músicas.
Lupiter Criada depois de ver um concerto de uns amigos, é uma das nossas músicas mais intensas e expressivas. Ouvi-la é mesmo a melhor forma de interpretar a sua essência.
Chain
Cadeia de movimentos e melodias, esta é a música do nosso EP que achamos mais madura. Foi colocada em último propositadamente, sendo que é uma amostra daquilo que será o nosso álbum que gravaremos em Dezembro próximo. Muita coisa está ainda para vir.
Caro Davide, está garantido que o Benjamin Clementine volta a Portugal por ocasião do Vodafone Mexefest lá mais para a recta final do ano. Seria, evidentemente, óptimo que estreasses o teu disco em nome próprio, "Na Volta", no Indie Music Fest logo à noite com o mesmo impacto que aquele "Later With Jools Holland" teve em abrir olhos e desafiar consciências. Esperemos que estas 10 canções sejam uma das últimas Coca-Colas de um deserto de rotas claras para a maioria das pessoas que querem dar a cara e o nome pelas suas canções. Mas os Miss Titan, quem vai gravar ao Silo, outras pessoas continuarão a precisar na mesma medida de um pouco dessa personalidade que cativou acima das canções. Agora, deixa que as pessoas saibam um pouco mais, deixa as pessoas cantar essas certezas e essas questões e tomar o pulso às canções. Esta é a carta que não te vamos escrever.
BC: Pergunta para queijinho: tinha que ser exactamente “aquela” a hora em que recordas que O Bisonte “terminou”? Há alguma relação com o clique que se dá para o avanço dos Miss Titan? Davide Lobão (DL): Há este espaço, para a dúvida, que é necessário. Começando pelo fim: Miss Titan já se vinha a desenvolver ainda O Bisonte estava de boa saúde. A primeira vez que estreámos aquilo foi numa das malogradas festas do Quase Fim d’Ano. Não recordo um momento em que tenha terminado, O Bisonte. As coisas vão acontecendo e nós vamos percebendo o que se passa. Cada um, individualmente, faz a sua parte, no bom e no mau. Na dúvida, se a questão aponta ao final da banda e à sua relação com a "Hemingway", a resposta só pode ser que a "Hemingway" data, talvez, de 2010. BC: Pergunta para a faca na mão: onde é que se quebra o fio condutor entre o Davide Lobão de banda, O Diligente e o Davide Lobão em nome próprio? É na relação com o poder “relativo”? DL: Não sei bem. Continua a ser mais cool ter um nome fixe, de banda, ou ter a Pitchfork a dizer que a tua música é fixe e por isso o teu nome é mesmo fixe, ou então os teus amigos fixes com mais uma ideia vintage fixe. A minha primeira questão foi a responsabilidade, o dar a cara. Sempre o fiz, com as minhas bandas, mas dava a cara por um grupo. Não mudou muito. Dou na mesma a cara por um grupo que me ajuda a dizer aquilo que quero dizer. No fundo não há uma quebra, antes sim uma continuação. BC: Depois de concluíres no final do disco que já és “maior”, qual é a tua maior certeza aos 33 anos? Que voltas há a dar à forma como se relacionam inspirações e as respectivas composições que delas resultam para quem já escreve e trata ao vivo há tanto tempo? DL: Essa é a pergunta que eu ando a tentar responder. Na verdade não sei. As certezas diluem-se e escapam-se-nos pelos dedos e a inspiração é apenas a vontade que temos de dizer algo realmente honesto. A cena é quando eu tentar contar uma coisa que nem sequer me faz assim tanta diferença, que podia nem ter dito. Aí é que vai ser complicado relacionar-me com o Mundo.
BC: Não deixei de reparar num comentário feito na tua página de Facebook: “A solo? Todos os músicos te abandonaram? Deves ser mesmo insuportável : (“. Aparte a ironia, é de notar que efectivamente alguns dos músicos com que tocavas antes acompanhar-te-ão agora. Deixaram de ser “apenas” colegas de banda para ser uma segunda família? DL: É. Não é à toa que o Nuno, que fez esse comentário, já teve uma banda chamada Cabrões Irónicos (desculpa Nuno) com a qual eu ensaiei uma vez, num escritório, do Gilman, na Maia. É muito importante tocarmos com os nossos amigos, termos vontade de rir com eles e nos juntarmos para isso. Já eram família antes de serem colegas de banda, portanto é mais uma vez um sentido de continuação. BC: Em Junho desabafavas: “Odeio pessoas felizes”. Afinal, o que há para odiar na felicidade? DL: Tudo. É um conceito abstrato, um desequilíbrio estranho. O ódio e a depressão é que fazem o mundo girar. A auto-ajuda tem os dias contados. BC: 10 canções, 10 títulos, 10 palavras. Independentemente da sua complexidade e mensagem, é uma consequência da sua maturação que as músicas tenham títulos minimais? DL: Já me fizeram essa pergunta antes e nunca tinha pensado nisso. Algumas das canções tinham títulos mais longos e caminharam até ali. Deve ter a ver com esta fase. Poucas palavras mas mais acertadas.
BC: Qual é a canção que mais te orgulhas que seja tua ou também tua? Porquê? DL: Neste disco há um orgulho enorme. Do bom e do mau. Vou dizer só uma delas, a "Vá", que começa com esperança e vontade de ser melhor e acaba com um virar de costas. A ter que falar das canções de que me orgulho, nas quais participei, teria de falar de praticamente todas que fiz, com e sem banda. Já são umas quantas.
BC: Qual é o sabor de estrear um disco num dos maiores festivais do ano? DL: De responsabilidade? De gratidão? Só quero tocar alto, muito alto (e tens razão, é uma das coisas boas que por cá se faz, este Indie Music Fest!).
BC: Recordo um entre vários comentários à música d’ O Bisonte em que se classificava a banda como “uma banda tipicamente portuguesa”. Para ti, quando é que uma canção se pode tornar, também ela, “tipicamente portuguesa”? Vamos cair sempre na questão linguística mesmo que haja canções e bandas com termos como “Lisboa” e “Portugal” à mistura? DL: Nunca tinha ouvido essa. É uma coisa boa. Uma canção não se torna tipicamente portuguesa. Isso há-de ter a ver com a questão da identidade. Quanto mais nos identificamos com uma coisa e quanto mais próximos nos sentimos dela, mais diz acerca de nós. O que isso me leva a pensar é que de facto as palavras chegaram ao interior das pessoas, elas reviram-se naquilo que se estava a contar. Ser tipicamente português é o quê? Não é nada. Lisboa e Portugal são termos que aparecem para contextualizar e para tentar contar que lá na minha terra é desta maneira. BC: Para terminar: qual é o melhor concerto que viste este ano e qual o pior disco que escutaste (só para tentarmos ver se é possível fugir à tua paixão pelo disco do Benjamin Clementine)? DL: É uma paixão recente. Ofereceram-me o disco e quando dei por mim tinha rodado umas dezenas de vezes. Este ano foi o Gregory Porter, na Casa da Música. Pior disco não sei dizer porque hoje em dia já não se odeia bandas, ignora-se. Se tivesse um disco que odiasse era sinal que era bastante bom. Tudo isto é triste.
Sérgio Costa, Filipe Pereira e Jorge Oliveira formam actualmente os malcontent, o agora trio nortenho activo desde 2007 que se regenerou com sucesso após a sua vitória no antigo Super Bock Super Rock Preload em 2010 com as mesmas expectativas, ou até superiores, que adquiriu na altura imprimindo um forte cunho noise a uma estética semelhante à de bandas conotadas com o post-punk e o indie-rock. De partilhar palco (e até gosto pelo mesmo material) com, por exemplo, os Föllakzoid ou A Place To Bury Strangers, óbvios compinchas, vão amanhã ao Indie Music Fest integrar um contingente de cerca de 40 outras bandas nacionais, repetindo a militância festivaleira do Indouro Fest de há alguns meses atrás. Numa altura em que "Riot Sound Effects", o seu disco de estreia pela Honeysound e sucessor de "Erased" e "Love The Gun", também está mais do que na altura certa para ser descoberto por quem se desvia do "hype" momentâneo, falámos com a banda antes de mais um degrau no seu caminho em busca de palcos maiores.
BandCom (BC): Porquê “Riot Sound Effects” como título do vosso novo trabalho? malcontent: É um título que identifica a nossa sonoridade, a atmosfera que pretendemos criar em disco e que aponta o universo declaradamente caótico que pensamos que a música deve originar. Sinceramente, é também um título que identifica igualmente a nossa percepção do momento. Não cremos haver lugar a serenidade num país tão amarrado, tão sacrificado e tão enganado. Longe de se tratar de uma mensagem política, não deixa de ser um apelo contra a resignação. Noutra perspectiva, talvez a música, ou aquilo que a rodeia, necessite de um "riot sound effects". BC: Olhando para uma banda com o percurso e sobretudo a sonoridade dos malcontent, há “gritos de revolta” por dar? malcontent: O rock, seja qual for a sua vertente, significa que há gritos de revolta. Voltando à questão anterior, julgamos ser necessário agitar algumas águas onde mergulha a música. Seja pela forma como a indústria se desenvolve, seja pela forma como quem consome percepciona a música. Vamos continuar assim e não nos cansamos de dizer que estamos mais próximos do início do que do fim... BC: O que é que a adição do Jorge trouxe aos malcontent? malcontent: Há uma grande identificação do ponto de vista musical, o que não impede o surgimento de novas ideias, e o Jorge trouxe novas ideias. Temos agora uma formação estável, serena e madura... a melhor de sempre. BC: Foi fácil escolher as músicas e a ordem pela qual constariam no novo trabalho? Pode-se falar de algum “conceito orientador” para o “Riot Sound Effects”, apesar de não declarado? malcontent: Alguns temas que gravámos em estúdio ficaram à margem do álbum. As misturas finais trouxeram-nos algumas surpresas. Músicas que julgávamos indispensáveis ao novo trabalho acabaram por não entrar. Outras sobre as quais tínhamos reduzidas expectativas tornaram-se as nossas favoritas. É um processo estranho, mas que mostra a complexidade de produção de um disco. Quanto ao alinhamento do álbum, seguimos sobretudo uma sequência lógica do ponto de vista melódico, o que dá ao disco uma grande coerência. "Riot Sound Effects" enquadra (de uma forma ruidosamente melódica) o nosso ponto de vista sobre a sociedade ou sobre as relações pessoais. É o nosso pequeno contributo para questionar o que nos surge no dia-a-dia.
BC: Havendo quem vos compare ao noise e ao indie-rock mas com uma essência pop de bandas como os Jesus and Mary Chain, que descobertas e alterações na sonoridade dos malcontent, maiores ou nem tanto, vos têm surpreendido e motivado? Tem sido também um processo de revelação das vossas verdadeiras fontes de inspiração num dado momento? malcontent: Há um vasto conjunto de nomes, sobretudo do universo anglo-saxónico, que nos influencia, é certo, mas criamos o nosso próprio caminho. Temos por objectivo escrever canções recheadas de poeira sónica e, ao contrário do que muitos pensam, os meios inovadores para lá chegar não estão esgotados. Quase diariamente exploramos novas sonoridades, diferentes modelos de composição. É muito positivo quando o nosso próprio trabalho nos surpreende e isso vai reflectir-se no futuro. Temos muito por onde inovar sem renegar os nossos "princípios", a nossa ideia do que deve ser a música. Um tema pode ter airplay sem necessariamente resultar da fórmula clássica - intro, verse, chorus, verse, chorus, end - e é isso que estamos agora a fazer, mas sem entrar no erro de transformar as nossas canções aborrecidas... BC: A edição do disco contou, entre outros, com o contributo dos vossos fãs. Para além da contribuição monetária, houve algum incentivo, alguma mensagem que vos tivesse encantado para além do sucesso dessa iniciativa? Consideram isso como um carimbo de qualidade, como “a melhor crítica” que poderiam receber? malcontent: Sem dúvida. É a prova da qualidade do nosso som. Tivemos ainda muitas mensagens encorajadoras com o lançamento do álbum sublinhando a qualidade do trabalho. É naturalmente com grande satisfação que recebemos esse feedback. A reacção aos nossos concertos também é uma mensagem positiva. BC: Com o EP “Riot” e este “Riot Sound Effects” passaram a fazer parte do catálogo da Honeysound. O que/quem é que vos conduziu à Honeysound?
malcontent: A Honeysound encarna exactamente o espírito que deve acompanhar a música. Não é uma editora, é um conjunto de pessoas/músicos que pretendem servir a música e não servir-se dela. Há um esforço solidário na promoção e divulgação de projectos. Há um espírito de entreajuda e não uma tentativa de usar a música como trampolim para promoções pessoais ou como meio de lucro fácil. Já havia contactos e a nossa entrada no catálogo Honeysound foi quase natural.
BC: A “Aggressive” do “Riot” foi objecto de uma remistura por parte do Rui Maia. O que é que acharam do resultado final? Por entre as camadas de guitarras que imprimem, é útil ter alguém de fora que vos mostre outra forma para o mesmo conteúdo? malcontent: A remistura do Rui é excelente e é com orgulho que o vemos associado aos malcontent. Trata-se da sua própria interpretação de um tema nosso sem o desvirtuar. Mantém a agressividade, a intensidade do tema, mas transporta-o para outra atmosfera, mais electrónica e dançável. Não temos qualquer "prurido" com diferentes abordagens pois esse é outro veículo para fazer chegar o nosso som a outros públicos. Seria injusto não mencionar igualmente as remisturas de Fat Freddy e Alex FX que também estão no alinhamento do "Riot" EP. São trabalhos geniais! BC: À semelhança do Indie Music Fest, onde vão estar, outros festivais vão surgindo por todo o país e ganhando o seu lugar apresentando nova música portuguesa e dando lugar para que inúmeras bandas se mostrem em lugares mais destacados da sua programação. Isto significa que as organizações perderam o receio que tinham de colocar a música portuguesa ao nível da música de outros países? Que razões consideram mais importantes para esta alteração do paradigma que vinha sendo comum nos cartazes dos festivais de Verão?
malcontent: Sim, há claramente uma alteração de pensamento, mas nunca percebemos esse receio de colocar bandas portuguesas numa posição de destaque. É uma questão de mentalidade. E isso não é exclusivo dos festivais onde, para além de não haver lugar de destaque, durante muito tempo a inclusão de bandas portuguesas nos cartazes era vista como algo de favor (quantas bandas não terão ouvido, algo do género "tocam à luz do dia quando o público é reduzido e não temos como vos pagar. Ainda assim é muito bom para vocês, é promoção"). Também nas lojas convencionais questionamos a razão pela qual o nosso disco e outros de bandas nacionais é colocado lado a lado com artistas de fado ou música ligeira. Qual é o sentido? Então não será mais coerente colocar o nosso som junto à dita música alternativa? Por que não fazem uma banca exclusiva de música espanhola, outra francesa, japonesa, de Vanuatu, etc.? É uma questão de mentalidade que felizmente e sobretudo nos festivais começa a mudar. No entanto, acreditamos que a alteração do paradigma está directamente relacionada com a melhoria da qualidade das bandas nacionais. Há projectos excelentes e abrem portas à divulgação do fulgor criativo que Portugal assiste. BC: O que é que o futuro reserva no imediato para os malcontent? Espectáculos dentro/fora do país? Novas edições? malcontent: Estão agendados concertos em Espanha. Brevemente lançaremos em formato digital um EP onde incluiremos outtakes do álbum. Um novo trabalho está já numa fase embrionária e temos o objectivo de o editar no próximo ano. Ainda vamos fazer muito barulho!
Lembro-me como se fosse hoje. Estávamos no Inverno de 2013 e eu estava a jantar a casa de amigos. Bebeu-se copos, ouviu-se stoner e, no final, discuti com mais dois gajos os concertos que tinha curtido no Milhões do ano passado — a edição de 2012, portanto. Entretanto os gajos bazaram e, passado um bocado, saímos todos para ir ver um concerto à cave do Au Lait. À chegada, cumprimentei alguns amigos e constatei que a dupla que estava em palco eram os gajos com quem eu tinha estado a falar sobre o Milhões. Eram os 10000 Russos que, na altura, eram constituídos apenas pelo Joca na bateria e micro e pelo Pestana nas cordas. Dois anos e um EP depois, a dupla tornou-se um trio com a adição do André Couto no baixo e edita o seu primeiro LP pela londrina Fuzz Club. Um LP que indivíduo vulgar poderia julgar tratar-se de um tradicional álbum. Um álbum no qual se folheiam músicas e cada uma conta uma história à sua maneira.
Bem…sim e não. Podemos folhear o LP, sem dúvida. Mas todas as histórias, todas as viagens, todas as personagens e paisagens de “10000 Russos” são páginas do mesmo conto: o alcance do nirvana, aquele que se procura alcançar não através do acto consciente de meditação mas através da audição deste abstracto e complexo conto. Essa é a pretensão destes 3 xamãs, na infinita sabedoria das suas muitas faces.E, de facto, é assim que vos aconselhamos a ler este álbum: só assim podemos tentar compreender o sentido de todas as suas partes, só assim poderemos alcançar o derradeiro estado de êxtase espiritual. Mas além desta viagem espiritual, “10000 Russos” está repleto de double entendres e de ícones. Um deles é "Karl Burns", com que o registo abre, um dos "grandes" da história da percussão no rock que já passou por ilustres colectivos como os PIL e os Fall. Esta é, até à data, a única faixa do LP que teve direito a videoclip: provavelmente, o motivo desta homenagem reside na confessa paixão do Joca — o baterista dos Russos — pelos Fall. A seguinte “USVSUS” continua com a tendência do motorik e do space, talvez querendo metaforizar um hipotético conflito europeu versus norte-americano US (Europa) VS US (United States), tendo ao nosso dispor a munição do incessante motorik e a vantagem na exploração espacial, cortesia da nação russa. Talvez o título não tenha nada a ver com esta ligação mas existe, de facto, uma dimensão que transpõe a mera condição estática da palavra. Por outro lado, “Barreiro” é, como todos sabemos, uma terra deste nosso Portugal. Outrora soava maquinaria e vozes de operários no Barreiro - essa voz foi tragicamente silenciada pela morte da indústria. Outrora também um dos motores da pesca em Portugal, o Barreiro é actualmente um dos pontos de encontro e convergência de várias correntes revitalizados experimentais. Iniciativas como a ocupação de bairros por massas estudantis ou a reabilitação dos espaços têm vindo a renovar a imagem da cidade e a dar-lhe um novo ímpeto com dois particulares destaques em termos musicais: o OUT.FEST e o Barreiro Rocks, duas instituições cada vez mais sonantes no calendário musical nacional e claros culpados pelo Barreiro se tornar um ponto de passagem cada vez mais aliciante neste panorama. No entanto, outra voz se levanta: a voz da renovação. Este tema é a expressão dessa mesma voz. “Baden Baden Baden” é a 4ª faixa do LP. Baden-Baden — noutros tempos Baden — é uma cidade do oeste da Alemanha. Esteve sobre o controlo de Hadrian na altura do Império Romano, foi demolida durante as Guerras dos 30 anos e dos 9 anos e foi um ponto estratégico para a resistência francesa na Segunda Guerra Mundial. Actualmente, Baden-Baden é conhecida pelas suas águas termais e pelos seus spas - “Baden” é a palavra alemã para “banho/tomar banho” e a origem do nome da cidade deve-se, portanto, às suas águas. As mesmas águas nas quais os xamãs se inspiraram.
“Stakhanovets/Kalumet” é a pista que encerra este trabalho e também a sua faixa mais longa. O termo stakhanovismo surgiu na antiga URSS pautado como o fenómeno do aumento da produtividade dos trabalhadores do regime por seu próprio livre arbítrio; já kalumet (ou calumet) é o cachimbo da paz usado pelas tribos apache para celebrarem os seus acordos e tratados ou até para ser usado no contexto de algumas cerimónias religiosas, como uma forma de comunicar com o Criador, a entidade responsável pela criação do universo. A junção dos dois termos significará, tão somente, a procura incessante pelo Criador através da incursão em viagens e demandas longas motivadas somente pelo livre arbítrio dos seus participantes...o seu real significado, esse, deverá ser bastante mais subliminar. À imagem do homónimo EP, o percurso dos 10000 Russos continua a fazer-se ao longo dos pontos de convergência do space-rock e do kraut, com algum noise aqui e ali. Se entrássemos pelo campo da comparação, os 10000 Russos seriam uns Lightning Bolt mais virtuosos na componente kraut/space e menos dedicados ao noise. Porém, o trio também reúne um conjunto de influências e referências conceptuais que os tornam difíceis de catalogar e de interiorizar para aqueles que não conhecem tanto destes universos sonoros. A esses, aos interessados e aos curiosos, a todos vos recomendamos a incursão nesta viagem.
Mais uma edição de uma das rubricas de que mais gostamos e mais nos motivam, mais 5 tareias gigantes de outros tantos novos nomes para decorar ao nosso pequeno questionário de-Proust-que-não-é-de-Proust: Sr. Inominável, Acid Acid, The Missing Link, Surma e Yellow Low. Desta vez, 5 rampas de lançamento bem diferentes que estão mais próximas de vós a um mais curto prazo. Porque estes são "Talentos Para A Troca", façamo-los maiores e tenhamos a certeza de que mais surgirão. São moedas de troca para um futuro em que haja eco de algo. Sr. Inominável
Porquê Sr. Inominável? A motivação para o nome é a criação de um personagem que procura respostas, sobretudo para o amor. Um agitador e um agitado. Partindo da obra de Samuel Beckett, 'O Inominável'. Como definem a música que produzem? Corpo 'roque' com alma 'pop'. Qual é a vossa melhor canção? 'Corre Por Aí'. Pensam que, hoje em dia, a música que criam é mais importante do que a comunicação e o marketing que têm de fazer para a promover? A música é o principal. Trata-se daquilo que, para além da amizade, nos faz ter prazer em estar juntos. No entanto, toda a divulgação e a forma como é feita para tentar sensibilizar, emocionar as pessoas não é menos importante. De que revista não se importariam de estar na capa? Pitchfork. Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands? Primavera Sound. Spotify, Pandora ou Grooveshark? Spotify. MP3, FLAC, WAV ou vinil? Comprar discos. Que nem o Prof. Marcelo, sugestões de cultura (literatura, cinema...) musical? Cinema: 'Kynodontas' (2006). Literatura: Dostoievski - 'Crime e Castigo'. Musical: Festival de Paredes de Coura (sobretudo ao fim da tarde). Qual é a pergunta mais irritante que vos podem fazer? A clássica pergunta das influências.
5 canções para 5 cenários/situações diferentes? Encaixando músicas em estações do ano: Toro y Moi - Talamak:para a Primavera. Real Estate - It’s Real:para o Outono. Twin Shadow - Castles in the Snow:para o Inverno. Beach House - Walk in the Park: para Outono/Inverno. Metronomy - The Bay:para o Verão.
O nome surgiu após um 'brainstorm' com os amigos da Nariz Entupido. Aliás, foi a
malta desta promotora que me encorajou a tirar o pó aos instrumentos. Aceitei o
desafio para um concerto e de repente precisava de um nome. Não vou revelar a
origem de Acid Acid mas assim que surgiu na conversa acabou por ficar. Acaba por
representar a música que faço, aquilo que quero transmitir. Algo fluido, progressivo e
que cause, espero eu, uma viagem a um outro universo. Como defines a música que produzes?
De forma muito simples defino como experimental e ambiental. É inspirada pelos sons
do psicadelismo dos anos 60 e 70 e também pelas experiências do 'krautrock', em que
muitas bandas alemãs aliaram o psicadelismo a novas forma de fazer música usando, por exemplo, electrónicas pioneiras. O resultado, no entanto, acaba por ser algo muito
próprio, muito perto da minha identidade como músico.
Qual é a tua melhor canção?
Neste momento Acid Acid só tem uma música, por isso não existe propriamente uma
escala de qualidade. Não lhe vou chamar canção porque é só instrumental com vários momentos que se entrelaçam. É um tema com meia hora, sem paragens e que
pretende criar uma viagem através dos diferentes sons de guitarra e sintetizadores.
Pensas que, hoje em dia, a música que crias é mais importante do que a
comunicação e o marketing que tens de fazer para a promover?
A música é sempre o mais importante e quem pensa o contrário, na minha opinião,
não devia fazer música. No fundo, é a música que vai comunicar aquilo que o autor
quer expressar e não o 'marketing'.
Claro que todos os músicos sentem uma necessidade em dar a conhecer o seu
trabalho. Não estou de todo a menosprezar a comunicação. Mas quando só resta a
música, tudo o resto não interessa.
De que revista não te importarias de estar na capa?
Prefiro não estar na capa de revistas.
Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands?
Todos, por diferentes razões.
Spotify, Pandora ou Grooveshark?
Sem comentários.
MP3, FLAC, WAV ou vinil?
Gosto de ouvir música em vinil, mas não sou apologista de que toda a música deve ser ouvida neste formato. A música deve, sim, ser ouvida no formato mais aproximado em que foi gravada. Conheço óptimos discos que têm um som muito mau na sua edição em vinil, por isso não alimento essa questão.
No entanto, já sou contra o contínuo uso do MP3. É um formato antiquado que surgiu quando os computadores não tinham muito espaço. E quando surgiu foi perfeito, mesmo com a perda de informação. Foi necessário para a democratização da música. Mas hoje não faz sentido, dada a evolução dos PC's, portáteis e outras plataformas.
Ouvir música, de preferência, com a melhor qualidade possível. Mesmo que pelo meio tenha alguma 'batata frita'...
Que nem o Prof. Marcelo, sugestões de cultura (literatura, cinema...) musical?
'Pink Floyd: Live At Pompeii' e o DVD dos Led Zeppelin que saiu em 2003.
Qual é a pergunta mais irritante que te podem fazer?
Não me irrito facilmente.
5 canções para 5 cenários/situações diferentes?
Pink Floyd - The Dark Side of the Moon (álbum): para curar ressacas.
Led Zeppelin - When The Levee Breaks:para sair do banho antes de rumar a uma noitada.
Brian Eno - I'll Come Running: para ir a correr ao encontro da namorada.
David Bowie & Brian Eno - Warszawa:para superar um momento menos bom no trabalho.
Talking Heads - The Great Curve: para ganhar coragem para fazer algo de desafiante.
O conceito de The Missing Link (o elo perdido/o elo que falta) assenta em dois princípios base:
- O de uma busca incessante da fusão de estéticas procurando encontrar novos limites na composição musical;
- O da senda pela quintessência interior e pelo elemento último transmutador de todas as emoções humanas através da música.
Isto tudo, de um meu ponto de vista muito íntimo e pessoal.
Como defines a música que produzes?
Como antes descrevi no conceito, a forma das composições do projecto pode variar muito, sendo muitos dos temas em formato canção e estendendo-se até alguns exercícios de puro experimentalismo. O mesmo diria quanto ao exercício estético onde os limites da composição electrónica ao 'rock' são constantemente confundidos.
Qual é a tua melhor canção?
Pergunta um pouco impossível de responder, dado que existem certas músicas que correspondem a certas emoções e coisas que vivi que não posso classificar de melhores do que outras. Claro que há temas que sinto que estão melhor elaborados do que outros, ou que este ou aquele aspecto do tema foram melhor conseguidos, mas a relação interior que tenho com cada uma das composições faz com que sinta em dias diferentes que umas canções sejam melhores do que outras.
Pensas que, hoje em dia, a música que crias é mais importante do que a comunicação e o marketing que tens de fazer para a promover?
Eu acho que o produto da arte em si é sempre o mais importante, aquilo que o artista quer transmitir e partilhar e efectivamente o faz através da expressão da sua arte seja ela qual for, [esses] são o busílis desta questão. A 'promoção' e o 'marketing' são muito importantes na sua promoção e muitas vezes produtos de arte em si só também, cada vez mais, num Mundo onde a proliferação da comunicação em todas as suas formas cria um ruído informativo cada vez maior e mais denso, a promoção e o 'marketing' adquirem a função de [ir] além de procurar apresentar da melhor forma possível esse produto de arte e necessitam de conseguir que essa promoção seja filtrada no meio de todo o ruído existente.
De que revista não te importarias de estar na capa?
Rolling Stone?..
Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands?
Entre o Glastonbury, pela história, ou o Lowlands, pelo crescente prestigio, seria sem dúvida um prazer estar em qualquer um dos dois; no Primavera Sound também mas, dados os hábitos de consumo de arte em Portugal, acredito que me seria muito mais fácil tocar no Primavera Sound depois de ter participado em qualquer um dos outros festivais.
Spotify, Pandora ou Grooveshark?
Dos três, apesar de toda a polémica à sua volta, o Spotify parece, para já, ter sido o projecto que mais esforço tem feito em desenvolver alguma transparência no que diz respeito à gestão dos 'royalties' atribuídos aos artistas e daí talvez merecer o destaque. Parece-me um modelo de negócio com futuro mas que muito ainda precisa de crescer para se tornar um modelo justo para os artistas que têm visto durante os anos tanto do seu trabalho ser explorado por intermediários e onde apenas lhes chega uma fracção ínfima dos lucros gerados pelas suas criações. Mas, sem dúvida, o primeiro problema a resolver antes do paradigma dos meios de venda da música em si será o das percentagens irrisórias dadas pelas editoras aos seus artistas, pois as editoras criam contratos benéficos com estas plataformas mas os seus artistas nada ou quase nada vêem dessas receitas.
MP3, FLAC, WAV ou vinil?
A minha aposta aqui vai sem dúvida para o FLAC. O FLAC é um sistema de compressão de ficheiros de áudio sem perdas, o que quer dizer que é um ficheiro com as mesmas características de um WAV mas mais pequeno.
Pondo o MP3 de lado pois, na minha opinião, formatos de compressão nos quais a qualidade é comprometida em função do espaço ocupado é um paradigma do passado, onde o armazenamento era um problema a ter muito em conta nos suportes de áudio.
A questão do vinil ou do audio digital de qualidade CD (44000Hz; 16bit; stereo) é, normalmente, como também se ouvem os ficheiros em WAV ou FLAC; são todos eles representações de audio digital no formato PCM Linear (ou seja, o conteúdo da sua informação de áudio é armazenada de forma igual). É um terreno pantanoso onde o apego emocional e as sensibilidades particulares de cada um são muitas vezes confundidas com ciência. Em termos de especificações apenas, (isto partindo do princípio que estamos numa resolução de qualidade CD, pois tanto o FLAC como o WAV podem possuir resoluções maiores e aí a questão do vinil torna-se ainda mais clara) o vinil é inferior na sua capacidade de reproduzir dinâmica (Vinil 80dB-120dB; CD(16bit); 150dB) onde ainda é necessário contar com o seu natural e característico ruído de fundo e, apesar de ser capaz de reproduzir uma gama de frequências maior do que o CD, não tem a mesma margem dinâmica para cada uma dessas frequências devido a limitações mecânicas do sistema. Resumindo, o som do vinil é único e super agradável em muitos aspectos, em parte devido às suas limitações, todo o ritual associado à sua compra ao seu uso...são aspectos importantes a ter em conta na avaliação da experiência do seu consumo; mas o suporte digital sem compressão com perdas, como o WAV ou o FLAC e especialmente se falarmos em resoluções superiores às antes mencionadas, são sem a menor dúvida a forma mais fiel de tecnologia de armazenamento de conteúdo áudio que possuímos no momento.
Que nem o Prof. Marcelo, sugestões de cultura (literatura, cinema...) musical?
Gostaria de começar por destacar dois projectos de 'rock' nacional cuja recente experiência ao vivo me deixaram impressionados da melhor forma possível: os portuenses Plus Ultra, cujo nome não poderia ser mais claro na descrição explosiva e coesa do seu som; e os bracarenses Bed Legs com o seu 'rock' directo e intensamente 'soulful'.
Entre projectos electrónicos, que muito tem proliferado neste país, o trabalho das editoras Con+ainer e Extended (com as quais também tenho trabalhado e editado em outros projectos musicais um pouco mais electrónicos) têm mostrado que existe muita qualidade nacional tanto a nivel editorial como da produção musical.
De projectos internacionais que ultimamente me têm despertado o interesse: os The Brian Jonestown Massacre, com o seu álbum 'Revelations' de 2014, têm sido uma redescoberta saudável de um psicadelismo em mim de alguma forma escondido. Outro artista que merece atenção é o D’Angelo e o seu ultimo álbum 'Black Messiah': é uma revelação no que diz respeito a estender os limites estéticos do r&b e do 'soul', é um disco onde estes estilos se confundem muito bem com muitas outras estéticas, como por exemplo o 'rock', o 'funk' e o 'gospel'.
Qual é a pergunta mais irritante que te podem fazer?
Não me irrito com facilidade, mas talvez alguma que deliberadamente não seja feita para eu responder.
5 canções para 5 cenários/situações diferentes?
Vangelis - Blade Runner Blues: qualquer dia cinzento e chuvoso.
Beck - Beercan: festa na praia com amigos.
Jamie Lidell - Little Bit Of Feel Good: em qualquer altura desde que bem acompanhado.
Atom ™ - Strom: em viagem.
James Holden - Blackpool Late Eighties: ao amanhecer.
O porquê de Surma...eu tinha imensos nomes em mente para este projecto mas houve um dia em que estava a ver um episódio da Discovery em que falavam dos costumes e dos rituais das tribos indígenas e uma delas denominava-se Surma. Quando ouvi o nome fiquei deveras interessada nele (risos), pareceu-me bastante interessante e que ficava no ouvido. Então, optei por riscar os outros e mandar-me para a frente com este nome.
Como defines a música que produzes?
A música que produzo... Não gosto muito de dar 'labels' ao género musical que sai no momento...pode-se dizer que é bastante experimental/'noise' e um pouco minimalista mas ainda não sei em que género se enquadra especificamente nem consigo 'labelar' isso (risos)...
Qual é a tua melhor canção?
A minha melhor canção...hmm...essa pergunta é difícil, cada uma tem um significado para mim e são sempre construídas um pouco de maneiras diferentes. Mas talvez a 'Maasai', é a que fica mais no ouvido e é aquela em que estou a 'apostar' mais.
Pensas que, hoje em dia, a música que crias é mais importante do que a
comunicação e o marketing que tens de fazer para a promover?
Ambos os temas são importantes porque sem divulgação da tua música e sem 'marketing' da mesma não sais da cepa torta (por assim dizer). É claro que para mim a música que crio é das coisas mais importantes mas se não tens comunicação com as pessoas nem fazes publicidade do projecto é claro que não tens um conhecimento desse mesmo projecto nem sabes a opinião das pessoas em relação ao mesmo. A música que crio é das coisas mais importantes para mim mas a comunicação tem de estar sempre lá.
De que revista não te importarias de estar na capa?
Revista... Não me importava nada de estar na capa da Blitz (risos) ou então de uma DIY.
Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands?
Festival dos meus sonhos para actuar...uiii! Desses 3 os 3 certamente (risos) mas o Primavera Sound é um dos meus objectivos (um dos meus grandes sonhos).
Spotify, Pandora ou Grooveshark?
Streaming...Spotify.
MP3, FLAC, WAV ou vinil?
Formato de áudio...WAV e vinil.
Que nem o Prof. Marcelo, sugestões de cultura (literatura, cinema...) musical?
Sugestões...Para mim uma das melhores músicas actuais e que para mim é uma das principais influências é a Grouper, sem dúvida alguma...depois St.Vincent, Colleen, Nanome, Sleep Party People, Agnes Obel, Soley, Balam Acab. Em relação ao cinema, a banda sonora do filme 'Amélie' (não me venham com coisas mas aquele Yann Tiersen é um génio) e em relação à literatura a biografia de Miles Davis (fantástico).
Qual é a pergunta mais irritante que te podem fazer?
Pergunta mais irritante...hmm...não me vem nada agora, sou uma pessoa pacífica (risos) e perguntar não ofende, não é?
5 canções para 5 cenários diferentes
Grouper: para aqueles dias de chuva em que queres deprimir e comer gelado em casa a ver filmes.
Kings Of Convenience: quando vais dar uma volta de carro com os amigos e queres sentir aquele 'chill' de Verão a correr-te nas veias.
The KVB: para fritar quando estás em casa sozinho.
Joy Division: para quando te queres sentir 'hipster' e 'da cena' enquanto sentes aquelas danças Ianásticas a saírem dentro de ti sem te dares conta.
Run The Jewels: para soltares o 'badass' que há em ti e te sentires com o ego no máximo quando sais do Metro.
Entre alguns nomes que tínhamos, este foi o que nos soou melhor!
Como definem a música que produzem?
Pode enquadrar-se em vários géneros mas não toma partido de um em concreto. Inicialmente definimos o projecto como indie-rock que reúne o alternativo, progressivo e psicadélico mas está ainda numa fase embrionária para ser definida.
Qual é a vossa melhor canção?
A que ainda não foi feita!
Pensam que, hoje em dia, a música que criam é mais importante do que a comunicação e o marketing que têm de fazer para a promover?
Damos maior importância ao que criamos, é isso que nos move, que nos motiva! A promoção só compensa quando o que tens para promover é bom.
De que revista não se importariam de estar na capa?
BLITZ, MOJO.
Primavera Sound, Glastonbury ou Lowlands?
Queremos é tocar.
Spotify, Pandora ou Grooveshark?
Não utilizamos nenhuma delas de momento.
MP3, FLAC, WAV ou vinil?
Vinil e WAV.
Que nem o Prof. Marcelo, sugestões de cultura (literatura, cinema...) musical?
Cinema: quase todos os filmes de David Lynch; '9$99', de Tatia Rosenthal; 'Irreversible', de Gaspar Noé; 'Mother and Son', de Aleksandr Sokurov.
Literatura: 'A Divina Comédia', de Dante.
'Performance': Olivier Sagazan (arte da transfiguração).
Música: Pink Floyd, Sigur Rós, Mogwai, Deerhoof, Mr. Bungle, Tame Impala, Queens of the Stone Age, Temples...
Qual é a pergunta mais irritante que vos podem fazer?
Depende da pergunta.
5 canções para 5 cenários/situações diferentes?
DIIV – Doused: adolescentes largados num lugar chamado Ignorância.
Tame Impala – Feels Like We Only Go Backwards: um relógio gigante em que os ponteiros, que são dois corpos (feminino e masculino), andam no sentido inverso.
Mogwai – Take Me Somewhere Nice: um lugar onde toda gente usa uma máscara sem emoções.
Sigur Rós – Vaka: meditação.
Pink Floyd – Shine One You Crazy Diamond: nascer com a certeza de que já se viveu antes.
No próximo dia 17 de Setembro a A.M.A.E.I. - Associação de Músicos Artistas e Editoras Independentes regressa com o seu ciclo de "workshops" ao Centro de Inovação da Mouraria / Mouraria Creative Hub. Desta vez, para se discutir a partir do tema "PLATAFORMAS DE DISTRIBUIÇÃO DIGITAL – Como navegar as águas digitais maximizando as fontes de rendimento do streaming". A partir das 15h, levem todas as perguntas a quem já está a responder à questão "Why Portugal?" com um roteiro organizado e completo até 2017 e mais além. Se achamos que devem inscrever-se? Esta é também a vossa luta e o CIM será, concerteza, o local onde deverão estar neste Sábado à tarde.
DESTAQUES DE AGENDA (diariamente em facebook.com/bandcom)
MAIO NO MAUS HÁBITOS - ESPAÇO DE INTERVENÇÃO CULTURAL, Rua Passos Manuel, nº 178, 4º andar, Porto 4/5: Downtempo (DJset) // 5/5: Revolution Is My Boyfriend (DJset) // 6/5: Birds Are Indie + Nuno Dias + Jonathan (DJset) // 7/5: ARENA + Xico Ferrão (DJset) // 10/5: Milonga // 11/5: Downtempo // 12/5: "Hazul" de Mariana Lopes & Rui Nó + D-One // 13/5: Quelle Dead Gazelle + We Are Open Season + Vicente Abreu (DJset) // 14/5: CRU + White Haus + Jonathan (DJset) // 18/5: Shortcutz Porto + Downtempo (DJset) // 19/5: Granada + Lounge Of The Villains // 20/5: Ganso + One Yellow Jack + Vicente Abreu (DJset) // 21/5: Groove Ball + Márcio (DJset) // 25/5: From 20's to 00's - Rita Braga & André Tentúgal // 26/5: [re+act(ion)]AV + Belle And The Bear (DJset) // 27/5: Savanna + A Boy Named Sue, Sun And Moon + Xico Ferrão (DJset) // 28/5: Yucca Calling + Shuggah Lickurs + Matéria Prima (DJset)
MAIO NA CASA INDEPENDENTE
MAIO NA CASA INDEPENDENTE, Largo do Intendente, nº45, Lisboa 1/5: Festa de Encerramento do IndieLisboa // 5/5: Teatro - "Um Auto Para Jerusalém" // 6/5: Karyna Gomes & Mü + Lucky (DJset) // 7/5: Jameson Jungle Fever com Fogo-Fogo // 13/5: Serviço de Quarto (DJset) // 14/5: Ora Cogan // 20/5: Blood Sport // 21/5: Señoritas // 24/5: A Torre Vai Cair (Serões de Poesia na Casa Independente) // 25/5: CASAL BOSS (DJset) // 27/5: Quim Albergaria (DJset) // 28/5: Donas São Como Divãs (DJset) // 29/5: Laura Stevenson
MAIO NO SABOTAGE CLUB
MAIO NO SABOTAGE CLUB, Rua de São Paulo, nº16, Lisboa 4/5: La Chanson Noire + Nuno Calado (DJset) // 5/5: Morte Incandescente + David Polido (DJset) // 6/5: The Ghost Wolves + Terminal Lx + Nuno Do Roque & David Polido (DJset)// 7/5: Madrepaz // 12/5: Festa do 3º Aniversário com Soviet Soviet + Clementine + Egbo + Nunchuck & David Polido (DJset) // 13/5: Filho da Mãe & Ricardo Martins + Evols + Birds Are Indie // 14/5: Messer Chups + The Japanese Girl + A Boy Named Sue & Mr. Groovie & David Polido (DJset) // 16/5: Black Rainbows + Miss Lava + David Polido (DJset) // 19/5: The Black Wizards + Asimov + David Polido (DJset) // 20/5: Twin Transistors + Serushiô + João Peste (DJset) // 21/5: The Sunflowers + Fugly + Candy Diaz & Tiago Castro (DJset) // 25/5: The Wonderland Club: Rock n' Soul Party // 27/5: Reverence Underground Sessions com Mão Morta + Yggdrasil & Exploding Boy (DJset) // 28/5: Reverence Underground Sessions com Mão Morta + João Peste (DJset)
EXIB MÚSICA 2016
QUINA DAS BEATAS SETEMBRO-DEZEMBRO 2015
QUINA DAS BEATAS SETEMBRO-DEZEMBRO 2015, 26 de Setembro - 18 de Dezembro, Centro de Artes do Espectáculo, Portalegre 26/9: Postcards // 2/10: Secret Lie // 9/10: Inmyths // 16/10: Destroyers of All // 30/10: Omega Sins // 6/11: Miura // 13/11: Motel Pantanal // 20/11: Moonshiners // 4/12: Anderskor // 11/12: Sabão Azul E Branco // 18/12: Psicotronics
TOUR CONJUNTA KATABATIC + JUSEPH + MEMOIRS OF A SECRET EMPIRE
TOUR CONJUNTA KATABATIC + JUSEPH + MEMOIRS OF A SECRET EMPIRE 10/12: Teatro CITAC, Coimbra
11/12: Texas Bar, Leiria
18/12: Musicbox, Lisboa
TALKFEST - INTERNATIONAL MUSIC FESTIVALS FORUM
TALKFEST - INTERNATIONAL MUSIC FESTIVALS FORUM, 3 e 4 de Março, FIL, Lisboa Conferências: Miguel Fernandes, Raúl Duro, João Goulão, Pierre Aderne, Rita Amado, Roberto Mulassano, Paulo Bastos, Teresa Nicolau, Alexandra Ho, Almudena Heredero, Raúl Ramos, Andrés San José, Roberto Carreras, Bernard Seco, João Pinto, Filipa Galrão, Francisco Oliveira, Paulo Silva, Miriam Carmo, Nélson Tiago, Sandra Abrantes
Apresentações Profissionais: ASAE, Planet Core e Ponto D'Observação
Documentários: "This Is Our Work!"
Concertos: Benjamim
Seminários: Lift, Triciclo, CISION
NOS PRIMAVERA SOUND 2016
NOS PRIMAVERA SOUND 2016, 9-11 de Junho, Parque da Cidade, Porto
NOS ALIVE 2016
NOS ALIVE 2016, 7-9 de Julho, Passeio Marítimo de Algés, Lisboa
VODAFONE PAREDES DE COURA 2016
VODAFONE PAREDES DE COURA 2016, 17 a 20 de Agosto, Praia Fluvial do Taboão, Paredes de Coura
REVERENCE VALADA 2016
REVERENCE VALADA 2016, 8-10 de Setembro, Parque de Merendas de Valada do Ribatejo
Director-geral: André Gomes de Abreu Edição-geral: Emanuel Graça João Gil Colaboradores:
Andrea Baggio
Diogo Marçal
Duarte Azevedo
Joana Jorge
João Ribeiro
Hugo Gonçalves
Hugo Hugon
Inês Martins
Marcelo Franca
Marco Duarte
Mickaël C. de Oliveira
Ana Pereira (fotografia) André Branco (fotografia) Daniel Sampaio (fotografia)
Daniela Silva (fotografia)
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José Vidal (fotografia)
Luís Cunha (fotografia) Maria João Ferreira (fotografia)
Raquel Lemos (fotografia)
Rodolfo Rodrigues (fotografia) Convidados:
Joana Nicolau